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Estado de Minas

Confira onde rezar e se emocionar no feriado da semana santa

Durante o feriado religioso, a representação dos últimos dias de Jesus Cristo na Terra é celebrada com devoção em várias partes do mundo. Em Minas, tradição, cultura e religião comungam a fé


postado em 02/04/2019 05:08 / atualizado em 03/04/2019 10:32

Em Diamantina, encenação é feita com a presença de 50 atores caracterizados de soldados romanos(foto: JOSÉ LEÔNIDAS/DIVULGAÇÃO)
Em Diamantina, encenação é feita com a presença de 50 atores caracterizados de soldados romanos (foto: JOSÉ LEÔNIDAS/DIVULGAÇÃO)

 

Turismo religioso ganha força na Semana Santa ao atrair milhares de fiéis à diversas cidades do país e no exterior. Em Minas, comemoração é uma tradição de quase três séculos 

Retiro espiritual


A semana santa, do domingo de Ramos até o domingo de Páscoa, é a data mais importante do calendário litúrgico da Igreja Católica. O Brasil, com a maior população de católicos do mundo, revive, nos quatro cantos do país, todo o sofrimento vivido por Jesus: do calvário à crucificação e, depois, a ressurreição.

Encenação da semana santa em Sabará atrai visitantes de todas as partes(foto: JUAREZ RODRIGUES/EM)
Encenação da semana santa em Sabará atrai visitantes de todas as partes (foto: JUAREZ RODRIGUES/EM)

Rumo ao interior, mais especificamente às cidades históricas mineiras, é que se vê a força das tradições católicas – costumes preservados desde a época do período colonial. Durante quatro dias, milhares de fiéis buscam o contato direto com o divino. Entre homilias, penitências, vigílias, missas e procissões luminosas, o ritual religioso é celebrado nas ruas e vielas estreitas das cidades históricas, ao som de cânticos melancólicos intercalados pelas badaladas dos sinos das igrejas barrocas de Ouro Preto, Mariana, Congonhas, Tiradentes, Sabará, São João del-Rei e Diamantina.
Caminho da fé e da cultura – esse é tema da semana santa, em Belo Horizonte, que quer se transformar, a partir deste ano, em capital religiosa de cerimônias alusivas à Paixão de Cristo e atividades culturais. Em Araxá, ocorre o maior evento temático em comemoração à data religiosa no Brasil. Realizada pela Rede Tauá de Resorts e pelo Ministério do Turismo (Mtur), a 6ª edição da Páscoa Iluminada pretende atrair um público em torno de 30 mil pessoas.


Fora de Minas Gerais, Aparecida é o principal destino de viagens religiosas do Brasil. A cidade paulista deve atrair milhares de romeiros. O mesmo ocorre em Nova Jerusalém. Localizada no município de Brejo da Madre de Deus, agreste de Pernambuco, a 160 quilômetros do Recife, a cidade deve receber cerca de 60 mil pessoas para assistir ao espetáculo da Paixão de Cristo no maior teatro ao ar livre do mundo, de 13 a 20 de abril. E no Vaticano, o papa Francisco preside inúmeras celebrações na Basílica de São Pedro durante o feriado santo.

Espetáculo de encher os olhos

Projeção de luzes, formas e cores na fachada do Castelo de Araxá encanta (foto: Carlos Altman/EM)
Projeção de luzes, formas e cores na fachada do Castelo de Araxá encanta (foto: Carlos Altman/EM)

Páscoa Iluminada, em Araxá, encanta com show de cores, luzes  e grandes sucessos da música brasileira, espanhola e italiana

Emocionar-se profundamente com um espetáculo dedicado à Páscoa mesmo não sendo religioso. A exuberância trazida pelo evento Páscoa Iluminada, realizado no Tauá Grande Hotel Termas de Araxá até 21 de abril, é capaz de tocar o coração até daqueles que bocejam logo quando a missa começa. Por um lado, o show Jesus: paixão, vida e luz chama a atenção pela projeção de cores na fachada do histórico resort, construído a mando de Getúlio Vargas. Do outro, o Cantare Lago Show faz os hóspedes se sentirem, com certa dose de exagero deste repórter sensibilizado pela atração, na abertura das Olimpíadas de Barcelona, em 1992, quando o britânico Freddie Mercury e a catalã Montserrat Caballé marcaram a história da música com um dueto histórico.


