O BTS é um fenômeno global da música sul-coreana que ultrapassa barreiras culturais e une milhões de corações ao redor do mundo. Eles se tornaram um dos maiores fenômenos musicais do planeta, quebrando recordes globais na Billboard, acumulando bilhões de visualizações e arrastando multidões com sua base de fãs oficial, os ARMY. Em sua recente e histórica apresentação no show do intervalo da Final da Copa do Mundo FIFA 2026, no MetLife Stadium, o grupo encantou o público ao interpretar o sucesso "Dynamite". 

No entanto, a ocasião foi marcada por críticas de cunho preconceituoso publicadas pela influenciadora brasileira Pietra Bertolazzi, conhecida por suas pautas conservadoras e declarações antifeministas, incluindo a defesa pública do fim do voto feminino. Em sua postagem, ela desqualificou a performance com comentários pejorativos, carregados de xenofobia e homofobia — atitudes que extrapolam a liberdade de expressão e configuram crimes. Ela chamou os integrantes de "totalmente afeminados, vaidosos" e afirmou ter sentido "verdadeira vergonha alheia". Ela ainda questionou o fato de a geração atual ter o grupo como referência e classificou a situação como "grave". 

O que talvez a autora das críticas não soubesse é a dimensão e a força do ARMY, o fã-clube oficial do BTS, do qual o Brasil é historicamente um dos maiores expoentes. Segundo a Billboard, o Brasil é historicamente um dos países que mais consome a música do BTS. A resposta da comunidade veio de forma rápida e criativa, demonstrando que respeito não é opcional. 

Eles organizaram mutirões de denúncias que levaram à queda ou restrição do perfil da digníssima senhora,  a inscreveram como mesária voluntária para as eleições em vários municípios do país, e ainda fizeram o cadastro dela na plataforma federal “Fale com o Presidente”, para que ela receba milhares de correspondências com fotos do Lula. Diante da repercussão, a influenciadora optou por restringir seus perfis e anunciar uma pausa nas redes sociais. 

Que alívio não ter que ficar vendo tanto preconceito travestido de opinião sendo replicado. Esta pausa é muito bem vinda, especialmente se usar o tempo para repensar suas posturas e suas incoerências.

Mais do que uma reação digital, o episódio convida a uma reflexão profunda sobre coerência e responsabilidade no espaço público. É contraditório que figuras que defendem a limitação dos direitos femininos utilizem justamente a voz pública para atacar artistas que promovem valores como empatia, diversidade e responsabilidade social. Criticar sem conhecer a trajetória de dedicação, arte e impacto positivo do grupo revela apenas oportunismo travestido de opinião. 

O BTS construiu um legado sólido pautado no afeto, na humanidade e na arte. Quem opta por gerar engajamento por meio do desrespeito acaba colhendo os frutos da própria incoerência. No fim, fica a lição de que o diálogo genuíno e o respeito às diferenças cultural e pessoal são sempre o melhor caminho para convivermos em sociedade.

A resposta dos fãs, é um lembrete sobre os limites do discurso de ódio na era digital. Quando o preconceito tenta se disfarçar de liberdade de manifestação para atacar identidades, culturas e estéticas que fogem a um padrão ultrapassado, a mobilização coletiva mostra que a internet já não é um território sem regras nem consequências. O ARMY brasileiro provou que a união em prol do respeito é capaz de desarmar discursos tóxicos, utilizando ferramentas democráticas e criativas para impor um freio a quem confunde influência com autorização para hostilizar o outro.

O impacto cultural do BTS é como uma força capaz de unir pessoas em torno de mensagens de amor próprio, tolerância e diversidade. Enquanto a busca por engajamento fácil através do ataque gera reações efêmeras e danos à própria reputação, a arte que acolhe e constrói pontes permanece inabalável. Que esse evento sirva como um marco de conscientização de que a empatia e o respeito às pluralidades não são apenas pilares fundamentais para a convivência em sociedade, mas princípios inegociáveis que prevalecerão sobre qualquer tentativa de retrocesso. Descanse em paz, Pietra, que eu vou ali escutar BTS.


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