Não faz tanto tempo assim, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e candidato a Presidência da República era crítico do fim da escala 6 por 1, proposta de emenda constitucional encampada pelo governo Lula, que estabelece a redução obrigatória da jornada semanal de 44 para 40 horas, assegurando ao trabalhador dois dias de descanso remunerado na semana. Alternativamente, Flávio Bolsonaro defendia a proposta apresentada em maio pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha presidencial, que propunha a flexibilização das leis trabalhistas com a possibilidade de contratação por horas trabalhadas, com remuneração proporcional.
Mas a corrida presidencial no segundo turno aperta. A euforia dá lugar à apreensão na campanha de Flávio Bolsonaro. Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta, 14, é mais uma na semana a indicar que diferentemente do que se projetou na virada do primeiro turno, a diferença entre o favorito Flávio e Lula, está diminuindo rapidamente: Flávio tem 46% das intenções de voto contra 44% de Lula; 1% de indecisos; 9% de votos brancos e nulos. Há um empate técnico. Segundo o mesmo levantamento, a rejeição de Flávio Bolsonaro é de 54% e a de Lula, 53%.
Nesta campanha do desencanto, e de olho na popularidade da PEC do fim da escala 6 por 1, apoiada por 71% da população segundo o Datafolha de março de 2026, Flávio mudou de ideia. E pode fazê-lo em resposta ao apelo do senador e governador eleito de Minas, Cleitinho (Republicanos). Flávio declarou apoio ao fim da escala 6 por 1. Ao mesmo tempo, contudo, Flávio sinalizou aos interlocutores do setor empresarial – que bem compreendem o momento eleitoral – que se eleito, poderá revisar a medida, a depender dos efeitos da redução da jornada sobre o emprego e a atividade econômica.
Também o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), vem em socorro do meio empresarial: avisou que a oposição votará agora pelo fim da jornada 6x1, mas se Flávio Bolsonaro for eleito presidente da República, o PL atuará para aprovar, em 2027, a PEC do pagamento por hora trabalhada. Assopra e morde. Vida que segue.
A semana ainda não terminou, mas teve mais vai e vem. Já sobre o salto da vitória antecipada, tratando da composição de governo com aliados e de futuras indicações às Cortes Superiores, Flávio Bolsonaro deu-se ao luxo de anunciar, na terça-feira, 13, após um evento em que representantes do MDB em São Paulo lhe hipotecaram apoio, que não participaria do debate da Band no próximo domingo, 18. Quando soube que Lula confirmou e que o seu púlpito estaria vazio, mudou de ideia. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta, 14, Flávio confirmou presença e afirmou que a sua declaração do dia anterior, de que não iria ao debate, seria uma "armadilha" para fazer o presidente confirmar presença.
As idas e recuos de Flávio Bolsonaro podem gerar no eleitor atento certo sentimento de insegurança. Talvez passe a impressão de palavra que, a sabedoria popular diria, nem sempre sustenta o fio do bigode. É o mesmo Flávio que no início deste ano negava ter mantido contato com o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, até que dias depois, o noticiário comprovou em contrário, com a divulgação de áudios enviados por Flávio a Vorcaro pedindo algo próximo a R$ 134 milhões para produzir o filme “Dark Horse”, sobre a biografia do pai.
Serviço público
Um grupo de sindicatos e associações do serviço público das esferas municipal, estadual e federal de governo fizeram uma análise comparativa entre os programas de governo de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em 16 áreas específicas, entre elas da saúde, educação, reforma administrativa, aposentadoria e previdência, orçamento e sustentabilidade fiscal, terceirização e segurança pública. O endereço é pactopublico.org/segundo-turno.
Interinidade
Será entre 29 de outubro e 28 de novembro a interinidade do presidente da Assembleia, Tadeu Leite (MDB), à frente do governo de Minas, conforme antecipou esta coluna. O governador Mateus Simões (PSD) estará nesse período em missão oficial na China, Turquia e Reino Unido. A ausência foi comunicada oficialmente à Assembleia nesta quarta, 14, durante a reunião ordinária. A presidência da Casa será exercida pela deputada Leninha (PT), vice-presidente da Assembleia.
Na Mesa
O deputado estadual Charles Santos (Republicanos) foi eleito para compor a 3ª Secretaria da Mesa Diretora da Assembleia, em substituição a João Vítor Xavier, que renunciou ao mandato parlamentar para se dedicar à atividade jornalística como CEO da CNN Brasil e presidente da Rádio Itatiaia. Em candidatura única, Charles Santos foi eleito por unanimidade.
PEC da Segurança
A chamada PEC da Segurança Pública está pronta para a análise do plenário. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado concluiu ontem a apreciação. Enviada pelo governo federal ao Congresso em abril de 2025, ela reorganiza a atuação das forças de segurança do país e amplia a integração entre União, estados e municípios para o combate ao crime organizado. Entre as principais mudanças, está a criação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) – uma espécie de SUS da Segurança Pública –, o Fundo Nacional de Segurança Pública e o Fundo Penitenciário Nacional. O parecer do relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), manteve pontos que vieram da Câmara dos Deputados, como a punição mais dura para integrantes de facções criminosas, a modernização das polícias, investimentos no sistema prisional, uma fonte fixa de recursos para o combate ao crime e a possibilidade de as prefeituras criarem polícias municipais.
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Controvérsia
A integração entre forças federais, como a Polícia Federal, e as polícias estaduais é um dos pontos de maior resistência. Governo federal considera a integração necessária para o enfrentamento às facções criminosas. Mas os governadores de direita veem risco de interferência nas corporações locais. O governo argumenta que a articulação é necessária para enfrentar as facções.
