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Estado de Minas ANTÁRTIDA

Visite antes que derreta

com Urgência em conhecer lugares ameaçados pelas mudanças climáticas, como a Antártida, turistas ricos aventuram-se em cantos remotos do planeta a bordo de cruzeiros de luxo


postado em 10/12/2019 04:00

Expedição percorre a costa de Orne Habour, nas Ilhas Shetland do Sul, na Antártida (foto: Johan ORDONEZ/AFP )
Expedição percorre a costa de Orne Habour, nas Ilhas Shetland do Sul, na Antártida (foto: Johan ORDONEZ/AFP )
Nem palmeiras, nem areia fina... Corpos seminus mergulham na água gelada na frente de pinguins: horizonte fora de alcance, a Antártida tornou-se um playground para turistas, correndo o risco de precipitar sua metamorfose. Aproveitando a sede de novidades de uma clientela abastada e tomado de um sentimento de urgência em descobrir países ameaçados pela perturbação climática, os cruzeiros se aventuram em cantos cada vez mais remotos e selvagens.
 
Continente de todos os superlativos – o mais frio, mais ventoso, mais seco, mais remoto, mais deserto, mais inóspito –, a Antártida, ao mesmo tempo estéril e borbulhante de vida, é hoje um destino privilegiado. Para muitos, é a última fronteira. Uma fronteira que deve ser alcançada a todo custo, antes que desapareça na sua forma atual.
Botes nas águas geladas levam os turistas até o continente(foto: Johan ORDONEZ/AFP )
Botes nas águas geladas levam os turistas até o continente (foto: Johan ORDONEZ/AFP )
 
 
"É como uma facada." Em seu maiô, Even Carlsen emerge de uma água a 3°C na Ilha Half Moon, na ponta da península antártica.
Ao redor, blocos de gelo em forma de panela, de origami ou até anfiteatro flutuam, fotogênicos. Na costa, uma equipe médica assiste à cena. "Não é uma praia típica, mas é genial", acrescentou o barbudo norueguês de 58 anos, após um "mergulho polar" sob o paralelo 62. Ele é um dos 430 passageiros do Roald Amundsen, o primeiro navio de cruzeiro com motor híbrido do mundo a atravessar o Oceano Antártico apenas alguns meses depois de deixar o estaleiro.
 
Das jacuzzis aquecidas, hóspedes observam as geleiras (foto: Johan ORDONEZ/AFP )
Das jacuzzis aquecidas, hóspedes observam as geleiras (foto: Johan ORDONEZ/AFP )
 
Espera-se que cerca de 78 mil pessoas visitem o continente entre novembro e março, segundo a Associação Internacional de Operadores de Turismo Antártico (Iaato). Um salto de 40% em relação à temporada anterior, devido, em parte, à passagem rápida pela região de alguns novos navios transportando mais de 500 passageiros e que, portanto, não podem desembarcar, de acordo com as regras estabelecidas pela Iaato. "Alguns diriam que 80 mil pessoas nem sequer lota um estádio de futebol e que não é grande coisa se comparadas às 275 mil pessoas que visitam Galápagos todos os anos", aponta a porta-voz da associação, Amanda Lynnes. "Mas a Antártida ainda é um lugar especial, que deve ser gerenciado como tal", diz ela.
 
O léxico foi habilmente reformulado. Não se fala mais de "passageiro", mas de "convidado", nem de "cruzeirista", mas "explorador". "Exploradores" geralmente mais velhos, muitas vezes aposentados, que viajaram muito e que agora tomam seus bastões de marcha para desvendar o sexto continente. "Meu 107º país", diz um dinamarquês ao pisar em terra. "Convidados" mimados que, no Roald Amundsen, têm a opção entre três restaurantes, desde comida de rua até a mesa mais seleta. O glorioso aventureiro norueguês, que deu seu nome ao barco, teve que comer seus cães de trenó para conquistar o polo sul, em 1911. "Exploradores", finalmente, com certa riqueza, capazes de pagar 7 mil euros cada um por um cruzeiro de 18 dias, em uma cabine de nível básico. E até 25 mil euros para a suíte com terraço privativo e jacuzzi.
 
Algumas companhias apostam no ultraluxo, com navios à la James Bond transportando helicópteros e submarinos, suítes de mais de 200 metros quadrados e serviços de mordomo. Com um hidroavião como bônus, o megaiate SeaDream Innovation fará cruzeiros de 88 dias a partir de 2021. As duas suítes mais caras, a 135 mil euros por pessoa, já estão reservadas.

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