Com saúde sob pressão por atrasos de repasses, negociações do carnaval ainda em curso e o período chuvoso exigindo atenção constante, o presidente da Câmara Municipal, Juliano Lopes (Podemos), assumiu interinamente a Prefeitura de Belo Horizonte em um dos momentos mais delicados do calendário administrativo da capital. Até aqui, as frentes mais delicadas foram tratadas sem que o cenário evoluísse para crise.


Na saúde, o problema antecedia a interinidade. Recursos chegaram aos cofres municipais apenas no dia 30 de dezembro, sem tempo hábil para execução antes do recesso administrativo. O atraso atingiu hospitais e prestadores e provocou pressão política.


A condução passou por reuniões com a Secretaria Municipal de Saúde e com diretores hospitalares, definição de um cronograma de pagamentos até março e alinhamento técnico para evitar paralisações. O barulho diminuiu e o risco de descontinuidade no atendimento foi afastado. Segundo a prefeitura, cerca de 80% dos contratos estão hoje regularizados.


O carnaval foi tratado como uma agenda prioritária e de alto impacto. A festa cresceu, consolidou-se como ativo econômico da cidade e depende de um arranjo preciso entre patrocínio privado e estrutura pública. Juliano manteve o modelo vigente, avançou nas negociações após a publicação dos editais e evitou antecipar anúncios antes da formalização dos contratos. Internamente, a avaliação é de que o financiamento está encaminhado e que não haverá improviso estrutural, reduzindo o risco político de um evento que expõe diretamente a administração.


Na agenda das chuvas, a atuação foi preventiva. Defesa Civil, Guarda Municipal, Polícia Militar e secretarias permaneceram em prontidão, com protocolos revisados e equipes mobilizadas. Não houve grandes ocorrências no período, mas a máquina pública ficou acionada para resposta rápida, evitando desorganização administrativa caso o cenário mudasse.


No funcionamento interno da prefeitura, a postura foi de disciplina institucional. Juliano respeitou os secretários e dirigentes nomeados pelo prefeito Álvaro Damião (UB), promoveu reuniões, ouviu avaliações técnicas e evitou interferências diretas na equipe. A interinidade foi tratada como temporária, sem movimentos de sobreposição ou tentativa de imprimir agenda própria.


Esse comportamento ganha relevo quando se observa o início da relação entre Juliano e Álvaro. O diálogo começou tensionado, ainda sob reflexos da disputa pela presidência da Câmara, mas rapidamente migrou para um ambiente de cortesia institucional. Álvaro permitiu que Juliano assumisse a prefeitura em ausências mesmo quando não havia obrigação legal para isso. Pela regra, a substituição formal só ocorre após 15 dias fora do cargo. A decisão de abrir espaço antes desse prazo foi lida como gesto político de confiança e pacificação.


A postura adotada durante a interinidade também ajudou a manter a relação com a Câmara Municipal em temperatura baixa. Ao não tensionar o Executivo, Juliano preservou o ambiente legislativo e evitou ruídos na tramitação de projetos, reforçando a leitura de continuidade administrativa.


O contraste com o passado recente é evidente. Na gestão de Fuad Noman, o então presidente da Câmara, Gabriel Azevedo (MDB), nunca assumiu a prefeitura nas ausências do titular. O receio, nos bastidores, era de que a interinidade fosse usada como plataforma política em um ambiente de disputa aberta. Com Juliano, a ausência de projeto eleitoral imediato e a opção pela condução institucional reduziram resistências e permitiram uma passagem sem desconfiança.


Ao final do período, Álvaro Damião reassume a prefeitura com as áreas mais sensíveis estabilizadas, sem crises abertas e sem novos passivos políticos criados no intervalo. Em Belo Horizonte, onde interinidades já foram tratadas como risco, a experiência mostra que múltiplos desafios podem ser administrados sem tensão.

 

LGBTQIA+

Belo Horizonte passa a ter uma data oficial para o Dia Municipal da Parada do Orgulho LGBT no calendário da capital: a lei foi sancionada e publicada no Diário Oficial do Município na sexta-feira e estabelece a celebração anual no terceiro domingo de julho, alterando a legislação que reúne as datas comemorativas de Belo Horizonte e entrando em vigor imediatamente após a publicação.

 


Federação

A Rede Sustentabilidade e o Psol estão em tratativas para renovar a federação partidária para as eleições deste ano, aliança firmada em 2022 e mantida em 2024, considerada estratégica para enfrentar a cláusula de barreira que restringe o acesso ao Fundo Partidário e terá regras mais rígidas em 2026 para a eleição de deputados federais; atualmente, a federação Rede-Psol soma 15 parlamentares na Câmara dos Deputados, distribuídos em seis estados, e, segundo o porta-voz nacional da Rede, Paulo Lamac, há ampla possibilidade de renovação da união, vista como um “caminho de conforto” para a sigla.

 


IA

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o combate à disseminação de mentiras na internet, com foco nas eleições de 2026, e criticou o uso da inteligência artificial para a manipulação de imagens de mulheres; a fala ocorreu após a divulgação de um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), no qual ele levanta acusações sobre um suposto monitoramento de transações via Pix, informação desmentida pela Receita Federal; segundo Lula, a sociedade estaria “vivendo o mundo da mentira” e, diante de sindicalistas, afirmou que as pessoas não podem se “acovardar diante das mentiras, das fake news que essa gente faz
todo o santo dia”.

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