Em sua 6ª edição, a Páscoa Iluminada 2019 tem como principal novidade as exibições do tenor Márcio di Freitas e da soprano Anna Kássia Neves, protagonistas do Cantare Lago Show. Eles entoam, no Lago do Barreiro, dentro do Grande Hotel Araxá, sucessos da música brasileira, espanhola e italiana. Atrás dos artistas, uma cortina d’água compõe o cenário do show. Ela reflete luzes oriundas de um projetor posicionado do outro lado da margem, o que cria um contexto apaixonante e, ao mesmo tempo, levemente religioso. Para complementar, dois artistas, de dentro de um barco, fazem a ligação entre uma canção e outra. Ao final, é impossível não aplaudir, de pé, o talento dos cantores ali presentes.
Impacto e muita empolgação estão nos olhos de quem acompanha o espetáculo Jesus: paixão, vida e luz. O show conta a história de Cristo a partir da projeção de luzes sobre a fachada do Grande Hotel e de um teatro que pode ser visto e ouvido até por quem está mais ao fundo na plateia. Ao final, fica a curiosidade sobre como todas aquelas cores são direcionadas às paredes do imenso castelo de Araxá.
“Primeiro, a gente faz uma modelagem do prédio, em 3D mesmo. A partir disso, utilizamos aquele desenho como máscara, fazendo vários outros cenários por meio daquela modelagem-base. No fim, a gente gera um vídeo, recorta os frames e projetamos no prédio. É um processo de animação, igual a gente vê no cinema”, conta o designer gráfico Brayhan Hawryliszyn, responsável pela empresa de projetos gráficos MIR. Toda a produção dos dois shows da Páscoa Iluminada envolveu cerca de 15 funcionários, entre ilustradores, designers, animadores, equipe de som e produtores musicais.

Passeio pela década de 1940

(foto: Carlos Altman/EM)
(foto: Carlos Altman/EM)

O Grande Hotel e Termas de Araxá é conhecido por ser o maior spa de águas sulfurosas e radioativas do Brasil

O arquiteto Luiz Signorelli, o paisagista e pintor Roberto Burle Marx e o ex-presidente da República Getúlio Vargas. A participação direta de três personalidades deste tamanho na construção do Grande Hotel Araxá já deixa claro que se trata de um local de muita tradição. Ao percorrer os corredores, a cada canto que se olha é possível ver colunas imponentes, o que impressiona quem acaba de fazer o check-in. Nos salões internos, o visitante passeia pela década de 1940, como se vivesse um flashback de Hollywood.


No 2º andar, estão as suítes presidenciais, onde a imponência é substituída pelos anseios de Vargas. Móveis e louças são feitos sob medida, tudo para atender à (pouca) altura do ex-presidente, que media apenas 1,63 metro. Em um dos banheiros, uma mesinha chama a atenção dos hóspedes. Trata-se de mais um desejo do então político, que exigiu um local para despachar.


O luxo também se une ao descanso. As águas termais características do hotel são acompanhadas de mais um ótimo atendimento dos funcionários do resort. Por lá, o banho de lama é uma boa opção para quem quiser se sentir revigorado. Ao sair das banheiras, depois de uma hora de muito relaxamento, você sente como se voltasse de um mês de férias diante de tamanha reenergização. A terapia dura uma hora e é o tratamento ideal para artrite, artrose, bursite, problemas de pele e inflamações. Os serviços não estão inclusos nas diárias.

