Quando a CBF anunciou, em 4 de outubro passado, o calendário do futebol brasileiro para 2026, fui um dos que aplaudiu a decisão da entidade de diminuir o número de datas dos estaduais e começar a disputa do Campeonato Brasileiro mais cedo. Afinal, teremos Copa do Mundo e muitas competições. Mas, como quase sempre, as coisas não saíram como eu esperava.


A antecipação do início da Série A fez com que os estaduais também começassem mais cedo. Ou seja, os principais clubes do país tiveram de repensar seus planejamentos para o começo desta temporada e muitos deles meteram os pés pelas mãos, para usar uma expressão antiga.


O Cruzeiro, por exemplo, foi semifinalista da Copa do Brasil e esteve em ação até 14 de dezembro, quando foi eliminado pelo Corinthians. Ou seja, os jogadores entraram em férias no dia seguinte e 20 dias depois já estavam de volta à Toca da Raposa 2 para a pré-temporada.


No dia 10 de janeiro, o time já entrava novamente em campo, estreando pelo Campeonato Mineiro contra o Pouso Alegre, no Mineirão. Claro que Tite seguiu o que havia sido programado pela comissão técnica comandada pelo antecessor, Leonardo Jardim, e mandou a campo uma equipe alternativa, que acabou derrotada por 2 a 1. A estratégia deu certo no jogo seguinte, quando a Raposa bateu o Tombense por 1 a 0.


O time principal entrou em ação em 17 de janeiro e goleou o Uberlândia por 5 a 0, dando a entender que estava tudo certo. Mas as derrotas para o Democrata-GV, no Gigante da Pampulha, cinco dias depois, e para o Atlético, na Arena MRV, no dia 25, colocaram pressão na equipe, que só aumentou com a estreia desastrosa no Brasileiro: goleada por 4 a 0 para o Botafogo, no Engenhão.


Foi o bastante para pedirem a demissão do treinador, que não havia completado nem um mês de trabalho. Ele simplesmente não teve tempo para colocar em prática suas convicções. Para completar, os jogadores não estão nem perto da melhor forma física e técnica, sendo que não há garantia que muitos deles vão repetir desempenho tão bom quanto o de 2025. E ainda houve um jogo em um campo completamente sem condições para a prática do futebol, contra o Betim, no último domingo 1º/2), vencido por 1 a 0 graças a gol no último minuto de Matheus Pereira.


No Atlético também foi planificado o uso de uma equipe alternativa. Os quatro empates nos quatro primeiros jogos geraram cobranças acima do tom ao técnico Jorge Sampaoli, cuja “fritura” foi tirada do “fogo alto” com a vitória no clássico, por 2 a 1, de virada, gols de Bernard e de Hulk.


O empate em casa com o Palmeiras, pela primeira rodada da Série A, não teve maiores consequências, não só pelo adversário, mas também porque, na sequência, o Galo fez 3 a 1 no Pouso Alegre, no Sul de Minas, mesmo sem alguns dos principais jogadores.


Para além das divisas de Minas Gerais, Filipe Luís vem sofrendo cobranças pesadas no Flamengo. Os títulos do Brasileiro e da Copa Libertadores em 2025 ficaram para trás após os garotos da base não darem conta de compromissos no Campeonato Carioca e os titulares, escalados às pressas, perderem clássico para o Fluminense, tomarem virada do São Paulo no Brasileiro e serem superados pelo Corinthians na decisão da Supercopa do Brasil.


No Paulista, o Palmeiras é o vice-líder, mas passou agruras, como a goleada por 4 a 0 para o Novorizontino, na quarta rodada. Foi o pior resultado do técnico Abel Ferreira no comando da equipe alviverde, gerando reclamações por parte dele e também da torcida.


Em situação bem pior estão São Paulo, 12º colocado, e Santos, 14º. Ou seja, o novo calendário não dá mole para ninguém.


Pastos


Os gramados deveriam ser uma das principais preocupações das equipes, sejam elas do tamanho que forem. Mas não é o que a gente tem visto. Os pisos do Manduzão, em Pouso Alegre, e da Arena Urbsan, em Betim, deveriam impedi-los de receber jogos profissionais, assim como muitos outros por aí. Que o diga o Estádio Mané Garrincha, em Brasília. E que se dane o espetáculo.

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