Até a parada do calendário dos clubes para a disputa da Copa do Mundo de 2026, entre junho e julho, praticamente só se escutavam elogios ao trabalho do técnico Artur Jorge à frente do Cruzeiro, iniciado no fim de março. “Se tivesse chegado antes, brigaria com Palmeiras e Flamengo”, escutei inúmeras vezes. Já Eduardo Domínguez, contratado um mês antes, tinha o trabalho como técnico do Atlético visto com desconfiança. “Precisa entender a cultura atleticana. O Galo não pode jogar se defendendo”, disseram alguns.
Passados pouco mais de 40 dias desde que a Espanha se tornou bicampeã mundial, batendo a Argentina na decisão em Nova Jersey (EUA), o cenário mudou completamente e, para isso, contribuiu de sobremaneira o embate entre os tradicionais rivais mineiros pelas quartas de final da Copa do Brasil. Ao argentino, todos os louros por ter melhorado o time alvinegro durante o período sem jogos, culminando com a eliminação do rival no torneio mata-mata. Já ao comandante celeste, chegou a vez dos questionamentos, alguns bem pesados.
Como diz a minha mãe, “nem tanto ao mar, nem tanto à terra”. O trabalho do “Barba” vem rendendo frutos, é verdade, mas ele não transformou o Galo em um supertime. Assim como a pausa para a Copa do Mundo não fez o português desaprender sobre o esporte bretão.
Os alvinegros ostentam admiráveis 14 jogos de invencibilidade, sequência que começou ainda no primeiro semestre, e entusiasmaram a Massa ao se dar bem sobre o maior rival. Para completar, o meio-campista Fred encaixou como uma luva no time, que sentia falta de alguém com mais talento na criação.
Isso não significa que esteja tudo perfeito. Em alguns jogos, o Galo foi mal e contou com a sorte para sair com o resultado desejado. Foi assim, por exemplo, diante do Juventude, no jogo de volta das oitavas de final da Copa do Brasil, quando um chutão virou lançamento. Alan Minda aproveitou uma bobeada da zaga gaúcha e fez o único gol do jogo no Alfredo Jaconi, quando tudo indicava que a vaga seria definida na disputa de pênaltis.
A expectativa é que o embalo continue, ainda que eu considere o elenco “curto” para a disputa de três competições. Mas certamente o Galo está em boas condições para conquistar ao menos uma das duas Copas que está disputando – a outra é a Sul-Americana.
Já no Cruzeiro, é hora de a diretoria e a comissão técnica avaliarem os movimentos feitos na temporada. A meu ver, o investimento é muito alto para resultados medianos, ainda que entenda que seja início de trabalho. Alguns jogadores precisam dar respostas melhores e outros têm de ser negociados, até para dar espaço para os que se destacam nas categorias de base.
A equipe agora terá tempo para se concentrar no Brasileiro e, descansado, pode garantir a vaga na Copa Libertadores do ano que vem com certa tranquilidade. Qualquer coisa menos que isso será considerado fracasso pela China Azul.
Seleção
Na próxima semana, Carlo Ancelotti dará início, efetivamente, ao trabalho visando a Copa do Mundo de 2030 com a convocação da Seleção Brasileira para amistosos contra Austrália e Índia. O italiano tem quatro anos para implantar seu esquema e escolher os melhores jogadores para fazê-lo funcionar. Boa sorte para ele.
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