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Estado de Minas

Desbrave o cerrado

No universo de Guimarães Rosa, o sertão é povoado com onças, cobras, tatus, tamanduás e pássaros. Pousada na junção de três estados remete ao local de descanso dos tropeiros durante a travessia


postado em 23/04/2019 06:19

Isolamento da região permite desbravar as riquezas da fauna e flora. (foto: Mateus Parreiras/em/d.a press)
Isolamento da região permite desbravar as riquezas da fauna e flora. (foto: Mateus Parreiras/em/d.a press)



“Passado o Porto das Onças, tem um fazendol. Ficamos lá umas semanas, se descansou. Carecia. Porque a gente vinha no caminhar a pé, para não acabar os cavalos, mazelados. Medeiro Vaz, em lugares assim, fora de guerra, prazer dele era dormir com camisolão e barrete; antes de se deitar, ajoelhava e rezava o terço. Aqueles foram meus dias. Se caçava, cada um esquecia o que queria, o de-comer não faltava, pescar peixe nas veredas... O senhor vá lá, verá. Os lugares sempre estão aí em si, para confirmar.” Nas palavras do jagunço Riobaldo, protagonista de Grande sertão: veredas, um momento de descanso e desfrute que a tropa encontrou no meio selvagem. Tão singular e intensa era a natureza que, mesmo cansados de suas batalhas e marchas, os personagens da mais difundida obra de Guimarães Rosa punham-se a admirar o cerrado. As veredas, o luar do sertão, os pássaros magníficos e as onças, como as da literatura roseana, povoam as experiências de quem se hospeda na Pousada Trijunção, uma ilha de aconchego cercada de cerrado por todos os lados.

A pousada fica na região da tríplice divisa dos estados de Minas Gerais, Goiás e Bahia. Mas a sede, mesmo, está situada no município de Cocos, na Bahia. E as possibilidades de passeios e atividades partem da própria pousada, uma vez que qualquer pessoa sozinha teria de andar por quilômetros para encontrar qualquer marca de civilização. E esse isolamento é o que garante atrativos dificilmente encontrados em outras partes, como os safáris fotográficos com encontros de animais selvagens como onças-pintadas, onças-pardas, tatus, tamanduás e veados.

Essa composição selvagem cria um clima capaz de transportar o visitante para o interior do imaginário de Guimarães Rosa, com os descansos dos pousos das tropas de jagunços, as fazendas do sertão e uma culinária inspirada no épico e nas riquezas do ambiente que cerca a hospedagem.

A aventura já começa no deslocamento para a pousada. Para usufruir do isolamento é preciso singrar o cerrado, venha o visitante de qualquer um dos três estados que circundam a propriedade. Quem vai de carro precisa encarar estradas de terra e estar munido de um bom GPS ou de mapas para não se perder nessa intrincada rede de passagens e acessos rurais a fazendas e povoados. De Brasília, por exemplo, os cerca de 350 quilômetros se desdobram exigindo mais de cinco horas de deslocamento. De Belo Horizonte, 12 horas. Goiânia, nove horas. Salvador, 18 horas.

Mas a forma mais cômoda de se chegar com rapidez bem no meio do cerrado é por meio de serviços de fretamento de voos que a própria pousada pode intermediar, tornando o deslocamento de Brasília, por exemplo, num agradável sobrevoo de apenas 30 minutos. De quebra, uma visão panorâmica das grandes fazendas de soja, das impressionantes lagoas que brotam das veredas e das montanhas que delimitam nitidamente o Planalto Central das terras mais baixas de Minas Gerais e da Bahia.

O pouso é numa pista de terra muito bem conservada e demarcada pertencente à Fazenda Trijunção, que é onde fica a pousada. Uma equipe da hospedagem busca os hóspedes e suas bagagens, levando cerca de 20 minutos para chegar até a pousada. Nas caminhonetes usadas nesse deslocamento, pode-se seguir embarcado na cabine, com ar-condicionado, ou começar a aventura nos bancos da estrutura coberta da carroceria, na qual temperatura do sol do sertão e o perfume da natureza, seja de terra molhada pela chuva, seja das flores e plantas, dão boas-vindas aos visitantes.

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