Em tempos onde o digital avança sobre todos os setores, a palavra impressa em papel ainda encontra seu espaço. No mercado editorial brasileiro, que movimenta bilhões anualmente, as gráficas especializadas na produção de livros físicos continuam a desempenhar papel fundamental, atendendo desde grandes editoras até autores independentes que buscam materializar suas obras.
Na capital federal, a Infinity e a Renova Gráfica se destacam nesse nicho, oferecendo serviços que vão muito além da simples impressão. "O livro físico é uma experiência sensorial completa. O cheiro do papel, a textura da capa, o peso nas mãos. Isso nunca será substituído por uma tela", comenta João Mendes, diretor da Infinity, durante visita da reportagem às instalações da empresa.
A Infinity, que começou como uma pequena gráfica há quase duas décadas, hoje ocupa um galpão de 2.000 m² no Setor de Indústrias Gráficas. Com maquinário de última geração importado da Alemanha, a empresa se especializou em tiragens médias, entre 500 e 5.000 exemplares, faixa que atende a maior parte do mercado editorial nacional.
Já a Renova Gráfica apostou na democratização da publicação impressa. "Percebemos que havia uma demanda reprimida de autores independentes que queriam publicar seus livros em pequenas tiragens, mas esbarravam nos custos elevados", explica Maria Oliveira, sócia-fundadora da Renova. A empresa desenvolveu um modelo de negócio que viabiliza tiragens a partir de 100 exemplares, com preços acessíveis.
Da tela para o papel
O processo de produção de um livro é mais complexo do que muitos imaginam. Na Infinity, o manuscrito digital passa por etapas rigorosas de preparo, impressão e acabamento. "A qualidade final depende tanto da matéria-prima quanto do cuidado em cada fase", explica Mendes.
Durante a reportagem, foi possível acompanhar a impressão de um romance de estreia de uma autora brasiliense. As folhas saíam rapidamente da impressora digital, enquanto em outro setor da gráfica a capa recebia acabamento especial com aplicação de verniz localizado, dando destaque a elementos do design.
Na Renova, o diferencial está no atendimento personalizado. "Muitos de nossos clientes estão publicando pela primeira vez e se sentem perdidos. Oferecemos consultoria em todo o processo, desde a escolha do papel até decisões sobre o formato e acabamento", conta Oliveira.
Adaptação em tempos digitais
Para sobreviver em um mundo cada vez mais digital, as gráficas precisaram se reinventar. A Infinity investiu em tecnologia de impressão sob demanda, reduzindo o desperdício e os custos de estocagem para as editoras. "Uma editora pode imprimir 200 exemplares e, se o livro vender bem, solicitar mais 300 rapidamente, sem perda de qualidade ou consistência", afirma Mendes.
A Renova, por sua vez, criou pacotes que incluem versões digitais junto com o livro impresso. "O autor recebe o arquivo para e-book junto com seus exemplares físicos. É o melhor dos dois mundos", explica Oliveira.
As duas empresas também investiram em práticas sustentáveis, utilizando papéis certificados e processos que reduzem o impacto ambiental. "O cliente de hoje se preocupa com isso. Quer seu livro impresso, mas quer saber que não está prejudicando o planeta", pontua Mendes.
Apesar dos desafios, o otimismo prevalece entre os empresários do setor. "O livro impresso não vai desaparecer. Ele vai encontrar seu espaço junto ao digital", conclui Oliveira, enquanto mostra com orgulho uma estante com centenas de títulos produzidos em sua gráfica.
Para quem sonha em ver sua obra publicada, o caminho entre o manuscrito no computador e o livro na estante parece agora um pouco mais curto.
