A menos de duas semanas da eleição em primeiro turno, a sucessão em Minas começa a se desenhar com a probabilidade de um segundo turno entre o senador Cleitinho (Republicanos) e o deputado federal Patrus Ananias (PT) apontada pela mais recente pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira, 23. Em direção a Cleitinho, que projetou a sua candidatura sem vínculo político automático e acrítico com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), estão convergindo parlamentares e lideranças do PL que optaram por soltar a mão do empresário Flávio Roscoe (PL), candidato de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em Minas Gerais. Esse é um processo conhecido das campanhas políticas. Chama-se “cristianização”: lideranças abandonam a primeira escolha quando percebem que ela não decola em favor de sua segunda escolha.


Flávio Roscoe tem o apoio do deputado federal Nikolas Ferreira (PL). Está com 5% das intenções de voto. Roscoe é pouco conhecido do eleitorado e vem crescendo muito lentamente desde o início da propaganda política eleitoral: ainda não dá sinais de que a tração bolsonarista irá impulsioná-lo ao segundo turno. Boa parte do voto bolsonarista já está com Cleitinho e, como sugerem as pesquisas, os eleitores e agora vários parlamentares do PL, não parecem dispostos a trocar o que se apresenta a candidatura que se apresenta como “certa”. Cleitinho tem 37% das intenções de voto, um crescimento de cinco pontos percentuais em relação à pesquisa Quaest realizada na primeira semana de setembro.


Igual crescimento de Cleitinho entre os dois levantamentos de campo teve Patrus Ananias: saiu de 11% e agora tem 16% das intenções de voto. Com esse arranque Patrus descolou do ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT), que em sentido inverso, oscilou negativamente 3 pontos percentuais e tem agora 8% das preferências. Ambos estavam em situação de empate técnico. Mas o eleitorado de viés lulista, que nos últimos pleitos convergiu para Alexandre Kalil, gravita agora em torno de Patrus Ananias, esvaziando parte da base de Kalil.


Ainda pouco conhecido do eleitorado, que parece bem menos atento à propaganda eleitoral do que esteve em pleitos anteriores, o governador Mateus Simões (PSD) oscilou negativamente no período de 8% para 7%. Esse desempenho, neste momento, não sugere um bom prognóstico mesmo para quem está com a máquina administrativa na mão e o acesso a um terço do horário de antena. A distância entre Mateus e Patrus, que era de 3 pontos percentuais na primeira pesquisa Quaest de setembro, triplicou: agora é de 9 pontos percentuais.


Os dados indicam que as candidaturas de Cleitinho e Patrus Ananias passam a exercer força gravitacional em dois campos adversários que se enfrentam no plano nacional. Até por isso, seguindo a mesma tendência das demais candidaturas ao governo de Minas, Gabriel Azevedo (MDB), ex-presidente da Câmara Municipal, estava com 3% e oscilou para 2% entre os dois levantamentos de campo.


Nesta quinta-feira é esperada a divulgação da mais recente pesquisa Datafolha para a sucessão mineira. Será importante referência para validar ou refutar tais tendências. Até aqui, mais sólida, demonstra estar na posição de Cleitinho. Com forte presença nas redes sociais e um posicionamento de viés antissistêmico, - embora sensível às pautas do governo Lula voltadas à população menos favorecida – o senador saiu na frente e devagar segue avançando. Perdeu quem apostou que Cleitinho repetiria o fenômeno “Mauro Tramonte (Republicanos)” na eleição de 2022 à Prefeitura de Belo Horizonte ou “Celso Russomanno (Republicanos)” em eleições ao governo de São Paulo e à prefeitura da capital paulista entre 2010 e 2020.

 

Trabalho escolar

O candidato do MDB ao governo de Minas Gerais, Gabriel Azevedo, fez duras críticas aos três projetos de lei encaminhados pelo governador Mateus Simões (PSD) à Assembleia Legislativa na sexta-feira (18), a pouco mais de duas semanas do primeiro turno. As matérias tratam da revisão de benefícios fiscais; de contrapartida financeira vinculada a benefícios e ao diferimento do ICMS para financiar um fundo de infraestrutura; e de mudanças na taxa de fiscalização da mineração. O emedebista cobra demonstrações de como as propostas serão convertidas em resultados. “Mateus participa da direção do governo desde 2020. Agora, às vésperas da eleição, aparecem três propostas com perguntas essenciais sem resposta. É como entregar um trabalho escolar na última hora sem demonstrar como chegou à conclusão. Só que aqui não está em jogo uma nota: está em jogo o dinheiro de quem trabalha e paga imposto”, afirma.

 

Copia e cola

Gabriel Azevedo afirma que benefícios fiscais, infraestrutura e mineração já integram o seu próprio plano de governo, apresentado no registro de sua candidatura. O documento prevê avaliação independente e manutenção rodoviária por desempenho. "A diferença é que nós elaboramos nosso plano ao longo de mais de um ano. Não entregamos um documento de cinco páginas. Assumimos compromissos que permitem discutir não apenas os objetivos de cada política, como também os instrumentos necessários para executá-las e acompanhar seus resultados", afirmou.

 

Velhos tempos

Professores de Direito, Gabriel Azevedo e Mateus Simões foram colegas na Câmara Municipal. Gabriel já havia contestado o apoio em ano eleitoral de Mateus à PEC 40/2024, inconstitucional, que prevê revisão salarial anual com base na inflação para os servidores das forças de segurança pública. Além de inconstitucional, a matéria foi ressuscitada em ano eleitoral depois de o governo Zema descumprir os compromissos assumidos com a categoria. Gabriel encaminhou ao deputado estadual Doorgal Andrada (PP), presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia, também ex-colega de ambos na Câmara Municipal, um relatório com questionamentos jurídicos aos três projetos.


Fundação Escola 

O promotor de justiça Lélio Braga Calhau é o novo coordenador acadêmico da unidade de pesquisa em Segurança Alimentar, Sustentabilidade e Agronegócio vinculada à Fundação Escola do Ministério Público de Minas Gerais. Entre as atividades programadas para 2027 está um evento acadêmico de abrangência nacional sobre o Direito Agrário.

 

Sem Cleitinho

O candidato ao Senado Marcelo Aro (PP) terá de retirar do ar a propaganda em que apresenta o apoio à sua candidatura do senador Cleitinho (Republicanos), que concorre ao governo de Minas. Em decisão assinada nesta quarta-feira, 23, o Tribunal Regional Eleitoral determinou a suspensão da peça e proibiu versões que mantenham a mesma participação. A liminar foi concedida pelo desembargador Paulo Calmon Nogueira da Gama em ação apresentada pelo senador Carlos Viana (PSD), que concorre à reeleição. A coligação de Áurea Carolina também foi à Justiça contra a mesma peça, sustentando que a associação entre as candidaturas pode induzir o eleitor a uma falsa percepção de aliança.

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