Os sintomas do câncer de pulmão são, em geral, semelhantes, independentemente do histórico de tabagismo.

Os pacientes podem apresentar:

• Sibilos
• Dor torácica
• Falta de ar
• Hemoptise

Sintomas associados à doença metastática, incluindo dor óssea ou cefaleia. Alguns cânceres são identificados incidentalmente durante exames de imagem realizados por outro motivo clínico.

Como pacientes e médicos podem associar o câncer de pulmão principalmente ao uso de tabaco, os sintomas em indivíduos não fumantes podem acabar sendo atribuídos a outras condições respiratórias ou musculoesqueléticas. A revisão enfatiza a importância de reconhecer que os sintomas convencionais do câncer de pulmão continuam relevantes mesmo quando o paciente nunca fumou. 

Por que o rastreamento é uma questão importante ainda não resolvida?

As recomendações atuais dos Estados Unidos para o rastreamento do câncer de pulmão baseiam-se principalmente na idade e na exposição cumulativa ao tabagismo.

A “US Preventive Services Task Force” (Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA) não recomenda, atualmente, o rastreamento de rotina com tomografia computadorizada de baixa dose para indivíduos não fumantes. Consequentemente, pessoas sem o histórico de tabagismo que atenda aos critérios são geralmente excluídas dos programas de rastreamento estabelecidos nos EUA, mesmo quando apresentam outros fatores de risco ambientais ou familiares.

Por que os testes moleculares abrangentes são essenciais?

A revisão recomenda a realização de testes abrangentes de sequenciamento de nova geração em tecido tumoral de não fumantes com câncer de pulmão nos estádios IB a IIIA.

Essa recomendação reflete a maior probabilidade de identificar alterações genômicas que podem influenciar o uso de terapia-alvo.

No câncer de pulmão de células não pequenas em estádio avançado, a realização de testes moleculares abrangentes também é crucial, pois a escolha do tratamento pode depender diretamente da presença de uma alteração condutora ("driver") passível de intervenção terapêutica.

Como é tratado o câncer de pulmão em não fumantes?

O tratamento continua sendo determinado principalmente pelo estádio do câncer, pelo estado de desempenho clínico (“performance status”), pelos achados histológicos e pelas características moleculares do tumor.

A conduta terapêutica pode incluir cirurgia, radioterapia, terapia sistêmica ou uma combinação dessas abordagens.

Para doença localizada, a cirurgia ou a radioterapia podem constituir a base do tratamento com intenção curativa. O tratamento sistêmico pode ser incorporado com base no estádio patológico e nos achados moleculares.

Em casos de doença localmente avançada ou metastática, os testes genômicos podem identificar pacientes elegíveis para terapia-alvo. Quando não se detecta nenhuma alteração passível de intervenção, a escolha do tratamento segue as diretrizes terapêuticas gerais para o câncer de pulmão, levando em consideração a histologia do tumor, a extensão da doença, as condições do paciente e os biomarcadores relevantes.

A diferença fundamental não é que todos os não fumantes recebam terapia-alvo, mas sim que eles apresentam uma probabilidade substancialmente maior de portar uma alteração genômica passível de tratamento direcionado. 

Como as alterações acionáveis afetam a sobrevida?

A presença de uma alteração genômica acionável pode influenciar substancialmente os desfechos em casos de doença avançada.

A revisão relatou que a sobrevida mediana entre não fumantes com câncer de pulmão de células não pequenas em estágio IIIB ou mais avançado, e que apresentam uma alteração genômica acionável, pode ultrapassar três a cinco anos quando os pacientes recebem a terapia-alvo apropriada.

Para pacientes sem alterações acionáveis, a sobrevida mediana relatada foi de aproximadamente um a dois anos, sendo amplamente semelhante aos desfechos observados em pacientes com câncer de pulmão e histórico de tabagismo.

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