Por Isabel Gonçalves
João encontrou um CDB que prometia render bem mais do que a maioria das opções disponíveis no mercado. A taxa era alta, o investimento tinha cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e parecia uma oportunidade difícil de ignorar.
Meses depois, o banco emissor passou a enfrentar problemas financeiros e entrou na mira das autoridades. De repente, João começou a se perguntar se teria seu dinheiro de volta e percebeu que nunca tinha entendido de fato como funcionava o rendimento de um CDB.
A lição que fica é: quando um investimento oferece um retorno acima da média, vale a pena entender por que isso acontece e se o risco compensa. Se você também já ficou em dúvida sobre o que significa um CDB render até 135% do CDI, este guia é para você. Vamos explicar como fazer os cálculos e quais fatores considerar antes de investir.
O que é CDB?
Um CDB é um Certificado de Depósito Bancário, um investimento de renda fixa emitido por bancos. Ao aplicar seu dinheiro em um CDB, você está, na prática, emprestando dinheiro para a instituição financeira. Em troca, o banco devolve o valor investido acrescido de juros na data de vencimento ou conforme as condições do título.
Os CDBs podem ter diferentes prazos, formas de remuneração e regras de resgate. Além disso, contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para aplicações de até R$250 mil por CPF e por instituição financeira, o que traz mais segurança ao investidor.
O que é o rendimento do CDB?
Na prática, existem três formas principais de remuneração:
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Pós-fixado, normalmente atrelado ao CDI;
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Prefixado, com uma taxa definida desde o início;
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Híbrido, que combina inflação (IPCA) com uma taxa fixa.
Os CDBs pós-fixados são os mais comuns e são eles que costumam aparecer com taxas como 95%, 100%, 110% ou até 135% do CDI.
O que significa render 100% do CDI?
Isso quer dizer que o rendimento é atrelado a uma outra taxa: o CDI.
O CDI é o Certificado de Depósito Interbancário, uma taxa que representa os juros de curtíssimo prazo usada em empréstimos entre bancos. Ela costumam ficar muito próxima da taxa Selic, definida pelo Banco Central
Em julho de 2026, o CDI está em 14,15% ao ano. Por isso, se você investisse R$100 em um CDB que rende 100% do CDI, no fim do ano você teria R$114,15. Na prática, se o CDI subir ou cair, o rendimento do seu investimento acompanha essa variação.
Qual rendimento do CDB é considerado bom?
É aqui que é preciso ter muita atenção. A resposta depende do momento da economia e do risco envolvido.
De forma geral, quanto maior o percentual do CDI oferecido, maior tende a ser o rendimento. A maioria dos CDB disponíveis hoje rendem de 90% a 110% do CDI. Algo que foge muito disso, merece atenção.
Nos últimos meses, os CDBs do Banco Master estavam sendo vendidos com taxas de 120%, 130% até 177% do CDI. Além disso, alguns títulos do Banco Digimais chegaram a ser negociados oferecendo até 135% do CDI no mercado secundário.
Enquanto o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central, o Banco Digimais estava sob investigação da Polícia Federal por suspeitas de irregularidades financeiras e buscava um comprador.
É por isso que títulos como esses, que oferecem remuneração muito acima da média costumam carregar um risco maior. Não por acaso, várias corretoras classificavam esses papéis como de "risco alto". É aquela velha máxima dos investimentos: se a promessa parece boa demais, vale a pena entender por quê.
CDBs com alto rendimento merecem atenção
O caso do Banco Master e do Will Bank é um exemplo do tamanho do problema que um rendimento de CDB altíssimo pode esconder. Com a emissão dos títulos, analistas passaram a questionar se esse modelo seria sustentável no longo prazo e demonstraram preocupação se o banco tinah capacidade de honrar os compromissos, ou seja, pagar o rendimento prometido caso enfrentasse dificuldades.
Com o aumento das preocupações, o Banco Central passou a monitorar mais de perto a situação da instituição, e percebeu que o Master estava manipulando os registros financeiros para inflar ativos e esconder a real situação financeira da instituição, a mesma coisa praticada pelo Digimais.
Isso não significa que um CDB com rendimento alto seja necessariamente fruto de práticas ilegais. Porém, antes de se deixar levar pela taxa oferecida, vale analisar quem é o banco emissor, verificar se o investimento conta com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e entender porque aquela instituição está pagando mais do que a concorrência. Em investimentos, uma rentabilidade maior quase sempre vem acompanhada de um risco maior.
O FGC elimina todo o risco?
Aí entra uma nova questão. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) oferece proteção de até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira para investimentos como CDBs. Isso reduz bastante o risco de perdas caso um banco enfrente problemas financeiros.
No caso do Digimais, por exemplo, os CDBs continuavam sendo vendidos com cobertura do FGC. No caso do Banco Master, o FGC já está ativamente pagando os credores. Foi inclusive a maior retirada de recursos da história do fundo, tendo pago 49,4 bilhões de reais para mais de 90% dos clientes.
Ainda assim, isso não significa que qualquer investimento deva ser escolhido apenas porque possui garantia. Se você fizer aplicações acima do limite de cobertura, apenas uma parte do seu dinheiro estará protegido. Se você tiver que vender o título antes do vencimento, você pode receber menos do que esperava.
Outro ponto importante é que embora o FGC garanta aplicações de até R$ 250 mil por CPF, o dinheiro não cai na conta imediatamente em caso de quebra do banco. Primeiro, é preciso que o Banco Central decrete a liquidação da instituição, aí o FGC recebe a relação dos investidores. Só depois dessa etapa épossível solicitar o ressarcimento pelo aplicativo do Fundo. Após a solicitação ser concluída, o pagamento costuma ser liberado em até 48 horas úteis, mas todo o processo pode levar semanas até ficar disponível.
Conclusão: vale a pena investir em um redimento alto de CDB?
No fim das contas, o CDB continua sendo um dos investimentos de renda fixa mais populares. Eles são uma boa alternativa para quem busca previsibilidade, rentabilidade superior à poupança e diferentes opções de prazo e liquidez.
Porém, escolher o título apenas pelo rendimento, optando pelo maior percentual do CDI, pode levar a decisões precipitadas. Antes de investir, compare as condições oferecidas, utilize nosso simulador de investimentos, entenda a cobertura do FGC e avalie se aquela rentabilidade faz sentido para o seu objetivo financeiro.
Porque um bom investimento não é necessariamente aquele que promete o maior retorno, e sim aquele que combina rentabilidade, segurança e prazo compatíveis com o que você precisa. Seu bolso (e seu sono) costumam agradecer essa combinação.
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