Atendimento
O radical do verbo que inicia este texto também pode ser lido nos crachás das centenas de funcionários do Tauá, os emocionadores, que oferecem o melhor que há em termos de atendimento. Mesmo em uma estrutura da década de 40, o hóspede não sofre com qualquer tipo de mofo ou poeira. A limpeza é impecável. Na saída, as filas que sempre dão dor de cabeça no check-out, podem ser evitadas na palma da mão. O aplicativo Tauá Resorts, disponível nas principais lojas on-line, permite que o cliente pague o consumo nos bares e restaurantes no cartão de crédito, sem precisar ir à recepção.
A dedicação chega também à cozinha, comandada pelo chef Sebastião Torres. São quatro refeições: café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar. Impossível não ganhar uns quilinhos. No almoço, a opção é pelo trivial, enquanto na janta diferentes culinárias são contempladas. A versatilidade passa pela França, Itália, Espanha e até pelo Oriente Médio. Pratos mineiros também aparecem, principalmente para agradar a quem vem de fora do estado.
Tamanho número de opções força o chef Torres a incrementar o número de cozinheiros durante a Páscoa, quando a demanda aumenta bastante. Segundo ele, o aumento na quantidade de funcionários chega a 30% durante a semana santa, na alta temporada, justamente para atender à variedade de pessoas. “Em 10 anos, três em cada 10 clientes serão naturalistas e veganos. Está crescendo muito. Há também o contraponto das alergias, que cresceram muitos. Com isso, a culinária vegana é uma preocupação nossa”, conta.


* O repórter Gabriel Ronan  viajou a convite da Rede Tauá de Hotéis


Louvor histórico

As igrejas barrocas e ladeiras de pedras de cidades mineiras como Ouro Preto, Mariana, Congonhas e  Diamantina serão palco, na semana santa, de missas, procissões luminosas e dos tradicionais motetos, cantos em latim que dão um ar ainda mais solene à celebração religiosa

Cidade dos anjos

(foto: Gladyston Rodrigues/EM)
(foto: Gladyston Rodrigues/EM)

Reconhecida como patrimônio da humanidade, Ouro Preto recebe um número maior de turistas brasileiros e do exterior na semana santa. A exemplo de outros municípios mineiros nascidos nos tempos coloniais, a antiga Vila Rica tem suas particularidades: as paróquias de Nossa Senhora da Conceição, do Bairro Antônio Dias, e a de Nossa Senhora do Pilar se revezam na organização das cerimônias da Paixão de Cristo – no ano ímpar, a primeira; no par, a segunda. A paisagem colonial, com seu casario e monumentos, se torna um espetáculo à parte, com o Centro Histórico emoldurado pela luz das velas que os fiéis carregam durante os cortejos. No domingo de Páscoa, os tapetes coloridos e os anjos dominam as ruas por onde passará a procissão da ressurreição. Materiais como serragem, borra de café, farinha e areia se transformam em encantamento pelas mãos da comunidade e de visitantes.

Paixão  de Cristo
Mariana, com mais de 320 anos de existência, tem uma das celebrações mais tradicionais de Minas – a procissão das almas, na madrugada de sexta-feira da Paixão, em que fiéis se cobrem com túnicas brancas e carregam velas pelas ruas do Centro Histórico. No domingo de Páscoa, a cidade se enche de cores. As ruas são enfeitadas e as janelas decoradas com colchas de retalhos, toalhas bordadas e vasos de flores. Os sinos anunciam o início da procissão, formada por crianças vestidas de anjo passando por ruas cobertas por tapetes de serragem. O palco principal das festividades é a Catedral da Sé e a Praça Minas Gerais, que conta com bailes, shows, malhação do Judas e os tapetes de flores e serragens coloridas.

