A medicina e o direito caminham juntos quando o assunto é responsabilidade profissional. E é justamente essa conexão que tem ganhado destaque entre médicos e gestores da saúde, principalmente diante do aumento de litígios envolvendo atendimentos e procedimentos clínicos. Um dos nomes que vêm se sobressaindo nesse cenário é o do advogado e professor universitário William Zenon, que participou recentemente do programa "Doutor TV", apresentado por Salatiel Araújo, na Band TV Vale, no interior de São Paulo.
Especialista em direito médico, William atua na formação e orientação de profissionais da área, com foco em ações preventivas —uma abordagem que busca minimizar riscos, evitar desgastes e consolidar relações mais seguras com os pacientes.
"A rotina dos médicos é intensa e muitas vezes não sobra tempo para pensar nos aspectos legais. Mas é justamente esse preparo que evita transtornos futuros e até processos injustos", ressalta o profissional ao "Estado de Minas".
Entre os casos recorrentes, ele aponta os procedimentos estéticos, frequentemente levados aos tribunais. Muitas vezes não por falhas técnicas, mas por expectativas desalinhadas com os resultados.
"A frustração pode se transformar em queixa formal. E, em diversos episódios, a responsabilidade é dividida, já que o paciente nem sempre segue corretamente as orientações do profissional. O desafio é conseguir comprovar isso", explica.
Para reduzir esse tipo de situação, William defende a criação de registros detalhados, comunicação assertiva e linguagem acessível, bem como a promoção de uma cultura menos litigiosa. Ele é defensor dos chamados modelos multiportas, que oferecem caminhos alternativos para resolução de impasses, sem a necessidade de recorrer ao judiciário.
"A mediação é mais ágil, menos desgastante e costuma deixar todos os envolvidos satisfeitos. É um recurso valioso que precisa ser disseminado", enfatiza.
Além disso, o professor destaca a importância da humanização nos atendimentos, desde a recepção até o acompanhamento final. Segundo ele, a confiança é construída com diálogo claro e postura ética — elementos que devem estar presentes em todas as etapas do cuidado.
"O direito médico não serve apenas para responsabilizar, mas também para proteger. Quando há organização e boa comunicação, os embates diminuem bastante", finaliza.
William Zenon
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