O ano mal começou e três mulheres já me relataram que descobriram que estão com HPV. Todas estão muito assustadas, sendo que uma delas está com câncer, e sem muita certeza de quando contraíram o vírus - se foi do próprio marido. As três já iniciaram o tratamento.
O papilomavírus humano (HPV) é um vírus extremamente comum e altamente transmissível. Ele é transmitido principalmente pelo contato íntimo pele a pele durante relações sexuais, podendo ocorrer mesmo sem penetração. Na maioria das vezes, a infecção é silenciosa e assintomática.
Conversei com a Manuella Duarte que é farmacêutica, especialista em imunização e fundadora da Clínica Maximune, em Belo Horizonte, dedicada à prevenção, imunização e cuidados em saúde e ela me passou informações importantes:
Estima-se que a maior parte das pessoas sexualmente ativas terá contato com o vírus ao longo da vida. Embora alguns tipos causem apenas verrugas genitais, outros estão diretamente associados ao desenvolvimento de cânceres. Entre eles:
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Câncer de pênis
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Câncer de ânus
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Câncer de vagina e vulva
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Câncer de orofaringe (garganta, base da língua e amígdalas)
O câncer de colo do útero permanece como um importante problema de saúde pública. No Brasil, a doença ainda mata milhares de mulheres todos os anos, apesar de ser amplamente prevenível. A vacinação é uma estratégia de prevenção. Em 2007, foi licenciada no Brasil a primeira vacina contra o HPV, inicialmente protegendo contra os tipos 16 e 18, responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero.
Posteriormente, a vacina quadrivalente ampliou a proteção para quatro tipos do vírus, incluindo aqueles que causam verrugas genitais. Em 2014, o Programa Nacional de Imunizações incorporou a vacina contra o HPV ao calendário infantil, reforçando a importância da imunização precoce.
A vacinação antes do início da vida sexual proporciona uma resposta imunológica mais robusta e maior eficácia. No Brasil, a imunização começa aos 9 anos, para meninos e meninas. Em 2023, chegou ao país uma versão mais abrangente: Gardasil 9, que amplia a proteção para nove tipos do vírus associados à maioria dos cânceres relacionados ao HPV. Atualmente, essa vacina está disponível na rede privada.
A vacina contra o HPV pode ser aplicada em homens e mulheres entre 9 e 45 anos, mesmo que já tenha ocorrido contato prévio com o vírus. Se você tem filhos nessa faixa etária — ou está dentro dela — a vacinação é uma forma eficaz de proteção contra doenças futuras. A vacina contra o HPV é amplamente estudada e monitorada em todo o mundo; sua segurança é comprovada.
Os efeitos adversos costumam ser leves e passageiros, podendo incluir: dor no local da aplicação, dor de cabeça, mal-estar leve, febre baixa. Os benefícios da prevenção superam amplamente esses possíveis desconfortos temporários.
A Austrália tornou-se referência mundial na prevenção do câncer de colo do útero. Graças às elevadas taxas de vacinação e programas eficientes de rastreamento, o país caminha para eliminar a doença como problema de saúde pública nas próximas décadas. Esse resultado demonstra o impacto real e mensurável da imunização.
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Além da prevenção do câncer do colo do útero, evidências científicas recentes reforçam a proteção da vacina contra cânceres de cabeça e pescoço relacionados ao HPV, ampliando ainda mais seu papel na saúde pública. Vacinar é um ato de cuidado individual e coletivo. Informação de qualidade e acesso à imunização são ferramentas essenciais para proteger vidas hoje e no futuro.
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Ninguém quer pensar na possibilidade de um diagnóstico de câncer. Se é possível evitar todos esses tipos, melhor ir correndo tomar a vacina e vacinar os filhos, sem correr riscos para o resto da vida.