Patrimônio  festivo
As cerimônias da semana santa em Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, a 292 quilômetros de BH, são marcadas pela devoção popular, tradição dos atos solenes e presença da guarda romana, que, de tão importante na história da cidade, foi registrada como bem imaterial do patrimônio local. Vale a pena viajar à terra de JK e Chica da Silva para ver o grupo portando escudos e batendo as alabardas (arma antiga composta por uma longa haste) no chão, gerando um som que rompe o silêncio da noite. Na via-sacra, com encenação da Paixão de Cristo nas ruas, os mais de 50 soldados, fazendo o papel de guarda romana, acompanham Jesus nas cerimônias da condenação, enterro e ressurreição. Reconhecida como patrimônio cultural da humanidade, Diamantina tem muitas atrações para os visitantes, como o antigo mercado, as igrejas, o passadiço da Glória, os sobrados surgidos na época da mineração do diamante e distritos com um passado muito rico de histórias. Portanto, do domingo de Ramos ao de Páscoa haverá tempo suficiente para conhecer lugares que encantam. A queima do Judas é outro atrativo.

Turismo cultural

São João del-Rei e Tiradentes disputam o título de celebração de Páscoa mais emocionante em Minas. Mas Belo Horizonte não quer deixar por menos e deseja se transformar, a partir deste ano, na capital da fé no estado. Dom Walmor, arcebispo metropolitano de BH, acredita que, ao unir espiritualidade e cultura, a capital poderá atrair muitos visitantes, pois vai recriar tradições que estão enraizadas na cultura dos mineiros e mostrar a beleza dos ritos

Encontro com a fé

(foto: EMMANUEL PINHEIRO/EM/D.A PRESS)
(foto: EMMANUEL PINHEIRO/EM/D.A PRESS)

Fé, cânticos em latim e ritos que atravessam os séculos, sem perder as tradições e a devoção popular. Em São João del-Rei e Tiradentes, na região do Campo das Vertentes, a semana santa é um período de reflexão e também de muita beleza, com missas solenes acompanhadas por 25 padres, corais, orquestras e integrantes das irmandades religiosas nascidas no século 18. Entre os eventos estão a procissão do encontro, a cerimônia do lava-pés, a encenação da crucificação e morte de Jesus, o descendimento da cruz e a ressurreição. Além das missas e encenações, as ruas do Centro Histórico são enfeitadas com detalhado tapete de serragem, que é confeccionado pelos moradores e visitantes. Para quem nunca esteve na cidade, vale a pena participar do ofício das trevas, que ocorrerá na catedral nos dias 17 (quarta), 19 (sexta-feira) e 20 (sábado) com a presença da Orquestra Ribeiro Bastos e do Coral Gregoriano da Associação dos Coroinhas de Dom Bosco.

Tradição secular
Na vizinha Tiradentes, distante 15 quilômetros de São João del-Rei, os visitantes vão encontrar muitas cerimônias que remontam igualmente aos tempos coloniais e têm como ponto de partida ou chegada a Matriz de Santo Antônio, no Centro Histórico. A charmosa localidade mineira ostenta uma semana santa com tradições de três séculos. As celebrações duram 19 dias. Tudo começa com a via-sacra, amanhã, e termina no domingo de Páscoa (21 de abril), com a procissão do Santíssimo Sacramento pelas ruas do Centro Histórico. Os passos, pequenos altares construídos no século 18, ficam fechados durante a maior parte do ano, mas abrem suas portas durante as procissões de Ramos e das Dores. Um dos eventos mais movimentados é a missa solene na igreja matriz, na quinta-feira, quando ocorre a cerimônia do lava-pés. No domingo de Páscoa, os moradores decoram suas janelas com toalhas bordadas, que mudam a paisagem da cidade.

