Durante décadas, a alface foi considerada símbolo da alimentação saudável. Usada em saladas, sanduíches e vários pratos, a folha verde nunca foi considerada perigosa, desde que fosse bem higienizada.

Mas nos Estados Unidos a situação mudou, por causa da alface americana produzida no México. Ocorreu por lá um grande surto de ciclosporíase, doença provocada pelo parasita Cyclospora cayetanensis. Autoridades de saúde afirmaram que o surto atingiu milhares de pessoas em diversos estados, com centenas de hospitalizações.

Cyclospora é um parasita microscópico que provoca a infecção intestinal conhecida como ciclosporíase. Entre os principais sintomas estão diarreia intensa e prolongada, cólicas abdominais, náuseas, perda de apetite e cansaço. Em alguns casos, os sintomas podem persistir por semanas.

O parasita só é eliminado pelo calor, mas ninguém come alface cozida. Ou seja, a forma mais tradicional de consumir o alimento impede que ele passe pelo processo capaz de eliminar o problema.

O risco ocorre durante o cultivo, colheita, processamento, transporte ou a distribuição. Água contaminada, falta de higiene e contato com fontes contaminantes podem permitir que agentes infecciosos cheguem aos alimentos.

Quanto maior e mais concentrada é a cadeia de distribuição, maior pode ser o número de consumidores expostos quando ocorre uma falha.

O importante é lavar corretamente frutas e verduras, embora a lavagem não elimine necessariamente todos os parasitas e bactérias.

É fato que a alface não tem muito valor nutritivo, comparada a outros vegetais. Mas ela fornece água, fibras, vitaminas e minerais. Contribui para a alimentação equilibrada porque tem baixo valor calórico e pode aumentar o volume da refeição, sem trazer tantas calorias como os alimentos ultraprocessados e pratos ricos em gordura.

Enfim, a folha não é a vilã. O verdadeiro problema está nos caminhos que permitem ao agente infeccioso chegar ao alimento. A principal lição é não entrar em pânico. O mais importante é prestar atenção aos alertas das autoridades, respeitar recalls, conservar os alimentos de maneira adequada e seguir boas práticas de higiene.

Resumindo: o problema não está na folha verde, mas no que pode chegar até ela antes de compor o nosso prato.

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

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