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Estado de Minas PEUGEOT 2008 1.6 AT GRIFFE

Sobra charme, falta conteúdo

SUV compacto da marca do leão tem design original, mas fica devendo outros atributos para convencer comprador a assinar o cheque. Desempenho do motor também não cativa


postado em 28/09/2019 04:00

(foto: Pedro Cerqueira/EM/D.A PRESS)
(foto: Pedro Cerqueira/EM/D.A PRESS)


A partir do lançamento do hatchback 208, a gama de compactos da Peugeot deixou de oferecer sedãs e peruas, sabiamente (do ponto de vista comercial) substituídos pelo SUV 2008. O modelo foi lançado por aqui em 2015, mas nunca se destacou no segmento dos SUVs compactos. Em maio, o 2008 ganhou uma reestilização leve. Ainda assim, a Peugeot afirma que o modelo é parte importante de sua nova estratégia no Brasil, que vive uma espécie de renascimento. Um dos desafios é reverter a má impressão a respeito do seu pós-venda, tendo até lançado uma campanha em que, caso o cliente fique insatisfeito com o serviço, não precisa pagar pela mão de obra (as peças, sim!).
 
Enquanto isso, na Europa, uma nova geração de fato foi lançada, maior e mais vistosa, porém, convivendo com a anterior. Voltando ao Brasil, será que este pequeno “tapa” é o bastante para aumentar o volume de vendas do SUV compacto da Peugeot? O visual ficou alinhado com a linguagem de design dos demais modelos da marca, ganhando nova grade e novos capô e para-choque. As laterais têm molduras nas caixas de roda, tendo mantido a boa área envidraçada e o ressalto a partir da coluna B. A versão testada, Griffe 1.6 AT, traz de série o teto panorâmico de vidro, que não se abre. O item é interessante para aumentar a luminosidade (em dias de sol ameno) e a integração com o entorno, mas a cortina é fonte de ruído sobre piso irregular, e o comando de abertura e fechamento não é do tipo um toque.
 
Lateral manteve ampla área envidraçada e ressalto a partir da coluna B(foto: Pedro Cerqueira/EM/D.A PRESS)
Lateral manteve ampla área envidraçada e ressalto a partir da coluna B (foto: Pedro Cerqueira/EM/D.A PRESS)
 
 
O interior é praticamente o mesmo, com o pequeno volante e a alavanca do freio de estacionamento com formato original, que além de bonito tem boa ergonomia. No banco traseiro, o espaço é bom para duas pessoas, mesmo assim, sem muita sobra para as pernas. Os vidros traseiros só abrem dois terços. Apesar do excesso de plástico, o acabamento agrada. Os bancos são revestidos em couro e tecido. Tapetes acarpetados e apliques em couro nos painéis de porta dão um toque mais sofisticado. Mesmo guardando o estepe, o porta-malas tem bom espaço, com maior aproveitamento em altura. Apesar de ter iluminação e bom acabamento, o assoalho do compartimento é feito em compensado fino, que logo se deforma. O encosto do banco traseiro pode ser rebatido para ampliar o espaço, mas não de forma fracionada. Para fechar por completo, a tampa do porta-malas precisa ser batida com força.

RODANDO O motor 1.6 aspirado não tem brilho, e às vezes até deixa a desejar. É que a gestão padrão do câmbio automático mantém as rotações baixas, claramente focadas no baixo consumo de combustível, um ponto positivo do mo- delo. O entrosamento entre motor e câmbio desaparece em trechos com relevo acidentado, quando realiza trocas equivocadas, como engatar uma terceira marcha no meio de uma subida íngreme. Mas existe um truque para atenuar a falta de força do motor e as mudanças infelizes de marcha, bastando selecionar o modo esportivo da transmissão, que tende a manter os “giros” mais altos, porém, sacrificando o baixo consumo de combustível. As suspensões têm boa relação entre conforto e estabilidade. Já a direção tem assistência elétrica, leve em manobras e firme em velocidade elevada.
 
Porta-malas tem bom espaço, com maior aproveitamento em altura(foto: Pedro Cerqueira/EM/D.A PRESS)
Porta-malas tem bom espaço, com maior aproveitamento em altura (foto: Pedro Cerqueira/EM/D.A PRESS)
 
 
Apesar do design “clean” do interior, o apoio de braço do console faz falta em um SUV. Também fazem falta vidros elétricos do tipo “um toque” em todas as janelas, presentes apenas na do motorista. Com a coluna A mais fina e vidros vigia, a visibilidade dianteira é boa. Os pequenos vidros da coluna C também melhoram um pouco a visibilidade traseira. Quanto ao conteúdo, mesmo na versão de topo, o 2008 não traz muitos destaques: talvez os seis airbags sejam seu ponto alto, porém, sem controles de tração e estabi- lidade. O teto de vidro também é um item interessante, mas seria bem melhor se ele abrisse. O ar-condicionado digital com dupla zona de temperatura também não é comum entre os concorrentes.
 
CONCORRENTES Entre os concorrentes, o Jeep Renegade Sport 1.8 AT (R$ 89.990), versão de entrada do líder do segmento, tem o mesmo preço e leva a mais rodas de 17 polegadas e controles de tração e estabilidade. O Honda HR-V LX 1.8 CVT (R$ 94.400) traz pacote semelhante ao do Renegade, mas custa mais. O Nissan Kicks SV 1.6 CVT (R$ 92.790) se destaca por trazer chave presencial para destravar portas e dar partida no motor por um botão. Já o Volkswagen T-Cross 200 TSI AT (R$ 94.490) traz seis airbags de série. Mas o melhor do Peugeot 2008 ainda está por vir, já que a marca do leão prometeu que lançaria a versão equipada com motor 1.6 THP de 173cv de potência (com turbo e injeção direta) até o fim do ano.


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