Entre serras: da Piedade ao Caraça

(foto: Beto Novaes/EM)
(foto: Beto Novaes/EM)

No município de Caeté, encontra-se a menor basílica do mundo, a igreja da padroeira de Minas Gerais, que integra o complexo arquitetônico do Santuário Nossa Senhora da Piedade. Durante toda a semana santa está programada uma série de missas e vigílias e vale também destacar a “encomendação das almas”, quando os moradores, em procissão, rezam pelas almas que se encontram no purgatório, com diversas missas, celebrações e vigílias. O Santuário do Caraça, localizado entre os municípios de Catas Altas e Santa Bárbara, a pouco mais de 100 quilômetros de BH, terá programação especial na semana santa deste ano. Além das missas, a celebração religiosa contará com concerto de piano com músicas clássicas e até uma ceia de confraternização de Páscoa.

Celebração única

(foto: BETO MAGALHÃES/EM/D.A PRESS)
(foto: BETO MAGALHÃES/EM/D.A PRESS)

Sabará guarda um momento muito especial para a tarde da quinta-feira santa (18). Às 15h, na Igreja de São Francisco, começa a cerimônia de abertura do santo sepulcro do Senhor morto. O ritual remonta ao século 18 e é considerado único no país, pois retrata a morte de Jesus na quinta-feira – na véspera, portanto, da sexta-feira da Paixão, quando os católicos relembram a crucificação e acompanham a
procissão do enterro. A vigília começa logo depois do ritual e vai até a encenação da paixão de Cristo e procissão. Uma das explicações para o fato tão inusitado é que, nos tempos coloniais, a antiga vila tinha muitos escravos. Diz a história que eles trabalhavam na sexta-feira santa para tirar leite e, portanto, preferiam iniciar a vigília e fazer a abertura do sepulcro na véspera.

Capital religiosa
Caminho da fé e da cultura – esse é o tema da semana santa em Belo Horizonte, que quer se transformar, a partir deste ano, em capital religiosa de cerimônias alusivas à Paixão de Cristo e atividades culturais. O arcebispo metropolitano de BH, dom Walmor Oliveira de Azevedo, definiu partes da programação do chamado tríduo pascal (sexta-feira, sábado e domingo), que terá, na manhã da Páscoa, apresentação de bandas de música na Praça da Liberdade (10h) e na Igreja São José (9h30), ambas na Região Centro-Sul. Na sexta-feira da Paixão, o destaque será a via-sacra, na Praça da Liberdade. Participante da comissão organizadora, o bispo auxiliar dom Geovane Luís da Silva informa que será convidada uma cantora lírica para entoar músicas no coreto, incluindo o canto da Verônica, a mulher que teria enxugado o rosto de Cristo durante seu calvário. A palavra Verônica vem da junção de “vero” e “ícone”, significando “verdadeira imagem”. Na sequência, haverá a procissão do Senhor Morto até o Santuário Arquidiocesano de Adoração Perpétua/Igreja Boa Viagem. Até 21 de abril, serão realizados concertos nas igrejas. Os interessados em visitar a capital já contam com o hotsite www.arquidiocesebh.org.br/semanasanta com todas as informações sobre a programação religiosa.

Brasil religioso

(foto: MASTRÂNGELO REINO/FOLHA IMAGEM)
(foto: MASTRÂNGELO REINO/FOLHA IMAGEM)

Turismo da fé movimenta anualmente R$ 15 bilhões e atrai 30 mil visitantes estrangeiros

Dados recentes do Ministério do Turismo mostram que mais de 17,7 milhões de fiéis fizeram turismo religioso no Brasil. Ele é responsável por 8,1 milhões de viagens domésticas todos os anos, segundo o Departamento de Estudos e Pesquisas do Ministério do Turismo (MTur). Turistas estrangeiros também são contabilizados: 30 mil deles vêm ao Brasil para aproveitar as atrações relacionadas à espiritualidade. E tem mais: o setor injeta, anualmente, R$ 15 bilhões na economia. Segundo o MTur, 96 destinos nacionais têm roteiros específicos cujo tema é a religiosidade. O mais expressivo é Aparecida, no estado de São Paulo, que recebe 12 milhões de visitas anuais. Quem vai tem vontade de voltar.


