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Estado de Minas

Experiências ao ar livre


postado em 23/04/2019 06:22

"Passarinhar" é também uma chance de admirar a mata e seus habitantes selvagens. (foto: Trijunção/divulgação)



As incursões para conhecer o cerrado podem ser feitas de várias formas, por experiências guiadas e até passeios em bicicletas pelas estradas. As caminhadas matutinas para ver e fotografar aves, uma atividade que tem sido classificada como “passarinhar”, é uma chance de admirar a mata e seus habitantes selvagens. A amplitude da fazenda Trijunção é de tirar o fôlego. São 33 mil hectares, onde encontram abrigo 4,7 mil espécies de animais, entre anfíbios, répteis, pássaros e mamíferos, numa área que tem ainda mais de 13 mil espécies de plantas. “Temos uma diversidade impressionante de aves. São 210 espécies catalogadas, como as araras. Mas o astro é mesmo o lobo-guará. Temos uma parceria com a ONG Onçafari para a pesquisa e a preservação desse animal e, com sorte, os visitantes podem encontrar um deles durante nossos passeios”, disse o biólogo Luciano lima, coordenador de biodiversidade e sustentabilidade do Grupo AlmaA.

Segundo o biólogo, os planos são de ampliação das parcerias para monitorar as onças pardas e pintadas que vagam pelo cerrado, mas são ainda mais arredias aos olhares dos visitantes – o que pode mudar com a colocação de rastreadores pelos pesquisadores.

O circuito da experiência de observação dos pássaros pode ser mais curto (3 quilômetros), por uma estrada arenosa e muito plana; médio (5 quilômetros); e longo (10 quilômetros). Tudo depende da disposição do explorador. O melhor horário para observar os animais é durante as primeiras horas da manhã, quando o sol está mais baixo e os bichos se encontram em plena atividade. A cada curva, uma surpresa camuflada entre folhagens e espinhos. Assim, quase que ao perceber um movimento diferente do balançar das folhagens ao vento que se identifica a camuflagem da pequena maria-corruíra (Euscarthmus rufomarginatus), uma ave de plumas marrom como o solo e cinza como os galhos das árvores. O seu chiado característico já não é ouvido em muitos cerrados, como o de São Paulo, onde foi praticamente extinta. Por todo o país, a espécie é ameaçada de extinção, mas na Trijunção ainda caça insetos e sobrevive fugindo das aves de rapina predadoras, como os carcarás.

Técnicas Aves mais preocupadas com sua luta diária pela subsistência ou acasalamento não escapam das técnicas do biólogo, acostumado a circular por aquelas terras. Conhecedor de seus hábitos, Luciano amplia em muito a chance de o visitante conseguir a tão desejada fotografia das araras ou de pássaros mais exóticos. Se, ainda assim, não for possível avistar a ave sorrateira, ele lança mão de mais um de seus expedientes. A tiracolo, traz um gravador que toca pios e cantos desses animais, fazendo com que de repente se aproximem, curiosos ou apenas ciosos em defender seus territórios de caça e reprodução de invasores. A versão noturna desse passeio, o ecossafári noturno, é realizada sobre veículos tracionados e precisa do auxílio de canhões de luz para avistar os predadores e animais furtivos que habitam a noite do cerrado. Sob um manto escuro de estrelas e o luar prateado delimitando a estrada e as matas aparecem veados, tamanduás, jaguatiricas e outros animais noturnos.

Outra oportunidade de encontro de animais num clima de diversão e de forma a aplacar o calor é nos passeios de bote inflável e caiaque na vereda onde nasce o Rio Formoso. O lago de águas límpidas e geladas se ondula com os ventos sobre a sua superfície e convida o visitante a um mergulho refrescante em suas águas. As veredas da região são oásis nessa terra árida de sol inclemente. São marcos inspiradores que povoam a obra literária de Guimarães Rosa. A visão ao longe dos buritis, uma espécie alta de palmeira, trazia alívio aos viajantes por terem certeza de poder aplacar sua sede.


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