O número de vereadores da capital mineira candidatos às eleições legislativas deste ano deverá ser o maior da história da Câmara Municipal de Belo Horizonte. De um plenário de 41 parlamentares, entre 25 e 28 – ou seja 60% ou mais – vão se lançar ao pleito de outubro para os níveis de legislativo estadual e federal. Na bolsa de apostas, dois vereadores estão muito bem cotados: Pablo Almeida (PL), aliado de Nikolas Fereira (PL), que concorrerá para a Assembleia Legislativa; e Pedro Rousseff (PT), sobrinho da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), para a Câmara dos Deputados, que alcança junto ao campo da esquerda maior visibilidade nas mídias digitais e influência nas articulações dentro do PT.
Ao longo do tempo, a tendência tem sido de crescimento de vereadores candidatos na Câmara Municipal. Em 2014, dos 18 que concorreram, quatro se elegeram; em 2018, 19 vereadores disputaram e cinco foram eleitos. Em 2022, foram 24 candidatos, dos quais seis eleitos: Bella Gonçalves (Psol), Bim Ambulância (Avante) e Macaé Evaristo (PT) para a Assembleia Legislativa; Nikolas Ferreira (PL), Duda Salabert (PDT) e Nely Aquino (Podemos) para a Câmara dos Deputados.
Entre os motivos para a nova corrida de vereadores nas eleições para a Assembleia e Câmara dos Deputados dois se destacam. O primeiro: eleitos em 2024 para mandato de quatro anos, se perderem, os vereadores retornam aos seus mandatos municipais. Caso tenham sucesso eleitoral, ascendem a um outro nível na carreira legislativa, ingressando no time de deputados que jogam com outro cronograma eleitoral.
Impulsionados pelas emendas impositivas que aumentam a fidelidade das bases eleitorais, deputados consideram concorrer à reeleição nas eleições gerais uma tirada mais certa. Ao se transformarem em unidades orçamentárias pela força das emendas parlamentares impositivas, a lógica das carreiras políticas se alterou: optam pelo caminho mais seguro, repetindo a frase que se tornou lenda no meio político: “Sem mandato, nem vento bate nas costas”.
É dentro dessa lógica que as eleições municipais são o momento em que deputados estaduais e federais tentam a transição para cargos executivos. Não à toa, na disputa à Prefeitura de Belo Horizonte em 2024, cinco candidatos eram parlamentares: Mauro Tramonte (Republicanos) e Bruno Engler (PL) deputados estaduais; Duda Salabert (PDT) e Rogério Correia (PT) deputados federais; e o senador Carlos Viana (Podemos) também concorreu ao governo de Minas em 2022. Já nas eleições gerais, exceção aos senadores, que têm oito anos de mandato, a tendência é de que deputados busquem a reeleição segura.
Há um segundo motivo para que mais da metade dos vereadores de Belo Horizonte concorram às eleições proporcionais de outubro. Partidos têm uma só meta, considerada mais importante do que a eleição presidencial e de governos estaduais: eleger deputados federais. São os tamanhos das bancadas que definem a fatia do fundo eleitoral e partidário que terão acesso pelos próximos quatro anos.
No contexto do enxugamento partidário com a formação de federações e fusões, ao mesmo tempo em que o número de candidatos se reduz, a disputa também se torna mais competitiva: as legendas miram nomes para as suas chapas proporcionais com potencial de voto, sob pena de sequer alcançarem o quociente eleitoral necessário para que conquistem uma única cadeira.
Em 2022, cada partido ou federação precisou de 143.852 votos para eleger um único deputado estadual e 210.964 votos para conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Vereadores entram nesse mutirão em busca de musculatura para as chapas. São convocados a concorrer. Para eles, é jogo de ganha-ganha. Se perderem a eleição, ganham visibilidade, se cacifam nas campanhas majoritárias e, ao final, retornam ao plenário municipal.
Na folia
O presidente da Câmara Municipal, professor Juliano Lopes (Podemos) foi abre alas da Escola de Samba Canto da Alvorada, que saiu a partir das 22h30 desta terça-feira, na avenida dos Andradas. Entre os blocos que participou ao lado do prefeito Álvaro Damião (União), está “Não acredita que te beijei”, do Barreiro, do qual foi um dos fundadores.
Sem folga
Os vereadores Pedro Rousseff (PT), Helton Júnior (PSD), Iza Lourença (Psol), Cida Falabella (Psol) e Juhlia Santos (Psol) foram foliões em tempo integral. Enquanto, da Assembleia, a deputada estadual Bella Gonçalves (Psol) está entre as mais animadas; entre deputados federais, Rogério Correia (PT), Ana Pimentel (PT) e Duda Salabert (PDT) curtiram a festa.
Candidato
Entre candidatos ao governo de Minas, Gabriel Azevedo (MDB), ex-presidente da Câmara Municipal manteve a tradição e seguiu a folia de vários blocos, entre eles, “Então Brilha!”.
Nova data
A Vale solicitou o adiamento da visita da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia (ALMG) às unidades de Fábrica e Viga, em Ouro Preto e Congonhas, considerando o foco das equipes em atender aos prazos para limpeza e recuperação das áreas afetadas determinados pelas autoridades. Em nota a esta coluna, a Vale salienta que vai definir uma nova agenda para a comissão, tão logo conclua as ações essenciais de manutenção, segurança e integridade dos ativos operacionais, das comunidades e do meio ambiente. A deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), que representa a comissão, esteve em visita técnica às minas de Viga e de Fábrica na última sexta-feira, 13 de fevereiro, mas não pode acessar a área, que está sob manutenção.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Quem vai
Os três vereadores do Novo serão candidatos em 4 de outubro. Bráulio Lara, líder da bancada, vai concorrer à Câmara dos Deputados; cotada para compor a chapa de Mateus Simões, a vereadora Fernanda Altoé também poderá concorrer para a Assembleia ou Câmara dos Deputados. Já Marcela Trópia planeja se candidatar para a Assembleia Legislativa. Da bancada de três do Republicanos, dois serão candidatos: Irlan Melo, para federal e Osvaldo Lopes, para estadual. Irlan estuda migrar para o PL. Para isso, precisará de autorização partidária. A janela só é válida para deputados estaduais e federais.
