Cerca de 10% a 20% de todos os casos de câncer de pulmão ocorrem em pessoas que nunca fumaram ou que fumaram menos de 100 cigarros ao longo da vida. Há décadas, o câncer de pulmão está fortemente associado ao tabagismo — e por bons motivos. O tabagismo continua sendo a principal causa de câncer de pulmão em todo o mundo.

No entanto, pesquisadores têm reconhecido, cada vez mais, um outro padrão: estima-se que de 10% a 20% dos casos de câncer de pulmão sejam diagnosticados, atualmente, em pessoas que nunca fumaram. Hoje, os cientistas consideram o câncer de pulmão em não fumantes como uma doença distinta, com uma biologia própria, fatores genéticos diferentes e, potencialmente, abordagens terapêuticas também distintas.

Em não fumantes, o diagnóstico mais comum é o de adenocarcinoma, um tipo de câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP).

Sintomas e diagnóstico

* Sintomas:

Os sinais de alerta são os mesmos do câncer de pulmão relacionado ao tabagismo, incluindo tosse persistente, expectoração com sangue, dor no peito, chiado no peito e falta de ar sem causa aparente. Como pessoas que nunca fumaram (e seus médicos) frequentemente não suspeitam de câncer de pulmão em um primeiro momento, o diagnóstico costuma ocorrer em estágios mais avançados (estágio III ou IV).

* Rastreamento: 

As principais diretrizes de saúde (como as da U.S. Preventive Services Task Force) não recomendam, atualmente, o rastreamento de rotina por meio de tomografia computadorizada de baixa dose para pessoas que nunca fumaram, uma vez que o risco na população em geral não justifica os possíveis riscos e consequências do rastreamento.

Por que o número de casos está aumentando?

Os pesquisadores ainda não sabem exatamente por que o câncer de pulmão em pessoas que nunca fumaram está se tornando mais comum. Esse aumento provavelmente reflete uma combinação de fatores, e não uma causa única, o que chamamos de fatores de risco. 

Fatores de risco mais comuns

1. Exposição ao radônio. Um gás radioativo de ocorrência natural que pode se acumular no interior das residências, aumentando o risco de câncer de pulmão.

2. Mutações genéticas. Mutações adquiridas nos genes EGFR, ALK e ROS são fatores determinantes para o câncer de pulmão.

3. Exposição ao fumo passivo.

4. Poluição do ar. A exposição a longo prazo — especialmente a proveniente do tráfego, emissões industriais e processos de combustão — aumenta o risco de câncer de pulmão.

5. Histórico familiar. Causas genéticas hereditárias (germinativas). Ter um parente de primeiro grau com câncer de pulmão aumenta o risco em até duas vezes. O histórico familiar de câncer de pulmão aumenta a suscetibilidade de um indivíduo de duas a três vezes, especialmente entre parentes de primeiro grau. Certas variantes genéticas raras e hereditárias são transmitidas por meio de um padrão autossômico dominante e elevam o risco de desenvolver câncer de pulmão (frequentemente adenocarcinoma, mesmo em pessoas que nunca fumaram).

* TP53: 

Associado à síndrome de Li-Fraumeni, que aumenta o risco de vários tipos de câncer, incluindo o câncer de pulmão.

* EGFR: 

Variantes germinativas específicas (como a T790M) podem causar uma síndrome de suscetibilidade ao EGFR restrita ao pulmão.

* ATM e BRCA1/BRCA2: 

Genes de reparo de DNA, tradicionalmente associados ao câncer de mama ou a outros tipos de câncer, que também elevam o risco de câncer de pulmão.

* Regiões cromossômicas (por exemplo, o lócus 15q24-25.1/CHRNA3, CHRNA5): 

Variantes em genes relacionados a receptores de nicotina aumentam a suscetibilidade ao câncer de pulmão.

* SFTPA1 e SFTPA2: 

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Variantes associadas à fibrose pulmonar e ao adenocarcinoma pulmonar hereditário.

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