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Estado de Minas

Selfies mortais

Cada vez mais comuns, autorretratos representam sérios riscos. No desejo de registrar um passeio, usuários, munidos de seus smartphones, perdem a noção do perigo ao redor


postado em 30/07/2019 04:15


 
 
Em busca da foto perfeita, jovens arriscam a própria vida em selfies próximas a penhascos, no topo de prédios, em frente de animais selvagens e tantos outros cenários perigosos. A febre do mundo contemporâneo parece não alertar os usuários sobre esses riscos. O desejo da ‘geração smartphone’ é alimentar as redes sociais e deixar informados, quase em tempo real, o séquito de seguidores. Nem que para isso a própria vida seja o preço da exagerada exposição.
 
E os dados assustam. O hábito de tirar selfies provocou 259 mortes e 137 incidentes entre os anos de 2011 e 2017, segundo pesquisa feita pela US National Library of Medicine. Sendo 32% dos casos relacionados às quedas de grandes alturas. Os afogamentos também chamam a atenção: 29% das mortes por selfies aconteceram assim e foram concentradas, primordialmente, na Índia.
 
Em 2015, uma pesquisa da Samsung em parceria com a consultoria Antennas Business garantiu que 90% dos brasileiros já fizeram alguma selfie. Inclusive, 58% deles dizem posar para os autorretratos diariamente. Ainda em 2015, outro levantamento, feito pelo site de tecnologia Mashable apontou um dado curioso e alarmante: o número de mortes causadas por selfies, naquele ano, foi maior do que as causadas por ataques de tubarões.
Apesar de o Brasil não figurar entre os países com mais acidentes, é preciso cuidado. No último dia 15, dois jovens morreram afogados na Cachoeira da Farofa, na Serra do Cipó, em Santana do Riacho, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Uma testemunha, que chamou os bombeiros, informou que as vítimas estavam tirando foto sobre as pedras quando escorregaram e caíram em “uma parte bastante profunda e suficiente para se afogar”, segundo a corporação.
 
“Tem gente que acaba perdendo o limite do tolerável. A pessoa precisa ficar perto das pedras seguras, não tentar ir para o meio em lugares mais fundos se não sabe nadar bem, não se expor demais”, alerta o tenente Sandro Aloisio Matilde Júnior. Ele acredita que a busca por curtidas nas redes sociais expõe as pessoas a esse tipo de risco: “Vivemos em uma sociedade em que a imagem está cada vez mais relevante. As pessoas querem a melhor foto e perdem a noção do perigo”. O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais atendeu a 400 ocorrências de afogamento até maio. Em 2018, foram 937 casos, e 835 em 2017.
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Exposição perigosa Além dos acidentes, as selfies têm alterado a maneira como o ser humano contemporâneo se enxerga. A busca por aceitação e reconhecimento, por meio dos autorretratos, pode demonstrar certa insegurança e desejo de atenção. Essa é a opinião do psicólogo e mestre em análise do comportamento Gustavo Teixeira. “O excesso de selfies pode trazer complicações para o indivíduo, a partir do momento em que gera sofrimento e atrapalha outras atividades”, ressalta. Ainda segundo o especialista, a sociedade
contemporânea tem optado pelo autorretrato para buscar um reconhecimento social, que faz parte da vaidade humana. “É o desejo de atenção, de manter contato com outras pessoas, de ver e também ser visto. As pessoas estão aguardando as curtidas, compartilhamentos, ou seja, as consequências do mundo digital, principalmente os adolescentes”, conta.

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