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Luxo está em alta

Comercialização de apartamentos acima de R$ 1 milhão teve aumento de 5,6% no primeiro bimestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado


postado em 27/04/2019 05:15

Estrutura, tamanho e localização são as principais características desse tipo de imóvel(foto: RKM/divulgação)
Estrutura, tamanho e localização são as principais características desse tipo de imóvel (foto: RKM/divulgação)

O mercado imobiliário de luxo cresce consideravelmente. Pesquisa do Instituto Data Secovi, da Câmara do Mercado Imobiliário e do Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), mostra que a comercialização de apartamentos acima de R$ 1 milhão na capital mineira registrou crescimento de 5,6% no primeiro bimestre deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado. Foram vendidos 165 apartamentos acima desse valor em janeiro e fevereiro deste ano.
Elegância, sofisticação e localização diferenciada são os atrativos que permeiam a mente de quem investe nesse tipo de residência. “Esse público de alto luxo está no topo da pirâmide, bem acima da média nacional. Um mercado em geral bem definido e específico”, comenta Marcos Paulo Alves, diretor técnico da PHV Engenharia.
Belo Horizonte tem uma grande demanda no setor de alto luxo, apesar das poucas ofertas de lançamentos ao ano. “Percebemos que os imóveis acima de R$ 1 milhão continuam tendo um mercado muito forte. Com localização privilegiada, esses imóveis garantem ao cliente uma qualidade de moradia, atendendo à demanda de conforto e segurança”, afirma Cássia Ximenes, presidente da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG).  
Segundo ela, bairros tradicionais, como Funcionários, Anchieta, Santo Antônio e Gutierrez, são os mais procurados, mas há poucos lotes disponíveis para as incorporadoras. “Quando pegamos um lote, temos de pensar em várias situações, desde a demanda da região e sua vocação. Por isso, esses grandes residenciais têm maior liquidez e há demanda para eles”, explica.
Adriana Bordalo, diretora da RKM Engenharia, frisa que, apesar da retração econômica vivida no país nos últimos anos, o mercado dos imóveis de alto padrão é menos impactado na crise. “Não sentimos um impacto muito forte em relação às vendas. Nosso investimento continua. Principalmente imóveis com maior liquidez, que são menos impactados pela situação econômica do país”, diz. A diretora explica que são realizadas pesquisas de mercado para identificar pontos como o potencial frequentador, desde a faixa etária até a faixa de renda, e características locais da região. “Até mesmo itens como design e tipo de acabamento da preferência desse público são verificados”, conta.
Após a leitura de todas essas informações é possível definir se o empreendimento planejado vai suprir as necessidades e demandas da região e da população local e se ele tem algum diferencial de mercado que o fará ser vendável ou locável, direcionando futuros lançamentos. “Fizemos uma pesquisa no fim de 2018 no Bairro Funcionários e a maior demanda de imóveis é para imóveis com mais de 400 metros quadrados”, pontua.
Marcos Paulo diz que, além de conforto e espaço, os moradores dos imóveis luxuosos prezam por área de lazer completa e que os atenda, e que a localização seja próxima a centros comerciais e de serviços. “É um mercado em que compensa investir. O tíquete médio de um apartamento de alto padrão pode equivaler a mais de 10 apartamentos populares. O tíquete é muito elevado e é um mercado que veio para ficar, sendo evidente o valor agregado.”
A tendência atual no mercado de luxo é a denominada “mansão vertical”. Unidades residenciais com amplo espaço interno e espaços de conveniência e conforto, com alto nível de sofisticação. “É algo novo na questão de segurança e praticidade no alto padrão. Muitas pessoas que moram em casas estão querendo uma vida mais consciente e os gastos nesses apartamentos levam isso em conta”, explica Bordalo.

FUTURO Na capital mineira, há uma carência de terrenos grandes para construção em áreas bem localizadas por causa da dificuldade e burocracia na aprovação de projetos. Cássia Ximenes explica que a falta de terrenos faz com que as construtoras e incorporadoras invistam em regiões fora de Belo Horizonte – destaque para Nova Lima e região do Vale do Sereno. “O perfil da classe média ainda impactada pela crise traz consequências, e em função da baixa oferta de imóveis e terrenos nesse perfil ocorre migração para as cidades vizinhas, desestimulando o investimento na capital”, frisa.
Situação que pode ser agravada se o novo Plano Diretor de Belo Horizonte for aprovado, segundo os empresários. Com a nova medida, a prefeitura poderá direcionar a expansão da cidade para áreas de maior capacidade de suporte, dando o poder de inibir ou incentivar construções de acordo com as necessidades da cidade. O setor considera que a outorga onerosa do direito de construir vem em uma hora equivocada. “Há um equívoco no novo plano, se for aprovado será um caos”, comenta Adriana Bordalo.
Cássia Ximenes espera que os representantes na Câmara e os gestores municipais enxerguem a cidade para o futuro, como um todo, atendendo às novas exigências do consumidor. “É preciso pensar nos efeitos de um Plano Diretor ao longo do tempo. Nós vamos passar em algum momento, a cidade vai ficar e com ela as novas gerações.”

* Estagiário sob a supervisão da editora Teresa Caram


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