Montar um time de futebol não é tarefa fácil. Às vezes o clube investe um caminhão de dinheiro, busca jogadores que já provaram seu valor, treinadores renomados, mas as coisas não saem tão bem quanto esperado. É o caso do Cruzeiro nesta temporada. Outras, até por limitações financeiras, precisam ser cirúrgicas, ter olho clínico e um treinador que saiba montar um time competitivo com as peças que tem. Como fez este ano o Athletico-PR, comandado por Odair Hellmann.
Muitos podem dizer que são situações muito diferentes, que os dois exemplos que citei têm tamanhos, histórias, conquistas e torcidas bastante distintas. E que apenas cinco pontos separam os dois clubes na Série A do Campeonato Brasileiro. Verdade, mas o torcedor celeste tem um sentimento de frustração após as eliminações nas oitavas de final da Copa Libertadores e nas quartas de final da Copa do Brasil, esta para o rival Atlético, que a fez ainda mais dolorida. Para completar, a ótima campanha no Nacional de 2025, no qual terminou em terceiro lugar, criou uma expectativa muito grande quanto ao desempenho este ano, que está até dentro do que poderíamos esperar.
O esforço feito pelo empresário Pedro Lourenço deve ser valorizado, mas até ele sabe que algo precisa ser feito para que a Raposa tenha reais condições de brigar por grandes conquistas. Tanto que contratou o ex-jogador José Paulo Bezerra Maciel Júnior, o Paulinho, como novo diretor-executivo do Cruzeiro, tendo como principal função fazer “o alinhamento com a comissão técnica e a gestão do dia a dia do elenco profissional”.
Entendo que o novo dirigente chega com maior poder de cobrança aos atletas e à comissão técnica. Em campo, alguns não têm conseguido desempenhar o esperado, como o zagueiro Fabrício Bruno, o meio-campista Gérson e o atacante Kaio Jorge. O próprio Matheus Pereira, estrela maior do time, poderia entregar mais, principalmente em jogos grandes ou decisivos, como ele próprio admitiu após a derrota para o Flamengo, no Maracanã, em agosto, pela Libertadores.
O Cruzeiro está entre os clubes que mais gasta com o futebol brasileiro atualmente. Oferece boa estrutura e profissionais da retaguarda capacitados. Paga em dia. Por isso, tem o direito de exigir 100% tanto dos atletas quanto do técnico Artur Jorge e de seus auxiliares.
Não sei se a chegada de Paulinho surtirá efeito já nesta temporada, quando restam apenas oito jogos para a Raposa. Mas certamente será importante para o ano que vem, caso ele repita por aqui o que fez em 2025 no Mirassol, quarto colocado no Brasileiro daquele ano.
Ameaçados
Falando em reta final do Brasileiro, acredito que restem apenas duas vagas entre os rebaixados, pois Chapecoense e Remo não me parecem ter forças para escapar. E aí a briga será grande, pois apenas dois pontos separam Grêmio (18º), Internacional (17º), Corinthians (16º) e Mirassol (15º). Vasco (14º), Botafogo (13º) e Vitória (12º) ainda correm risco, mas me parecem em situações mais tranquilas que os demais não só dentro de campo, mas, principalmente, fora dele.
No último domingo vimos o Gre-Nal terminar empatado por 1 a 1, resultado péssimo para ambos os rivais gaúchos. Mirassol x Internacional abrirá a 31ª rodada nesta sexta-feira (16/10), no interior paulista. Já Grêmio e Corinthians jogam em casa contra Cruzeiro e Vitória no sábado. Não está fácil para ninguém.
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