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Estado de Minas FORD RANGER 3.2 LIMITED

Pouca evolução

Versão de topo da picape média se destaca pelas funções semi-autônomas, mas persiste em vícios antigos, como o motor ruidoso e a suspensão desconfortável. Confira o teste


postado em 15/02/2020 04:00

(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)


Lançada em 2012, a terceira geração da Ford Ranger chega à linha 2020 com algumas novidades. Além de uma quase secreta reestilização (a segunda desta fase), cada versão ganhou em conteúdo de série. A exceção é a versão equipada com motor flex, que simplesmente foi “limada” por responder por uma porcentagem mínima de vendas na gama. A picape média da Ford fechou 2019 como a terceira mais vendida, atrás de Toyota Hilux e Chevrolet S10. Para conferir tudo o que o modelo ainda é capaz de oferecer, testamos sua versão mais equipada, a Limited 3.2, equipada com câmbio automático.
 
A picape fabricada na Argentina recebeu um "tapinha" (a primeira reestilização foi em 2016) pra lá de discreto, como mudanças mínimas na grade, no para-choque dianteiro (com novo nicho para os faróis de neblina) e a adoção de luzes de rodagem diurna (DRLs) integradas aos faróis. A sempre pesada tampa da caçamba recebeu uma mola que deixou sua abertura e fechamento bem mais leves, facilitando a operação. Já os faróis de xênon iluminam muito bem e são exclusivos desta versão topo de linha.
 
Tampa da caçamba ganhou mola que deixa sua abertura e fechamento mais leves(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Tampa da caçamba ganhou mola que deixa sua abertura e fechamento mais leves (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

O interior merecia mais zelo. Apesar de bancos e painéis de porta revestidos em couro, o painel todo em plástico fica devendo um toque emborrachado ou um aplique em material mais nobre. Os tapetes de borracha também poderiam ser carpetados. Ao menos é possível escolher a cor da luz ambiente. O banco do motorista conta com ajustes elétricos, mas o lombar é manual. Para uma picape, o assento traseiro não é tão baixo e oferece certo conforto, com exceção para o passageiro central,
novamente vítima do túnel do assoalho. O quadro de instrumentos poderia ter uma melhor visualização combinada entre o velocímetro digital e o conta-giros, este último disponível apenas em uma das telinhas. É que, quando se opta por visualizar o velocímetro, o tacômetro se transforma em uma pequena barra, difícil de ser visualizada.

RODANDO O motor 3.2 turbodiesel tem potência e, sobretudo, torque de sobra para que seu desempenho nunca seja questionado, nem mesmo em baixas rotações. Em compensação, o propulsor é tão barulhento que incomoda até o motorista, sinal de que o isolamento acústico do projeto é deficiente. Também graças ao esperto câmbio automático de seis velocidades, ultrapassagens e retomadas são quase imediatas. Trocas de marcha manuais podem ser feitas pela alavanca de câmbio.
 
Visual contempla rodas de 18 polegadas, estribos laterais, bagageiro de teto e santantônio(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Visual contempla rodas de 18 polegadas, estribos laterais, bagageiro de teto e santantônio (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
A transmissão ainda oferece tração 4x4 com reduzida. A Ford afirma que fez um acerto de suspensão de acordo com cada versão, mas a evolução não é perceptível. Como a maioria das picapes médias, a suspensão é bem desconfortável quando não há carga na caçamba, porém existem concorrentes que obtiveram êxito nesse quesito adotando suspensões mais sofisticadas. A direção tem assistência elétrica, facilitando as manobras dessa grandalhona, com 5,35 metros de comprimento e 2.269 quilos.

CONTEÚDO O destaque do conteúdo desta versão de topo da Ford Ranger são as funções semiautônomas, mas apenas duas são novidade: sistema de frenagem autônoma com detecção de pedestres e reconhecimento de placas de sinalização, para alerta de limite de velocidade excedido. A elas se juntam outros itens interessantes, como comutação automática entre farol e farol alto, controle de cruzeiro adaptativo, sistema de permanência em faixa (com alerta e assistência) e assistente de pré-colisão.
 
Com uso excessivo de plástico duro, painel merecia o emprego de material mais nobre(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Com uso excessivo de plástico duro, painel merecia o emprego de material mais nobre (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

CONCORRENTES Levando em consideração os concorrentes na versão mais próxima da Ranger Limited (R$ 196.490), a picape testada é mesmo a mais equipada. Além de trazer como diferencial as funções semiautônomas, a picape tem: airbags frontais, laterais, de cortina e de joelho; controle de tração e estabilidade, assistentes de partida em rampa e de descida; ar-condicionado digital de dupla zona; chave presencial para destravar portas e dar partida no motor; rodas de liga leve com aro de 18 polegadas; e sistema multimídia com navegação.
A campeã Toyota Hilux 2.8 SRX (R$ 209.940) tem pacotes bem mais caros e ainda não passa perto do conteúdo da versão de topo da Ranger. A Chevrolet S10 2.8 High Country (R$ 202.090) também passa longe, mas marca pontos pelo sistema de colisão frontal e o assistente de permanência na faixa de rodagem. A Volkswagen Amarok 2.0 Highline (R$ 193.380) oferece os dois bancos dianteiros com ajustes elétricos e sistema de frenagem pós-colisão. Já a Nissan Frontier 2.3 LE (R$ 197.990) se destaca apenas pelo teto solar.


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