A construção da chapa proporcional do PL mineiro para a Câmara dos Deputados se transformou em um campo aberto de batalha. Na presidência nacional do partido, Valdemar da Costa Neto articula a carona na votação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), estimada em dois milhões de votos, empurrando para dentro da chapa acordos feitos que passam ao largo da galinha dos votos de ouro, digo, do próprio Nikolas. A tensão crescente se evidenciou com o anúncio da filiação do deputado federal delegado Marcelo de Freitas, que deixará o União para ingressar no PL, em acordo firmado com o presidente nacional da legenda, Valdemar da Costa Neto.

Tal movimentação contraria atas firmadas em reuniões da executiva estadual, em Minas, quando foi acordado que o PL não filiaria, na janela partidária que se abre entre 6 março e 5 de abril, parlamentares com mandato. Adicionalmente, foi acordado que o PL não filiaria candidaturas para deputado federal sem a aprovação prévia de Nikolas Ferreira. Antes da chegada de Marcelo de Freitas ao PL, já causara incômodo ao grupo político de Nikolas Ferreira o acordo para a filiação no partido da deputada federal Greyce Elias, atualmente no Avante. Há outros nomes acertados para concorrer pelo PL sem acordo com o grupo de Nikolas, como o ex-deputado federal Aelton Freitas.

Adicionalmente, é recorrente a reclamação de que parlamentares do próprio PL, como a deputada federal Rosângela Reis, que ranqueia 45% de posicionamentos governistas nas votações, vai se beneficiar da votação de Nikolas Ferreira. O clímax do estranhamento é agora alcançado com a substituição do deputado federal Domingos Sávio, que preside o partido em Minas, por José Santana, ex-deputado federal, aliado de Valdemar da Costa Neto, conhecido por sua habilidade como montador de chapas legislativas.

Alijado dos acordos que vão sendo alinhavados para a formação da chapa proporcional de deputados federais, mas percebendo que será usado, com os seus votos, para eleger uma bancada alheia, Nikolas Ferreira não descarta a possibilidade de deixar o PL. Em entrevista ao podcast “Café com Ferri”, o parlamentar afirmou estar preocupado com o perfil das candidaturas que irão se beneficiar de sua votação: “Tenho receio que pessoas que não estão alinhadas comigo sejam puxadas pela minha votação (...) Estou trabalhando para que não ocorra. E deixo claro. Se eu vir que está sendo feita chapa que eu não tenho controle, que não tenho decisão, e que venha a colocar nomes que são completamente desconexos, vou ver como convite para sair”.

A ascensão da liderança política de Nikolas Ferreira é vista com ressalvas pela presidência nacional do PL: ao mesmo tempo que precisa dele para ampliar a bancada federal e engordar o acesso ao fundo partidário e ao fundo eleitoral; quer mantê-lo alijado do processo político de formação da chapa, evitando que acumule muito poder.

Nikolas Ferreira, que já havia barrado o ingresso no PL do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, vai sendo informado a conta-gotas da movimentação que poderá deixar de fora os nomes que o parlamentar pretende alavancar para a Câmara dos Deputados, em favor de seu projeto político.

Com uma ascensão política algorítmica meteórica, Nikolas Ferreira mostrou, em 2022, a capacidade predatória de arrancar votos em todo o como o território mineiro, engolindo as bases eleitorais de todos os parlamentares que concorreram à reeleição. Talvez por isso tenha acreditado que domaria a estrutura de poder partidário. Mas, agora, se vê diante do pragmatismo de Valdemar – pronto a devorá-lo –, mas disposto a contestar a máxima de que na política, o dia da caça e o dia do caçador são, muitas vezes, o mesmo dia.


Mexe-mexe

Com a sucessão mineira em aberto, abre-se a temporada do mexe-mexe. O vice-governador Mateus Simões (PSD) que lidava com a segurança de ter a federação União-PP em seu leque de apoios, caminha para perder o União e, por consequência o PP, que está federado. O senador Cleitinho (Republicanos) que pediu a suspensão das conversas para lidar com o problema de saúde do irmão mais novo, segue potencial candidato e, se necessário, poderá migrar do Republicanos para o PL. Se migrar para o PL, Mateus Simões vai enfrentar mais uma baixa em seu plano de alianças.


Cavalo de pau

O senador Rodrigo Pacheco (PSD), que vai se filiar ao União, tende a não concorrer, mas, a conversa com o presidente Lula (PT), ainda não aconteceu. Quando os profissionais entram em campo... a exceção vira regra.


Para deputado

O prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo) vai se desincompatibilizar para concorrer a deputado federal. A vice Janete Aparecida (Avante) vai assumir o governo.


Mineração

A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia realiza audiência pública nesta terça-feira para discutir os impactos dos recentes extravasamentos de água e sedimentos em minas da Vale e de falha em dique da CSN Mineração, em Congonhas e Ouro Preto (Central). O volume estimado em 262 mil metros cúbicos de água com sedimentos foi carreado para o rio Maranhão e afluentes, incluindo os córregos Ponciana e Água Santa. A audiência foi solicitada pelas deputadas Bella Gonçalves (Psol) e Beatriz Cerqueira (PT).

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A internet e o ódio à mulher

O primeiro projeto apresentado neste novo ano legislativo, iniciado em 2 de fevereiro, cria a Política Nacional de Combate ao Discurso de Ódio contra a Mulher na Internet, que deverá ser observada por provedores de aplicações digitais. A matéria é de autoria é do líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP). Entre as medidas previstas está o modo de segurança, descrito como uma espécie de “botão do pânico” que poderá ser acionado pela vítima em situações de risco iminente ou ataque coordenado nas redes. O recurso permitirá bloquear interações de contas não seguidas pela usuária e reter automaticamente grandes volumes de interações em curto período.

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