À medida que vou tomando conhecimento da posição das mulheres nas empresas, da diferença salarial que recebem em comparação com o salário dos homens que ocupam cargos similares, da valorização das mulheres no mundo, e do crescente número de agressão de mulheres por homens e do aumento de feminicídios, chego à conclusão de que estamos vivendo ainda em um mundo preconceituoso e machista.

Recebi da Mardô Family House Integration, casa de consultoria especializada em governança integral na continuidade de legados familiares e empresariais, integrando família, negócio, patrimônio e indivíduo com mais de 30 anos de mercado, o resultado de um levantamento que fizeram.

O resultado revelou uma tendência alarmante entre as famílias mais abastadas do Brasil: 87% das mulheres que ocupam a posição de esposas ou herdeiras em clãs de altíssimo patrimônio líquido não participam ativamente das decisões estratégicas relacionadas à proteção, continuidade e governança do patrimônio familiar.

O estudo mapeia o ecossistema UHNW (Ultra-High-Net-Worth) brasileiro a partir de um universo de 80 famílias empresariais detentoras de patrimônio relevante, representando mais de R$ 200 bilhões em ativos familiares analisados pela consultoria, com uma média de R$ 2,5 bilhões por clã.

Segundo o diagnóstico, essas mulheres mantêm acesso aos benefícios financeiros dos ativos, mas permanecem afastadas das estruturas de decisão, investimento, governança e sucessão. Elas demonstram insegurança ao acessar informações patrimoniais essenciais e delegam seu poder decisório a maridos, irmãos ou executivos sem uma participação ativa. O custo desse distanciamento estrutural é alto: mais de 53% deste público já viveu alguma situação lesando seu patrimônio ou na qual terceiros tiraram proveito de sua desconexão decisória.

Será que elas se sentem inseguras porque não foram preparadas para lidar com essas questões? Ou são colocadas nessa posição por conveniência dos seus pares masculinos, que querem manter o controle das decisões?

O cenário torna-se ainda mais sensível diante da maior transferência patrimonial da história contemporânea, estimada globalmente em US$ 83 trilhões nos próximos 20 a 25 anos. Embora as mulheres estejam assumindo posições de controle acionário e titularidade em escala inédita – projetando-se que controlem até 47% dos ativos investíveis na Europa até 2030 e herdem US$ 40 trilhões nos EUA até 2048 –, a grande parte delas ainda não foi preparada para ocupar o espaço estratégico de governança que acompanha essa herança.

Segundo Márcia Dolores, fundadora da Mardô, a ausência de preparação patrimonial feminina atravessa gerações.

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“Observamos um padrão histórico de exclusão econômica familiar, repetido pela Geração Z, que mantém a abstenção das mães e avós. Por isso, acreditamos que o novo ciclo da sucessão global não será definido apenas pela transferência de riqueza, mas pela capacidade das famílias de desenvolverem mulheres aptas a governar e dar continuidade ao próprio legado”, destaca.

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