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Estado de Minas

Arcos da rebeldia

Icônico viaduto de BH serviu de 'batismo' para escritores da cidade comprovarem atos de coragem


postado em 16/07/2019 04:11

Por esses arcos, jovens da geração da %u2018rapaziada desatinada%u2019 arriscaram suas vidas em nome de atos de bravura (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Por esses arcos, jovens da geração da %u2018rapaziada desatinada%u2019 arriscaram suas vidas em nome de atos de bravura (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)


No último dia 5, uma cena chamou a atenção de quem passava pelo Viaduto de Santa Teresa, que liga o Centro aos bairros Floresta e Santa Tereza. No alto do icônico arco da cidade,  um rapaz se equilibrava enquanto fotografava com o seu celular a paisagem ao redor. A cena perigosa, que não deve de forma alguma ser copiada, nos fez lembrar dos relatos de outros alpinistas urbanos que, no passado, subiram no cartão-postal da capital mineira.
 
Desde a inauguração, em 1929, caminhar sobre os arcos do viaduto de Santa Teresa era sinônimo de rebeldia. O jornalista Humberto Werneck relatou em seu livro O desatino da rapaziada,  que o poeta Carlos Drummond de Andrade foi precursor do alpinismo urbano na capital mineira: “Uma noite, quando se equilibrava no ponto mais alto do arco do viaduto, Drummond recebeu voz de prisão, e desafiou o guarda a ir prendê-lo nas alturas. O homem julgou mais prudente relaxar a prisão”. Anos mais tarde, já em 1945, os chamados quatro cavaleiros do Apocalipse – composto pelos escritores Fernando Sabino, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e Hélio Pellegrino – também se equilibraram pela estreita faixa de concreto com menos de um metro de largura. Desde então, ficaram conhecidos como “poetas alpinistas” ao imitar o feito do grande poeta brasileiro.
 
Da vida real para literatura, o escritor Fernando Sabino fez questão de registrar esse feito no livro Encontro marcado. O personagem Eduardo Marciano e três amigos, que seriam o próprio Sabino, Otto, Hélio e Paulo Mendes Campos, sobem nos arcos do viaduto. O escritor revela: "…(rezava a tradição) um poeta (um grande poeta) havia feito aquilo antes para se divertir. No seu tempo, subia às três da tarde, depois de tomar apenas um copo de leite". Nada lembra a euforia dos três personagens do livro. Embalados por excesso etílico e pela coragem, ele e os amigos se arriscam a cair entre os trilhos da linha férrea, bem abaixo do viaduto.

24 horas de cultura E outro encontro marcado ocorre neste fim de semana no local. A edição Virada Cultural 2019 vai levar para o viaduto uma extensa programação musical e dança que variam entre rock, raggae, hip-hop, black music, e rap. E ao visitar o local, não tem como passar despercebido o mural pintado no paredão do Edifício Garagem São José, que traz duas mulheres nuas dançando, representando a força e a liberdade da figura feminina, assinado pela artista argentina Milu Correch.
 
História

Um dos símbolos da cidade de Belo Horizonte, o Viaduto Santa Teresa foi construído em 1929 para ligar o bairro Floresta ao Centro de BH. O projeto do engenheiro Emílio Baumgart, um dos principais profissionais naquela época no Brasil, tem 390 metros de extensão e foi um dos primeiros do país a utilizar concreto armado em sua estrutura. A obra, custeada pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, deu o que falar desde o seu início devido à sua magnitude e ambição: o viaduto tem 13 metros de largura, 14 de altura, e em seu arco parabólico foram consumidos 700 metros cúbicos de concreto. E desde a sua inauguração, em setembro daquele ano, o viaduto é uma das principais construções da capital mineira. 

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