Diante da previsão de aumento do déficit fiscal do Estado em 2027, de R$ 8,87 bilhões para R$ 10,51 bilhões, e do anúncio do governador Mateus Simões (PSD) de que irá nomear todos os excedentes dos certames da segurança pública ainda em vigor, o senador e governador eleito Cleitinho (Republicanos) fez nesta quinta-feira (15), da tribuna do Senado Federal, duras críticas às condições em que a atual gestão lhe entregará o estado de Minas Gerais. O governo de Minas enviou à Assembleia Legislativa, na quarta-feira (14), projeto de retificação de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027: a previsão de aumento de R$ 1,64 bilhão do déficit se deve à projeção maior de despesas, sobretudo no orçamento do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Os gastos inicialmente previstos de R$ 153,87 bilhões são agora R$ 155,50 bilhões. A receita estimada permanece em R$ 144,99 bilhões.
Há na equipe de transição de Cleitinho a preocupação de que tamanho desequilíbrio comprometa os compromissos assumidos pelo Estado na repactuação da dívida de R$ 187,51 bilhões com a União, no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Esse, aliás, foi um questionamento apresentado reiteradas vezes durante a campanha eleitoral a Mateus Simões pelo candidato do MDB, Gabriel Azevedo, que agora integra a equipe de transição de Cleitinho. No debate da Record Minas, em 21 de setembro, Gabriel indagou ao governador o que seria feito para equalizar os gastos, uma vez que uma das condições do Propag é não gastar mais do que arrecada. Depois de afirmar que é preciso “ter firmeza, entender de administração pública e não ter rabo preso”, Mateus Simões atacou Cleitinho, afirmando que o senador “escolheu as piores pessoas para lhe dar conselhos”. Mateus acusou os aliados de Cleitinho de desvios de conduta.
Tais refregas e críticas entre Mateus e Cleitinho se seguiram mesmo depois de terminada a eleição. Em crítica à promessa de Cleitinho de reduzir alíquotas do IPVA em Minas, Mateus levantou dúvidas em relação à capacidade de gestão de seu sucessor, durante reunião com a equipe de governo responsável pela transição, transmitida online. Mateus insinuou que poderia faltar recursos para pagamento de pessoal já em janeiro. Cleitinho acusou o governador de estar admitindo a própria incompetência. Mateus, por seu turno, anunciou que irá pagar o salário do pessoal até 6 de janeiro, dia da posse de Cleitinho, e o décimo-terceiro será quitado em 2026.
O pronunciamento de Cleitinho teve por objetivo reiterar o alerta sobre o rombo fiscal em que recebe o estado de Minas Gerais dos governos Romeu Zema (Novo) e, desde março deste ano, Mateus Simões. O governador eleito sinalizou que irá denunciar novas despesas que estejam sendo contratadas sem prévia articulação com o futuro governo. “Queria deixar esse recado para o governador Mateus (...) Você disse que tinha medo de eu ganhar a eleição e deixar um estado quebrado, um estado falido. E você também disse agora que, talvez em janeiro, já não tenha dinheiro pra pagar os servidores. Vocês passaram oito anos reclamando isso do PT. E vocês estão deixando o estado da mesma maneira. Então eu espero que você não faça sacanagem comigo. Porque não vai ser comigo, vai ser com o povo”, afirmou Cleitinho.
Da tribuna, Cleitinho também anunciou a intenção de auditar todos os contratos de órgãos públicos e fazer cortes para acomodar a sua proposta de redução da alíquota do IPVA. “Vou atrás da Cemig e de todos os órgãos estatais para fazer auditoria, rever contrato por contrato”, assinalou, afirmando que no Departamento de Estradas de Rodagem (DER) há uma servidora presa por corrupção. Ao mesmo tempo, Cleitinho reiterou a intenção de conduzir um governo de pacificação em Minas, que não irá reforçar embates ideológicos, mas antes, tratará de resolver questões de interesse público, não importa se em favor de cidadãos da direita, da esquerda, de centro ou que simplesmente não têm posição.
Pico de pressão
Ao final de seu discurso dirigido ao Senado Federal com mensagem direta a Mateus Simões, Cleitinho teve um pico de pressão e foi atendido pela equipe médica da Casa legislativa. Em comunicado, a Secretaria Integrada de Saúde do Senado informou que "após a realização de exames de eletrocardiograma e enzimas cardíacas, com resultados normais, medicação, hidratação e consequente melhora do quadro clínico, o parlamentar foi liberado em bom estado, com orientação de repouso".
Lula em Minas
O presidente Lula (PT) retorna a Minas Gerais nesta sexta-feira (16), pela primeira vez após a votação em primeiro turno, em campanha por Juiz de Fora, na Zona da Mata, e em Ipatinga, no Vale do Aço. Estão previstas caminhadas ao lado de apoiadores, parlamentares eleitos e lideranças políticas. A senadora eleita por Minas Gerais, Marília Campos (PT), também acompanhará os atos.
Flávio em BH
O senador Flávio Bolsonaro (PL) pretende fechar o último dia de campanha presidencial, em 24 de outubro, passando por Belo Horizonte antes de seguir para o Rio de Janeiro. Ele esteve nesta quinta (15) em campanha na cidade de Capelinha, Vale do Jequitinhonha, o único colégio eleitoral, entre os dez maiores da região em que venceu Lula com 48,20% dos votos válidos contra 44,39%. Reduto lulista, o senador bolsonarista anotou a redução da histórica diferença em favor de Lula nos nove municípios de maior porte da região, em relação a 2022, quando Lula concorreu contra Jair Bolsonaro (PL).
Cassações
A recontagem dos votos da chapa do Podemos e da Federação PSDB-Cidadania obtidos nas eleições para a Câmara Municipal de Belo Horizonte, em 2024, será feita, segundo cronograma do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), em 29 de outubro. A decisão decorre da cassação dos vereadores Lucas Ganem, ex-Podemos e hoje no MDB, e Leonardo Ângelo (Cidadania). Os votos obtidos por ambos foram declarados nulos. Para os partidos manterem as suas cadeiras, as chapas devem atingir o quociente eleitoral após o reprocessamento dos votos. Nesse caso, assumem os suplentes Rubão (Podemos) e Reinaldinho (PSDB).
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Campanha paralela
Leonardo Ângelo perdeu o mandato sob a acusação de abuso de poder econômico no pleito de 2024. Segundo decisão do TRE-MG, foi comprovada a existência de uma estrutura fraudulenta paralela de campanha, da qual se beneficiou Leonardo Ângelo com recursos humanos, materiais gráficos e financeiros da candidatura de Mauro Tramonte (Republicanos) à Prefeitura de BH.
