A segunda janela de transferências de 2026 do futebol brasileiro se encerrou na última sexta-feira (11/9). Mais uma vez, os clubes em pior situação na tabela de classificação da Série A tentaram se reforçar em busca da salvação, mesmo que isso signifique aumentar o endividamento, enquanto outros tentam equilibrar qualidade técnica com responsabilidade contábil.

Neste último caso se encontram os rivais mineiros. Ainda assim, Atlético e Cruzeiro tiveram posturas diferentes no mercado visando o segundo semestre.

Vivo em três competições, o Galo fez contratações pontuais, sendo o meio-campista Fred a mais importante delas. Formado pelo próprio clube alvinegro, mas profissionalizado pelo Internacional, o jogador ficou 13 anos no exterior, tendo passado por Ucrânia, Inglaterra e Turquia antes de voltar à cidade natal, ao custo de 2 milhões de euros (cerca de R$ 12 milhões), além de 500 mil euros (aproximadamente R$ 3 milhões) em bônus por metas atingidas.

A diretoria atleticana também contratou Kevin Castaño por empréstimo do River Plate, sem custos, mas com obrigação de compra se ele atingir metas. O valor foi fixado em US$ 5 milhões (cerca de R$ 25,6 milhões hoje) por 50% dos direitos econômicos do atleta. Foi um negócio parecido com o feito com o Bragantino para ter o atacante Thiago Borbas, cujos direitos estão estipulados em US$ 4,25 milhões (cerca de R$ 21,6 milhões), mas por 80%.

Já o zagueiro Leo Duarte estava livre no mercado. Mesmo na Cidade do Galo desde junho, ele ainda não estreou, pois se recuperava de problema físico.

Para possibilitar a chegada de reforços, o Atlético abriu mão de alguns atletas com salários mais altos. O principal deles foi Hulk, que se transferiu sem custos para o Fluminense, enquanto o zagueiro Junior Alonso foi cedido ao Atlanta United-EUA mediante compensação financeira cujo valor não foi divulgado – o contrato entre eles ia apenas até dezembro. Também saíram o zagueiro Ivan Román e os meio-campistas Iseppe e Patrick, todos jovens e ainda buscando espaço no futebol.

Ressalte-se que o clube de Lourdes encerrou 2025 com R$ 1,78 bilhão em dívidas e um prejuízo de R$ 310 milhões, apesar da receita recorde de R$ 768 milhões.

Já o Cruzeiro foi o clube que mais investiu em contratações nesta última janela de 2026: R$ 113 milhões. Chegaram o lateral-esquerdo Gabriel Rojas (cerca de R$ 25 milhões), o volante Zé Lucas (R$ 25,4 milhões) e o atacante Gabriel Pec (R$ 60 milhões), além do atacante João Costa (R$ 2,5 milhões pelo empréstimo). Também chegaram sem custos o lateral-esquerdo Matías Viña e os atacantes Wesley e Lucho Rodríguez, todos por empréstimos sem custos.

Por outro lado, o clube arrecadou R$ 206 milhões com saídas de atletas, como a dos laterais-esquerdos Kaiki para o Como-ITA e Kauã Prates para o Borussia Dortmund-ALE, por R$ 72 milhões cada; além de meio-campista Christian para o Krasnodar-RUS por R$ 54 milhões. Também emprestou o zagueiro Bruno Alves ao Norwich-ING (cerca de R$ 1,76), bem como o goleiro Matheus Cunha (Internacional), o zagueiro Pedrão (Avaí), os meio-campistas Walace (Vitória), Japa (Mirassol), Janderson (Moreirense-POR), Gui Meira (Feirense-POR) e Murilo Rhikman (Sport); e os atacantes Ruan Índio (Radomiak Radom–POL) e Chico da Costa (Fortaleza), em negociações de diversos formatos.

Ou seja, o balanço da Raposa ficou no azul, com o perdão da redundância. Isso não significa, porém, que o clube esteja nadando em dinheiro, pois os custos são altos – só com folha salarial são cerca de R$ 35 milhões/mês, incluindo, além dos vencimentos, direitos de imagem, luvas e impostos de atletas e membros da comissão técnica.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia


compartilhe