O Encontro Anual de 2026 da Sociedade Americana de Oncologia (Asco), considerado o mais importante congresso oncológico mundial, aconteceu de 29 de maio a 2 de junho em Chicago e atraiu milhares de pessoas envolvidas em todos os aspectos da pesquisa, tratamento e defesa do câncer. A entidade é a principal organização profissional do mundo para médicos e profissionais de oncologia que cuidam de pessoas diagnosticadas com câncer. A organização tem como objetivo vencer o câncer por meio de pesquisa e educação.
Nesse artigo e no próximo, seleciono os principais e mais relevantes estudos apresentados sobre câncer de mama.
1. Estudo sugere que milhões de pacientes com câncer de mama poderiam evitar a quimioterapia com segurança.
Alguns portadores de câncer de mama em fase inicial, mas de alto risco, podem evitar a quimioterapia adjuvante. Os resultados do estudo OPTIMA sugerem que mulheres com câncer de mama em estágio inicial, com receptor hormonal positivo e HER2 negativo, que aparentam ter alto risco de recorrência com base em características clínicas, como muitos linfonodos positivos, podem evitar a quimioterapia com segurança se tiverem uma baixa pontuação de risco de recorrência no teste genômico denominado Prosigna. Com esses resultados, podemos afirmar que milhões de pessoas com câncer de mama poderão evitar a quimioterapia com segurança, graças a esse teste de DNA, que consegue distinguir entre pacientes com maior probabilidade de se beneficiarem do tratamento e aqueles que não se beneficiarão, de acordo com os resultados de um estudo clínico.
O estudo internacional descobriu que mais de dois terços dos participantes poderiam ser poupados dos efeitos colaterais da quimioterapia e tratados apenas com terapia hormonal. A quimioterapia pode causar fadiga, náuseas, queda de cabelo, enfraquecimento do sistema imunológico e problemas de fertilidade.
O estudo, liderado pela University College London (UCL), envolveu mais de 4 mil pacientes recém-diagnosticados, com mais de 40 anos no Reino Unido, Noruega, Suécia, Austrália, Nova Zelândia e Tailândia.
Os cientistas usaram o genético C Prosigna para medir a atividade de 50 genes envolvidos no crescimento do câncer de mama e calcular o risco de recorrência da doença em cada paciente.
Aqueles que obtiveram uma pontuação baixa – dois terços do grupo – não foram tratados com quimioterapia. A taxa de sobrevida em cinco anos desse grupo foi de 93,7%, em comparação com uma taxa de 94,9% entre os pacientes que receberam quimioterapia como parte do tratamento.
2. Os medicamentos GLP-1 podem impedir que o câncer se torne metastático?
Pessoas com câncer de pulmão, mama, colorretal ou fígado em estágio I, II ou III que tomam um medicamento GLP-1 podem ter um risco menor de a doença progredir para o estágio IV do que aquelas que não usam GLP-1, de acordo com resultados apresentados durante uma coletiva de imprensa no Encontro Anual da ASCO de 2026.
Essa é uma associação, não uma relação de causa e efeito, e não se aplica a todos os pacientes e a todos os tipos de câncer. Mas os resultados são instigantes e fornecem evidências iniciais de que estudos futuros valem a pena.
3. Radioterapia estereotáxica antes da cirurgia pode levar a melhores resultados para pessoas com metástases cerebrais
Em pessoas com grandes metástases cerebrais, a radioterapia estereotáxica (SBRT) antes da cirurgia para remover as metástases reduziu as taxas de recorrência e prolongou o tempo até o crescimento do câncer em comparação com a radioterapia após a cirurgia. A SBRT é uma modalidade avançada e de altíssima precisão. Ela administra doses elevadas de radiação diretamente sobre o tumor, protegendo ao máximo os tecidos e órgãos saudáveis vizinhos.
O pequeno estudo inicial NEO-TACTICS incluiu 55 pessoas; cerca de 22% delas tinham metástases cerebrais de câncer de mama. Após 12 meses de acompanhamento, as taxas de recorrência foram de 16,4%, inferiores aos 20-30% relatados em estudos anteriores. Como o estudo NEO-TACTICS foi pequeno e não teve um grupo de comparação, os pesquisadores afirmaram que um ensaio clínico randomizado maior é necessário para confirmar as descobertas.
4. A ioga reduz os efeitos colaterais em sobreviventes de câncer
A ioga Hatha suave ajudou a aliviar as oscilações de humor, a ansiedade e a fadiga em sobreviventes de câncer, o que contribuiu para uma melhor qualidade do sono, de acordo com um estudo apresentado durante uma coletiva de imprensa na Reunião Anual da ASCO de 2026. Entre as 410 pessoas que participaram do estudo “Yoga para Sobreviventes de Câncer” (YOCAS), 75% haviam sido diagnosticadas com câncer de mama.
Este estudo mostra que a prática estruturada de ioga pode ajudar a aliviar alguns dos problemas mais comuns e difíceis de tratar em sobreviventes de câncer, levando à redução da insônia. É um avanço importante porque oferece aos sobreviventes uma solução não farmacêutica para reduzir quatro efeitos colaterais simultaneamente.
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