“Ninguém avisou. E se avisasse, o que eu ia fazer? Emprestar uma calcinha? Eu não tinha! (…) Como vou fazer para saber se as pessoas estão de calcinha preta, verde, vermelha ou sem calcinha?”, indagou o presidente da República Itamar Franco aos jornalistas, três dias depois de ter se tornado capa de toda a mídia nacional. Itamar Franco fora fotografado na madrugada de 13 fevereiro de 1994, ao lado de Lilian Ramos, no camarote do Sambódromo do então deputado federal Paulo de Almeida pelo PTR-RJ e presidente da Liesa. Aos 29 anos, a modelo Lilian Ramos alcançou o camarote em que estava o presidente da República pelas mãos de seu amigo pessoal, Valdemar da Costa Neto.
Itamar Franco decidiu acompanhar os desfiles da Sapucaí à última hora. Era separado, ou “solteiro”, como gostava de se definir, com frequência satirizado pela mídia nacional por suas escapadelas românticas sempre tornadas públicas. A novidade do novo “clique” era o ângulo, de baixo para cima, capturado pelo fotógrafo Marcelo Carnaval, da Agência “O Globo”. O presidente da República estava em pé, ao lado da modelo, que dançava com uma microssaia, aparentemente sem calcinha. Lilian Ramos elevou um dos braços para acompanhar o samba enredo e, com o outro, envolveu Itamar pelo ombro. A imagem registra um presidente olhando para o desfile, com as duas mãos entrelaçadas à frente de seu próprio corpo, sem tocar a modelo.
A República não veio abaixo com a “escandalosa” foto porque Itamar Franco, com um governo de conciliação e diálogo, retirara o país de uma profunda crise institucional causada pelo impeachment de Fernando Collor de Mello, primeiro presidente da República eleito após um longo regime autoritário militar. Era ano eleitoral. O país se preparava para o lançamento do Plano Real, o que aconteceria em 1º de julho.
O tema do presidente com a “modelo sem calcinha” seguiu sob manchetes, mas sem potencial para consequências institucionais graves. Com toda a exposição, Lilian Ramos, se mudou para a Itália. A popularidade de Itamar Franco seguiu subindo. Ele sabia disso. Fazia o jogo: demonstrava irritação quando fotos com mulheres eram divulgadas, mas, em seu íntimo apostava que mal não lhe fariam.
Algo esperado, num país machista, em que homens públicos gostam de aparecer ao lado de corpos jovens e bem modelados: apostam alcançar, no imaginário popular, a chancela da “virilidade” com essas imagens. Nada que resista ao olhar crítico.
Carnavais são assim. Nem sempre se sabe como começam. Menos ainda, como terminam. Para Itamar, o não programado desfile da Sapucaí acabou bem. Em movimento inverso, o presidente Lula (PT) se colocou voluntariamente nesta folia, em uma situação de desfecho ainda desconhecido. É o favorito da corrida presidencial que se anuncia como dura, dada a cristalização de posições políticas e polarização afetiva. O país segue rachado. Lula tem metade dos votos, e, na batalha das rejeições, tende a levar a melhor sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Até por isso, desnecessário é que escolha se meter em polêmicas.
Os juristas estão divididos em relação ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula. De um lado, estão aqueles que entendem o desfile como uma manifestação cultural na qual não se vislumbra propaganda antecipada, pois não houve pedido de votos, nem uso da máquina pública, que autorize uma pretensa demanda de abuso de poder. Por essa leitura, as escolas são financiadas por diversas fontes, entre elas, o governo federal, que distribui igualitariamente entre as concorrentes.
De outro lado, contudo, o desfile gerou a reação esperada da oposição, que já havia recorrido à Justiça contra o desfile sob justificativa de propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder. Alguns juristas consideram que a homenagem a Lula destacou temas que têm sido apresentados como centrais para a campanha dele – como o fim da escala 6x1 e a defesa da soberania. Nesse sentido, poderia ser evocada a perspectiva da propaganda eleitoral antecipada, porque o ato trouxe referências que o cidadão consegue associar ao contexto político-eleitoral. Pelo sim, pelo não, a bomba vai ao colo da Justiça Eleitoral.
Inteligência artificial
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) vai sediar nos próximos dias 30 e 31 de março, em Belo Horizonte, o Segundo Encontro Nacional de IAs dos TCEs do Brasil. Em pauta o debate sobre inovação e emprego da tecnologia no controle dos órgãos externos do Brasil.
Filiação coletiva
O grupo de 10 pré-candidatos a deputado federal liderado pelo ex-prefeito de Moema e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Julvan Lacerda (sem partido), recebeu convites de diversos partidos, mas ainda, não se posicionou. Ao mesmo tempo em que estão sendo assediados para que concorram separadamente, o grupo ainda mantém a unidade. São eles os ex-prefeitos Duarte Júnior (Mariana), Luiz Fernando Alves (Itamarandiba), Beto Guimarães (Goiabal) e Laércio Cintra (Guaranésia), além dos ex-deputados Duílio de Castro (Sete Lagoas), Renato Andrade (Passos), Neider Moreira (Itaúna) e Katia Dias (Juiz de Fora), irmã do deputado estadual Noraldino Júnior (PSB). Integra o grupo o advogado João Rafael Soares, filho do ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares, que poderá concorrer ao governo de Minas.
Patente
A Câmara dos Deputados pode analisar o Projeto de Lei 68/26, que declara de interesse público o Mounjaro e o Zepbound – duas marcas das chamadas canetas emagrecedoras, produzidas a partir da substância tirzepatida. A declaração de interesse público é medida necessária para a quebra da patente do produto.Os dois medicamentos são usados no tratamento da obesidade, das doenças crônicas decorrentes do sobrepeso e do diabetes mellitus tipo 2. O projeto foi apresentado neste ano pelo deputado Mário Heringer (PDT) e ganhou regime de urgência, o que permite que seja votado diretamente em, sem passar pelas comissões permanentes da Câmara. Para virar lei, a proposta precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.
Preço proibitivo
Uma caneta de Mounjaro pode custar entre R$ 1.400 e R$ 3 mil, dependendo da dosagem. Com a quebra da patente, os preços podem se tornar mais acessíveis à população. A proposta de Mário Heringer altera a Lei 9.279/96, que trata de propriedade industrial, e permite a quebra de patente em casos de emergência ou de interesse público. A partir do momento em que é declarado o interesse público, o governo pode autorizar a fabricação do produto por outra empresa, mediante pagamento ao titular da patente. Esse pagamento ao laboratório, de acordo com a Lei 9.279/96, é de 1,5% do preço do produto. Para Mário Heringer, que é médico, sai mais barato o governo pagar ao laboratório para quebrar a patente do produto do que gastar com o tratamento das doenças decorrentes da obesidade.
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Acesso negado
A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de foi impedida de entrar na Mina de Viga, localizada em Congonhas, e na Mina de Fábrica, em Ouro Preto, ambas da Vale, nesta sexta-feira (13/2/26). A empresa alegou serem necessárias adequações na área, antes de receber as equipes da Assembleia. O motivo da visita era verificar as condições de segurança das estruturas minerárias, diante dos extravasamentos de rejeitos que ocorreram em janeiro de 2026. A deputada Beatriz Cerqueira (PT), que requereu a visita, considerou que a Vale estava ciente da programação parlamentar e que, mesmo assim, seguiu tentando impedir o acesso dos parlamentares, desde a última quarta-feira.
