Presidentes e governadores reeleitos são uma tendência registrada no país desde 1998, ano que o instituto passou a vigorar no país, depois da mudança à Constituição Federal com a promulgação da Emenda Constitucional 16, em 4 de junho de 1997. Entre 1998 e 2022, Fernando Henrique, Lula (PT) e Dilma Rousseff (PT) foram presidentes reeleitos. Jair Bolsonaro (PL) foi o primeiro, em 2022, a abrir a exceção: o governo disruptivo foi enfrentado por um ex-presidente que deixava a memória do cuidado. Aquele foi um turfe duro, ao estilo “photo finish”.
Também no plano estadual a reeleição tem sido a tendência predominante. Em 2022, 18 se reelegeram em afirmação do desejo pela continuidade, em tendência contrária à disputa nacional. Foi o maior índice de sucesso, desde 1998, quando 15 se reelegeram. Neste primeiro turno de 2026, entre os 18 governadores que tentaram a reeleição, 11 foram bem-sucedidos, aí incluídos três vice-governadores que assumiram mandatos-tampão com a desincompatibilização dos titulares.
Em Goiás, no Mato Grosso e na Paraíba, – Daniel Vilela (MDB), Otaviano Pivetta (Republicanos) e Lucas Ribeiro (PP) – os três vices que governaram nos meses que antecederam a eleição, compartilham algumas características comuns. A começar pela presença ativa de seus “padrinhos” nas campanhas, Ronaldo Caiado (PSD), Mauro Mendes (União) e João Azevedo (PSB), governadores titulares que renunciaram e acumulavam altos índices de aprovação. As três campanhas adotaram estratégias políticas pragmáticas diante da polarização nacional entre o lulismo e o bolsonarismo, procurando isolar o debate estadual, com foco nas entregas administrativas, obras e marcas da gestão.
Além do governador Mateus Simões (PSD), em Minas Gerais, não foram reeleitos os governadores Roberto Cidades (União), do Amazonas; Clécio Luís (União Brasil), no Amapá; Soldado Sampaio (Republicanos), em Roraima; e a governadora Hana Ghassan (MDB), no Pará. Exceção a Clécio Luís, os outros quatro compartilham o fato de terem assumido o comando executivo entre março e abril de 2026, em substituição aos titulares que, em menor ou maior de atuação nas campanhas de seus sucessores, apresentavam níveis diferentes de desgaste em sua imagem política.
Para além da não reeleição de Mateus Simões, o caso mineiro apresenta dois outros aspectos atípicos. O primeiro: Minas se juntou a outros 20 estados onde a eleição se encerrou em primeiro turno, com a vitória do senador Cleitinho (Republicanos) que concorreu pela primeira vez a um cargo executivo. Adicionalmente, Cleitinho não se vinculou ao palanque nem do presidente Lula (PT) nem do senador Flávio Bolsonaro (PL), a quem declarou voto, mas não foi apoiado por ele no estado.
Ainda há muito a se refletir sobre o pleito mineiro, sobretudo pelo desempenho do governador Mateus Simões. Pouco conhecido do eleitorado, em princípio, caberia ao ex-governador Romeu Zema (Novo), candidato à presidência da República, validar o seu candidato. Zema viu o seu capital político minguar entre dois mandatos em meio a uma desastrosa estratégia de comunicação e a um governo que teve poucas entregas a fazer. Agarrou-se ao discurso de tecla única, de que, diferentemente do governo Fernando Pimentel (PT), havia colocado os salários e as contas com fornecedores e prefeituras em dia.
No primeiro mandato, vá lá. Deu certo. O contexto do lavajatismo e da antipolítica o alçaram ao cargo, em cenário de terra arrasada da política em Minas. Em 2022, Zema reelegeu-se em primeiro turno. Mas já ali, naquele segundo turno de uma disputa nacional fratricida, iniciou a sua conversão de um governador que se afirmava focado em equilibrar as finanças do estado para um político ideológico, que fez da oposição ao PT a sua razão de existir.
Além de cabo eleitoral ausente para Mateus Simões, Zema inviabilizou uma costura política de unidade do campo da direita no estado. O PL lançou o empresário Flávio Roscoe, em torno de quem estruturou o palanque do senador Flávio Bolsonaro (PL). Enquanto o campo lulista se fechou em torno de Patrus Ananias (PT); o senador Cleitinho (Republicanos), que já tinha consolidada a própria imagem digital embates antissistema em defesa de causas populares, correu solto na disputa: aglutinou parte do eleitorado bolsonarista e parte lulista.
Cleitinho evitou a polarização. E dá sinais de assim desejar seguir, com um discurso que converge elementos do lulismo – em apoio a projetos populares, como o fim da escala 6 por 1 – , e da pauta conservadora bolsonarista, no campo religioso e de comportamento.
Condenação
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kassio Nunes Marques, pretende levar ao plenário da Corte o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O julgamento só deverá ocorrer depois do segundo turno da eleição presidencial e quando o processo estiver pronto para análise. A manifestação não antecipa decisão sobre o mérito do pedido nem sobre eventual soltura de Bolsonaro. Segundo nota do gabinete, Nunes Marques entende que uma decisão antes da eleição poderia interferir na disputa presidencial, na qual Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente, enfrenta Lula (PT).
Nikolas
Em entrevista à CNN nesta quarta, 7, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) não descartou disputar a Prefeitura de Belo Horizonte em 2028. Questionado sobre seu futuro político, declarou que não há caminhos definidos, mas não negou a possibilidade de concorrer a cargos no Executivo, incluindo a prefeitura e a Presidência da República. "A longo prazo, só Deus sabe. Eu só espero estar preparado para qualquer missão”, afirmou. Para este mandato, Nikolas pretende reivindicar a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.
Ana Elisa
O presidente Lula (PT) apareceu em um vídeo ao lado da deputada federal eleita Ana Elisa (PT), durante um encontro com jovens parlamentares em Brasília. Aos 21 anos, a jovem negra e estudante de direito, foi a campeã de votos da Federação PT-PV-PCdoB. Lula cita a eleição de Ana Elisa e fala sobre a disputa presidencial em Minas Gerais. "Depois de eleger essa jovem deputada federal em Divinópolis, o que falta pra gente eleger o Lula presidente em Minas Gerais?", indagou.
Pressa
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-RN), busca assinaturas para apresentar à Mesa Diretora um requerimento de calendário especial que dispense as cinco sessões plenárias exigidas pelo regimento interno antes da votação da PEC do fim da escala 6x1. Teresa Leitão rebateu a demanda de parlamentares da oposição para que o debate seja postergado para a próxima legislatura, quando o PL terá uma bancada de 28 senadores. A congressista defende que a votação ocorra ainda com a atual composição do Senado. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), já antecipou: se o requerimento de calendário especial for apresentado, não criarão obstáculos para levá-lo à votação.
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