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Estado de Minas VOLKSWAGEN JETTA GLI 350 TSI

O dorminhoco ficou pra trás

Se a antiga versão nervosa do sedã era discreta, como um autêntico sleeper, novo GLI faz questão de deixar claro a que veio. Apesar do preço salgado, custo/benefício é bom


postado em 17/08/2019 04:00 / atualizado em 16/08/2019 17:08

(foto: Fotos: Jorge Lopes/EM/D.A Press e Enio Greco/EM/D.A Press)
(foto: Fotos: Jorge Lopes/EM/D.A Press e Enio Greco/EM/D.A Press)


A sétima geração do Volkswagen Jetta foi lançada no Brasil há menos de um ano, em dua versões. No fim de 2018, um pacote mais em conta chegou ao mercado para aumentar o volume de vendas do sedã médio, o que não surtiu grande efeito. Em junho, finalmente, chegou a versão esportiva GLI (Gran Luxury Injection), sigla que para os sedãs equivale ao GTI dos hot hatches da marca (Golf, Polo...). A chegada da versão foi uma tentativa da marca de reconectar com os entusiastas da velocidade. Assim que uma unidade do GLI chegou à redação, saímos para conferir se o novo tempero do modelo fabricado no México é mesmo picante.
A atual geração do Jetta ganhou linhas mais agressivas, porte encorpado e construção sobre a plataforma modular MQB, o que permitiu incorporar vários conteúdos. Se o visual discreto da antiga versão 2.0 TSI não dava pistas do que era capaz, caracterizando-se como um legítimo sleeper, esta versão GLI revela sua periculosidade na faixa vermelha que ostenta na grade. A versão ainda traz como diferenciais o conjunto óptico em LED, rodas de 18 polegadas, pneus de perfil baixo, pinças de freios pintadas de vermelho, minissaias laterais e nos para-choques, dupla saída de escape, antena tipo tubarão e um pequeno aerofólio na tampa traseira. A unidade testada tinha a carroceria em um elegante cinza puro, pintura sólida, sem custo adicional. O resultado final foi uma dose certeira de esportividade, misturada à sobriedade esperada de um sedã, que arrebatou diversos olhares pelas ruas.
 
Atual geração do modelo ganhou linhas mais agressivas, com porte mais encorpado e construção sobre a plataforma modular MQB
Atual geração do modelo ganhou linhas mais agressivas, com porte mais encorpado e construção sobre a plataforma modular MQB
 

A BORDO O interior também incorpora certa esportividade, com os revestimentos do teto, para-sóis e colunas em preto. O painel é “cortado” por um filete de LED, assim como os painéis de porta, com várias opções de cor. Os bancos revestidos em couro e com costura vermelha aparente fornecem excelente apoio nas curvas, sendo que o do motorista tem regulagens elétricas (incluindo lombar). Junte isso ao volante esportivo de base achatada, com ajustes de altura e distância, é fácil encontrar a melhor posição para acelerar. Se os assentos dianteiros aquecíveis parecem inúteis em um país predominantemente quente, a climatização também contempla bancos com ventilação. O teto solar é o único opcional disponível. Custando cerca R$ 5 mil, é uma porcentagem mínima do preço do veículo e vale o investimento. O console central é muito encorpado e esbarra frequentemente no joelho direito do motorista, causando desconforto.
A versão esportiva traz de série painel de instrumentos digital, cujo modo de visualização pode ser configurado de acordo com a preferência do motorista. O Jetta oferece bom espaço interno, mas o banco traseiro só leva com conforto dois passageiros, já que o túnel do assoalho é muito alto e o console central avança um pouco. O modelo também fica devendo para os passageiros de trás climatização e tomadas USB, imperdoável para um sedã dessa estirpe e com esse preço. O porta-malas também é espaçoso, abrigando sob seu assoalho o estepe de uso temporário. De forma geral, seu acabamento é bom, porém, onde não há carpete, a carroceria fica exposta no primer, um descuido. Para carregar objetos maiores, é possível rebater o encosto dos bancos de forma fracionada.
 
Minissaias laterais, dupla saída de escape e aerofólio dão toque de esportividade
Minissaias laterais, dupla saída de escape e aerofólio dão toque de esportividade
 
 
Quanto ao conteúdo, destaque para as funções semiautônomas: assistente de farol alto, controle de cruzeiro adaptativo e sistema de monitoramento frontal, que detecta a aproximação de veículos e pedestres e emite um alerta, podendo também acionar o freio para evitar uma colisão ou atropelamento. Complementam o bom pacote de segurança os seis airbags e o controle eletrônico de tração e estabilidade. A chave presencial facilita a vida do motorista, bastando estar no bolso para dar partida no motor por botão e destravar o veículo com o simples toque na maçaneta.

RODANDO O conjunto mecânico é o pacote perfeito para a diversão: motor 2.0 turbo e câmbio automatizado de dupla embreagem (DSG) de seis marchas. Na prática, é o que basta para rodar pela cidade com rotações baixas, para minimizar o consumo de combustível, porém, com capacidade de reagir a qualquer momento. Mas o melhor da festa é acelerar este sedã nervoso. Além dos 230cv de potência e 35,7kgfm de torque, que fazem com que o veículo acelere até os 100km/h em 6,8 segundos, o motor emite um ronco discreto, mas empolgante. O câmbio tem modo esportivo e opção de trocas manuais por aletas próximas ao volante.
 
Interior tem revestimento em couro e painel com tela configurável
Interior tem revestimento em couro e painel com tela configurável
 
 
Os modos de direção podem ser acertados de acordo com a situação: ideal para rodar em trânsito congestionado, no modo Eco as respostas ficam mais lentas; já no modo esporte, todos os parâmetros são ajustados para fornecer respostas imediatas; há ainda um modo individual, onde cada parâmetro é ajustado pelo condutor. Além da estabilidade necessária para um veículo que pode alcançar a velocidade máxima de 250km/h, as suspensões oferecem bastante conforto, mérito principal do conjunto multilink do eixo traseiro. A direção tem assistência elétrica variável, leve nas manobras e firme em alta velocidade. O freio de estacionamento pode ser acionado por botão, com função auto hold.

CONCORRENTES Como o Jetta GLI tem motorização bastante superior às dos sedãs médios convencionais – mesmo os equipados com motores turbo, como Honda Civic 1.5 Touring, Citroën C4 Lounge 1.6 THP e Chevrolet Cruze 1.4 –, não é possível considerá-los como concorrentes. Para quem pode abrir mão do status, o GLI chega a fazer frente a concorrentes premium como Mercedes-Benz CLA ou Audi A3 em versões com motorização semelhante, com a vantagem de ser bem mais em conta. E, olhando o modelo por esta ótica, seu custo/benefício é muito bom. Porém, aliando preço e desempenho, o concorrente mais próximo é o Civic Si (R$ 164.900). Enquanto o cupê de duas portas da Honda tem proposta mais esportiva, oferecendo apenas câmbio manual, o Jetta GLI oferece o conforto e a comodidade de um sedã, com a vantagem de entregar desempenho superior e por um custo menor.

Leia mais sobre o VW Jetta GLI
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