O Portal da Transparência do Governo de Minas abre os dados do estado ao escrutínio público, mas deixa algumas gavetinhas trancadas a sete chaves. São rubricas robustas, de interesse público, e que estão sob a mira do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Os benefícios fiscais concedidos a empresas quadruplicaram nos dois mandatos de Zema: iniciaram-se em 2019 com o volume anual de R$ 6,1 bilhões para chegar em 2026 com uma previsão de R$ 25,2 bilhões. Essas renúncias, das quais se beneficiam cerca de sete mil empresas, vão alcançar, no acumulado de oito anos de mandatos do governo Romeu Zema (Novo) mais de R$ 120 bilhões, segundo reportagem assinada por Sílvia Prates, do jornal Estado de Minas, em 02.03.2026.
O montante corresponde a 58,6% da dívida pública mineira, de R$ 204,85 bilhões. Esses benefícios fiscais projetados para o período compreendido entre 2019 e 2026 quase alcançam o orçamento mineiro deste ano corrente, de receita estimada de R$ 127,1 bilhões e despesa de R$ 132,3 bilhões, portanto, um déficit de R$ 5,2 bilhões.
Ainda assim, o governador mineiro gosta de repetir que não teria criado, em seu governo, nenhum tipo de incentivo fiscal, apenas deu continuidade ao que já vigorava. E insiste no argumento, exposto quando questionado pelo Estado de Minas em 25.08.2025, no programa Roda Viva, de que a publicização seria “perniciosa” para o estado. “Essa questão é como se fosse um segredo industrial”, reiterou ele nesta segunda-feira, durante a solenidade de lançamento do novo Portal da Transparência. O vice-governador Mateus Simões (PSD), que em maio de 2025, na Assembleia, prometeu divulgar a relação das empresas beneficiárias dizendo ter “nojo de sigilo”, ouviu a explanação de Romeu Zema em silêncio. Será governador em questões de dias e terá, então, oportunidade de cumprir a sua promessa.
Tal volume de benefícios fiscais mantidos sob sigilo, sem o devido acompanhamento de eventuais contrapartidas que justifiquem a desoneração, chamou a atenção do TCE que, em dezembro de 2025, anunciou a decisão de monitorá-los. Longe de ser intenção da Corte de Contas interferir na decisão do Executivo em manter o sigilo dessas concessões, o monitoramento mantém o foco nas contrapartidas assumidas pelas empresas beneficiárias.
A fiscalização do TCE, identificou, por exemplo, que o governo do estado não havia cumprido integralmente a determinação de auditorias anteriores para a criação de indicadores de desempenho e de um sistema de monitoramento que subsidiasse as políticas de benefícios fiscais. Falta de transparência, fragilidades de governança na aprovação e no acompanhamento dos incentivos concedidos, além de falhas nos protocolos de intenção, muitos deles sem contrapartidas empresariais claras, são algumas das falhas apontadas.
Até que se conheça os beneficiários e as contrapartidas das desonerações, a sociedade terá o direito de seguir apontando os contrastes e diferenças de tratamento desta gestão. Minas Gerais é o estado brasileiro que, ao lado do Rio de Janeiro, paga o pior salário para os professores: R$ 4.867,97. Enquanto Mato Grosso do Sul lidera o ranking com a remuneração de R$ 13.007,12; o professor no Brasil começa a carreira com o salário médio de R$ 6,2 mil.
Não apenas professores, ou servidores das forças de segurança, têm os seus motivos para questionar o governo Zema. Após o anúncio deste ano de recomposição salarial de 5,4% ao funcionalismo público, mais de 40 mil servidores mineiros – que correspondem a 6,1% do quadro total – continuarão com vencimentos abaixo de R$ 1.621 (um salário mínimo), conforme levantamento também do Jornal Estado de Minas junto ao Portal da Transparência.
Transparência, eis a promessa. Diria Andreas Schedler: “Quando o poder se exerce na sombra das decisões excepcionais e do sigilo injustificado, quebra-se o elo da responsabilidade democrática”. É o momento em que o que se diz publicamente deixa de servir como referência para o que se executa privadamente.
Contagem
A prefeita Marília Campos (PT) vai deixar o governo de Contagem em 26 de março, quando fará a transmissão do cargo na Câmara Municipal ao seu vice, Ricardo Faria (PSD). O ato político de desincompatibilização está agendado para 29, ocasião em que lideranças locais e populares vão acompanhar a despedida da prefeita, que será candidata ao Senado Federal.
Me dê motivos – 1
O deputado federal Luiz Fernando (PSD) informou ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, ser baixa a probabilidade de que ele permaneça na legenda. A lista de motivações se inicia com a reclamação em relação à forma como a legenda “tomou” o partido do senador Rodrigo Pacheco (PSD) para entregar ao adversário dele, o vice-governador Mateus Simões (ex-Novo). “Se em nove estados o PSD vai ficar com Lula, por que não poderia ficar em Minas também”, indaga Luiz Fernando.
Me dê motivos – 2
Luiz Fernando tem outras reclamações do relacionamento com o PSD. Segundo ele, em 2022, o partido não distribuiu os recursos do fundo eleitoral para as campanhas de parlamentares como previamente acordado. A isso se soma o fato de ainda ser incógnita que direção política tomará o PSD no segundo turno da sucessão presidencial: Lula ou Flávio Bolsonaro? Da bancada federal da legenda, o deputado federal Diego Andrade, que cogitou se filiar ao PSB, ficará no PSD.
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Contra a mulher
Em decorrência de seu histórico de envolvimento em casos de violência contra a mulher, a Executiva Nacional do MDB, atendendo ao veto da bancada feminina da legenda, cancelou a filiação do ator Dado Dolabella. Ele pretendia disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo partido no Rio de Janeiro nas eleições de outubro.
