O mal-estar que ronda quase a metade do eleitorado brasileiro, que não tem na alternativa Lula (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL) a sua primeira opção de voto – e sem dar sinais de comprar as candidaturas de Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) – segue em busca de uma válvula de escape. São 53% aqueles que se declaram “lulistas convictos” (25%) e “bolsonaristas convictos” (28%), segundo a mais recente BTG Pactual/Nexus, realizada por telefone entre os dias 28 e 30 de agosto. Mas para 47% o posicionamento em relação ao pleito presidencial apresenta várias nuances: não têm em Lula ou em Bolsonaro a sua primeira escolha de voto – 5% e 7% respectivamente. A esses se somam 20% não polarizados – que não se engajam nem com o antilulismo nem com o antibolsonarismo, 9% rejeitam os dois polos e 6% não se posicionam.
Exceção ao seu minuto adicional de fama nas redes, quando Gilmar Mendes resolveu lhe dar um empurrãozinho, Zema ainda não exibiu potencial de persuasão. Não colou. Caiado viveu o seu momento de expectativa, entusiasmando o agronegócio e alguns segmentos dos setores produtivos, mas tampouco exibiu, até aqui, alavancagem. Renan Santos segue sonhando que a sua “assombrosa agressividade” o elevará à condição de porta-voz do político antissistêmico.
Mas o movimento que registra eleitor que não tem em Lula nem em Flávio Bolsonaro a sua primeira opção é emblemático: o médico psiquiatra e escritor Augusto Cury (Avante) é o nome que cresceu, após 23 de agosto, primeiro debate da Band, de 2% para 11% das intenções de voto segundo a BTG Pactual/Nexus. Na intenção de voto espontânea, Cury saltou em uma semana do traço para 8% das preferências. Isso significa dizer que Augusto Cury, que até então era mencionado em frequência tão baixa que tinha as citações agregadas na categoria “outros”, subitamente, saltou ao topo da cabeça de 8% dos eleitores. O mesmo movimento foi identificado pela Atlas Intel: em levantamento realizado entre 25 e 30 de agosto, Cury cresce 6,2 pontos percentuais, de 1,6% para 7,8% das intenções de voto.
O que tem Augusto Cury, que nunca concorreu a um cargo eletivo, que até aqui não demonstram possuir Caiado e Zema, ex-governadores de Goiás e Minas, além de Renan Santos, tido, em suas posturas, como um candidato arrogante para boa parte de quem o assiste? Com estilos diferentes, Caiado e Zema orbitaram o bolsonarismo até poucos meses antes das eleições presidenciais. Zema segue em um ziguezague em busca de identidade, tentando se afastar pelo menos em momentos críticos, como as revelações do envolvimento de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro. Mas foi logo enquadrado pelo Novo, principalmente pela ação dos estados sulinos, onde a legenda é linha auxiliar do bolsonarismo.
Caiado, embora com maior consistência do que Zema para debater políticas públicas, amenizou nesta disputa presidencial o discurso para falar com o eleitor de centro. Mas carrega um problema de origem. Não passa autenticidade nessa conversão: precisa seguir batendo em Lula com a mesma ênfase que o caracterizou nos últimos quatro anos, mas não pode fazer o mesmo em relação a Flávio Bolsonaro, porque colocaria em risco a reeleição do governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), vice que assumiu com a desincompatibilização de Caiado.
Diferentemente de Zema em Minas Gerais, Caiado lidera a corrida presidencial em seu estado, à frente de Lula e Bolsonaro. Zema e Caiado apresentam taxa líquida de rejeição de 56% e 50%. Zema está em situação mais crítica do que Lula, que tem taxa líquida de rejeição de 50% e do que Flávio Bolsonaro, de 52%. O campeão na taxa líquida de rejeição entre eleitores que o conhecem é Renan Santos: entre os 56% dos eleitores que dizem conhecê-lo, 62% não votam nele de forma alguma. Ao que tudo indica, para o eleitor brasileiro, Renan Santos está acima do tom.
É cedo para dizer se Augusto Cury vai sustentar esse crescimento: ele tem apenas 35 segundos do horário eleitoral gratuito e 47 inserções distribuídas até 1º de outubro. Como cresceu, vai começar a sofrer ataques e a falta de experiência administrativa será um dos eixos. De qualquer forma, tal salto em uma semana de particular exposição é a expressão de um sintoma. E é nessa comparação que saltou do debate da Band – entre Augusto Cury, o psiquiatra equilibrado, que diagnostica o “manicômio” da política brasileira – que se contrapõe ao boquirroto Renan Santos – que ataca eleitores que não votam como ele quer e também jornalistas que o questionam – que esses eleitores sentiram algum conforto. Enquanto ao longo da semana a rejeição individual de Renan Santos subiu de 35% para 40%, a imagem latente que emerge de Augusto Cury é um estável e acolhedor divã.
Com Superman
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) divulgou nas redes a
sua “colinha” ao Senado para os seus eleitores: pediu voto para o deputado federal Domingos Sávio (PL) e para Marco Antônio Superman (Novo).
Com Viana
Há entre parlamentares bolsonaristas também a tendência de apoiar como segundo voto o senador
Carlos Viana (PSD).
Na suplência
Depois de renunciar à candidatura para dar lugar a Aécio Neves, Gustavo Galassi (PSDB) e Marcelo Heringer (PDT), serão o primeiro e segundo suplentes da chapa ao Senado Federal.
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Taxa das blusinhas
O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), presidente da comissão mista da medida provisória 1.357/2026, que suspende a chamada "taxa das blusinhas", anunciou que adiou para esta terça-feira, 1º de setembro, a leitura do parecer da relatora Leila Barros (PDT-DF). Segundo Reginaldo Lopes, o adiamento permitirá que a relatora dialogue com os interessados na discussão, inclusive
os setores da indústria têxtil.
