Por Isabel Gonçalves 

Outro dia fui abastecer o carro e, na hora de pagar, resolvi usar Pix. Na minha cabeça, era só apontar a câmera para o QR Code da maquininha. Mas o celular não focava de jeito nenhum. Afastei, aproximei, aumentei o brilho da tela, tentei de novo. Nada. 

Eu só conseguia pensar que, se tivesse usado o cartão por aproximação, já teria ido embora fazia tempo. Foi aí que percebi que já existia uma solução para isso, mas que desde o lançamento não ouvi mais falar. Afinal, por onde anda o Pix por aproximação? 

O que é o Pix por aproximação?

O Pix por aproximação é uma modalidade que utiliza a tecnologia NFC (Near Field Communication), a mesma presente nos cartões contactless.

Na prática, o pagamento acontece apenas aproximando o celular da maquininha. O processo funciona de forma parecida com carteiras digitais usadas em cartões de crédito e débito.

A ideia do Banco Central é reduzir atritos e tornar o pagamento com Pix tão cômodo quanto um via cartão. O pagamento via Pix por aproximação é feito na wallet, ou carteira digital. Afinal, é lá onde já estão os cartões que permitem o pagamento por aproximação usando a tecnologia NFC (Near Field Communication).

Como usar o Pix por aproximação via carteira digital?

Antes de tudo, é preciso vincular a conta bancária à carteira digital por meio do open finance. Depois disso, o usuário consegue realizar pagamentos diretamente pela carteira, sem precisar abrir o aplicativo do banco toda vez. Basta dois cliques no botão lateral que a carteira abre. Também dá para usar em smartwatches.

Na época do lançamento, no começo de 2025, só o Google Pay tinha disponibilizado essa função. Em abril de 2026, a Samsung passou a oferecer também na Samsung Wallet. Ou, seja, só quem tem celulares Android consegue usar. 

Pix por aproximação Apple Pay 

Enquanto usuários Android começam a ganhar novas opções, donos de iPhone seguem de fora. Isso acontece porque a Apple não permite que aplicativos de terceiros acessem o NFC do iPhone para pagamentos. 

O cartão por aproximação funciona porque os bancos e operadoras de cartão pagam taxas para a Apple para que seus plásticos sejam compatíveis com essa carteira digital específica. 

Ou seja, o Brasil criou um dos sistemas de pagamento mais avançados do mundo, mas parte dos usuários ainda não consegue acessar a experiência completa por causa de limitações impostas por uma big tech.

Como funciona o Pix por aproximação?

Usuários de celulares Android compatíveis podem pagar apenas aproximando o aparelho da maquininha, usando autenticação por biometria ou senha.

O funcionamento depende de alguns requisitos:

  • celular com NFC;

  • integração com open finance;

  • maquininha habilitada para pagamentos por aproximação.

Depois da vinculação inicial da conta à sua carteira digital (Samsung Wallet ou Google Pay), os pagamentos acontecem diretamente pela carteira.

Dá para fazer Pix por aproximação direto pelo banco? 

De acordo com o Banco Central, sim. Mas a realidade é um pouco diferente.

A proposta original do Pix por aproximação prevê que o usuário consiga realizar pagamentos diretamente pelo aplicativo da própria instituição financeira, sem depender necessariamente de uma carteira digital. 

Mas, sem elas, o recurso ainda é limitado ou simplesmente inexistente nos apps bancários. Eu, por exemplo, só encontrei menções ao Pix por aproximação perguntando ao suporte como fazia para usar. E o suporte confirmou que só dá para aproveitar a função com um celular Android compatível.

O resultado é um cenário em que o Banco Central desenha um sistema que deveria ser universal, mas a experiência real ainda depende do sistema operacional do celular, das decisões das big techs e das prioridades de cada banco, que parecem não ter aderido muito à ideia.  

Por que o Pix por aproximação ainda avança devagar?

Apesar da promessa de praticidade, a adoção ainda é bastante irregular no Brasil. Na teoria, o pagamento parece simples. Na prática, existem vários obstáculos.

  • As maquininhas ainda são uma barreira: nem todas as maquininhas aceitam pagamentos NFC via Pix. Em muitos estabelecimentos, a função simplesmente não aparece.

  • Falta informação para os consumidores: Pix tradicional virou hábito rapidamente porque era simples de entender. Já o Pix por aproximação ainda sofre com falta de comunicação clara.

  • Dependência das carteiras digitais: hoje, a experiência mais fluida do Pix por aproximação acontece principalmente dentro de carteiras digitais e o recurso acaba dependendo das regras impostas por essas empresas, como no caso da Apple, que bloqueou o acesso ao NFC.  

Boa parte dos usuários não sabe quais celulares são compatíveis, como ativar a função e quais limites de segurança existem.

O próprio Banco Central estabeleceu um limite inicial padrão de R$500 por transação, com possibilidade de personalização pelo usuário. Mas essa informação ainda circula pouco.

Quais bancos fazem Pix por aproximação?

Hoje, os principais bancos e fintechs oferecem Pix por aproximação com integração na carteira digital. Entre eles: 

  • Banco do Brasil

  • Bradesco

  • Santander

  • Nubank

  • Banco Inter

  • C6 Bank

  • Mercado Pago

  • PagBank

Sendo assim, você adiciona as informações da sua conta na carteira digital (Samsung Wallet ou Google Pay) e faz o Pix por aproximação por lá. 

Quais maquininhas aceitam o Pix por aproximação? 

Se você vende ou costuma pagar por aproximação, vale entender quais maquininhas já aceitam essa tecnologia.

A PagBank, por exemplo, foi uma das primeiras empresas a anunciar oficialmente que todas as suas maquininhas já aceitavam Pix por aproximação.

Conclusão: Pix por aproximação prometeu praticidade e ainda está devendo

O Pix por aproximação nasceu com uma promessa de transformar o pagamento digital em algo tão rápido quanto encostar o cartão na maquininha. Sem QR Code, sem abrir aplicativo, sem etapas extras. Ou seja, tudo que um cartão já faz.  

Na prática, ele até funciona, mas só se você usar uma carteira digital num celular Android. Ou seja, a experiência ainda está incompleta. O recurso não está disponível diretamente nos bancos, precisa de um celular habilitado, carteira digital específica e maquininha preparada para receber esse tipo de transação. 

No fim das contas, o Pix por aproximação ainda me parece mais uma promessa de futuro do que uma realidade consolidada. A tecnologia existe, as empresas anunciam novidades e o Banco Central tenta impulsionar a adoção. Mas, ainda é uma operação complicada e enquanto o pagamento por aproximação continuar funcionando só em parte dos celulares, em parte dos bancos e em parte das maquininhas, a praticidade continuará incompleta.


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