Dia Internacional da Mulher se aproximando e a gente só queria um dia de paz. Um dia sem uma mulher sendo morta, ou estuprada, ou agredida. Neste domingo, Dia Internacional da Mulher (8/3), fazemos um chamado à ação. Queremos justiça e mais eficiência em relação à nossa proteção.
O tema da Organização das Nações Unidas (ONU) para este ano é: “Direitos. Justiça. Ação. Para TODAS as mulheres e meninas”. A ONU destaca a disparidade na aplicação da lei. A Lei Maria da Penha é muito boa, uma das melhores do mundo no que se refere à proteção da mulher, no entanto, na prática, os sistemas de justiça não funcionam bem para mulheres e meninas - que acabam ficando à mercê de abusos e impunidade.
No Brasil, o foco é a violência doméstica e o combate ao feminicídio. Queremos que as medidas protetivas de urgência sejam mais do que papéis; queremos o acompanhamento real, a integração entre a segurança pública, a saúde e a assistência social.
De que adianta ter uma medida protetiva no papel se o agressor tem fácil acesso à vítima? Segundo um levantamento divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cada oito mulheres vítimas de feminicídio no Brasil, uma tinha medida protetiva de urgência. Ou seja, mesmo com uma medida protetiva, perdeu a vida. Vale destacar que 13,1% das mulheres vítimas de feminicídio tinham uma medida protetiva vigente quando foram mortas.
Temos também que lidar melhor com a violência digital; a misoginia na internet deve ser criminalizada e punida com rigor. A criminalização da misoginia no Brasil está avançando com o PL 896/2023, que foi aprovado no Senado em 2025. Esse projeto de lei visa tipificar o ódio ou aversão a mulheres como crime de discriminação, equiparando-o ao racismo (Lei 7.716/1989). É uma proposta que define penas de dois a cinco anos de reclusão para ações que humilhem ou desqualifiquem mulheres. Vamos ver se a Câmara dos Deputados nos dá a aprovação de presente.
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É importante lembrar que, para além de leis e penas, é preciso educar nossos filhos para que eles vejam as mulheres como iguais. Não como corpos a serem de segunda linha que existem para servi-los e que podem ser descartados, usados, agredidos, violentados. Nossos meninos precisam aprender a ouvir o ‘não’ e a lidar com a frustração. Precisamos, especialmente em casa, na escola, desconstruir estereótipos de gênero, promovendo o respeito e a igualdade desde a infância.
Uma mudança necessária, mas que será demorada, é a ocupação dos cargos eletivos. Embora as mulheres representem cerca de 52% do eleitorado brasileiro, a ocupação de cargos no Legislativo ainda é baixa, em torno de 19%. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mantém uma página dedicada à História do Voto Feminino para consulta detalhada. Sendo 2026 um ano eleitoral, precisamos ter isso em mente! Mais mulheres legislando, mais pessoas olhando para nossas causas.
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Eu só voto em mulheres. Sou muito questionada por isso, mas a razão é simples: somos a maioria da população, e nossa representatividade em cargos do Legislativo e Executivo é baixíssima. Se nós, mulheres, não entendermos a necessidade de votar em mulheres para diminuir essa disparidade, quem vai fazê-lo? Eu vou morrer sem ver a equidade acontecer, mas morrerei sabendo que estou fazendo a minha parte, votando em mulheres e explicando para outras mulheres que isso é uma urgência.
