O calendário do futebol brasileiro segue uma bagunça, em que pese algum esforço da CBF nos últimos anos para melhorá-lo. Prova disso é que tivemos um Flamengo x Atlético na noite de uma segunda-feira (26/10) e teremos dois clássicos estaduais na noite desta quinta-feira (29/10), quando jogam Atlético x Cruzeiro e Vasco x Flamengo, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro. Já na noite desta quarta-feira (28/10), jogaram Santos x Palmeiras.

Para completar, os horários de ao menos dois desses clássicos, 19h30, complicam a vida do torcedor. Como nunca fui a Santos, não sei como é o acesso à Vila Belmiro no início da noite de um dia útil. Mas Belo Horizonte eu conheço bem e posso garantir que qualquer jogo maior antes das 20h complica a vida não só de quem quer ir ao estádio, mas também do cidadão comum, trabalhador ou estudante.

Entendo que houve uma conjunção de fatores que fizeram os clássicos ocorrerem neste meio de semana, como as partidas pelas copas continentais, que têm prioridade sobre os torneios nacionais. Também houve o segundo turno das eleições no último domingo (25/10). Mas tudo isso poderia ter sido levado em conta na hora de confeccionar as tabelas tanto da Série A quanto da Copa do Brasil.

Talvez eu seja ingênuo em achar que quem comanda nosso futebol devesse pensar mais no torcedor. Provavelmente, a grade de programação das emissoras detentoras dos direitos de transmissão deve ser mais importante para essas pessoas, até pelos valores aportados. Uma pena.

Além disso, a própria situação de uma das equipes acaba diminuindo um pouco o interesse pela partida. Claro que o atleticano quer a vitória sobre o maior rival, mas é nítido que no clube as atenções estão voltadas para as semifinais da Copa do Brasil, cujos jogos contra o Grêmio serão no próximo domingo (1º/11) e no sábado seguinte (7/11). Assim, o técnico Eduardo Domínguez deverá mandar uma formação alternativa a campo esta noite.

Aos cruzeirenses, por sua vez, trata-se da chance de diminuir o gosto amargo após a eliminação nas quartas de final da Copa do Brasil justamente pelo Galo. E também do prejuízo diante do rival na temporada, pois em cinco clássicos até agora, perdeu três e só venceu um – que valeu o time mineiro, é verdade.

Com todos esses poréns, tomara que Galo e Raposa honrem a tradição do confronto e não façam um clássico de quinta – a não ser pelo dia da semana. Mas novamente posso estar sendo tolo.


Sul-Americana

A marcação da decisão da Copa Sul-Americana para Barranquilla, na Colômbia, ocorreu antes da definição dos finalistas. E agora, tanto os torcedores do Atlético quanto do Boca Juniors têm de se sacrificar se quiserem apoiar suas equipes in-loco, pois não é fácil nem acessível financeiramente se deslocar até a cidade colombiana.

Talvez a Conmebol devesse repensar a escolha das sedes da final, esperando o fim das semifinais para escolher o local do jogo decisivo, que deveria ser fácil de chegar para ambas as torcidas. Ao contrário da Europa, na América do Sul temos sérias dificuldades para nos deslocar pelo continente, sendo complicado ir até mesmo a algumas capitais, tanto pela logística quanto pelos valores necessários.]

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