O Santuário de Aparecida completa 302 anos este ano. O local é destino de muitas famílias e romeiros que escolhem a cidade para agradecer as bênçãos de Nossa Senhora e conhecer toda a história com devoção e fé. O turismo religioso oferece aos visitantes diversos atrativos. Dentro do espaço do santuário, além de a pessoa viver a sua fé no interior da Basílica, participando das santas missas, da Consagração a Nossa Senhora e do Terço de Aparecida, os fiéis podem visitar vários espaços que oferecem uma excelente opção de lazer e cultura, como o nicho de Nossa Senhora Aparecida, localizado na Nave Sul do santuário, com quase 37 metros de altura; a sala das Promessas, no subsolo, local de agradecimento e homenagens à padroeira do Brasil, com diversos objetos, fotos, cartas e testemunhos de fé dos devotos; o Memorial da Devoção, que abriga o Cine Padroeira, o Cantinho dos Devotos Mirins e o Museu de Cera, com mais de 60 peças; apreciar de pertinho todo o esplendor da cúpula sobre o altar central, a grande coroa do Santuário de Nossa Senhora Aparecida. Confira também a exposição dos 300 anos e a exposição que conta a história da construção do Santuário, que faz parte do circuito de visitação à cúpula da Basílica. O acesso ao espaço é pelo subsolo do Santuário, à esquerda do estúdio da TV Aparecida; o campanário composto de 13 sinos dedicados aos Apóstolos, Religiosos e à Mãe Aparecida; A Passarela da Fé, com 392,2 metros de comprimento é um dos principais acessos à Basílica Velha, que é uma das primeiras igrejas construídas em honra à Mãe Aparecida, inaugurada em 1888. Por fim, não deixe de fazer um passeio nos bondinhos aéreos, com uma extensão de 1.170 metros até o Morro do Cruzeiro, local de meditação da via-sacra. www.a12.com


Pernambuco

(foto: JOÃO TAVARES/DIVULGAÇÃO)
(foto: JOÃO TAVARES/DIVULGAÇÃO)

Todos os anos, durante a semana santa, a cidade-teatro de Nova Jerusalém, localizada em Brejo da Madre de Deus, agreste de Pernambuco, a 160 quilômetros de Recife, recebe cerca de 60 mil pessoas que vão assistir ao espetáculo da Paixão de Cristo no maior teatro ao ar livre do mundo. Na peça teatral, que este ano completa 52 anos de história, a vida de Jesus é contada em nove palcos com uma arrojada cenografia que reproduz lugarejos, ambientes e prédios da Jerusalém dos tempos de Cristo, como o templo, Fórum romano, o palácio de Herodes e o monte do calvário. Além disso, um rico figurino e efeitos especiais de última geração completam a grandiosidade do espetáculo. A encenação tem início com a cena do sermão da montanha e termina com a espetacular ascensão de Cristo aos céus. A peça começa diariamente às 18h, mas os portões são abertos ao público às 16h. O evento não tem caráter religioso, mas trata-se de um espetáculo teatral que recebe um público diversificado, incluindo turistas que são atraídos pelo entretenimento cultural e grupos ligados a igrejas cristãs. Como ocorre todos os anos, a encenação contará em 2019 com a participação de artistas conhecidos da teledramaturgia nacional, como Juliano Cazarré (Jesus), Priscila Fantin (Maria), Ricardo Tozzi (Herodes), Gabriel Braga Nunes (Pilatos) e Bruno Lopes (apóstolo João). A temporada de 2019 será de 13 a 20 de abril. www.novajerusalem.com.br


Gramado

A Páscoa mais longa de todos os anos começou em Gramado-RS em 29 de março e termina em 21 de abril. Nesses 24 dias de festividades, a cidade espera receber cerca de 400 mil visitantes. Entre as principais atrações da Páscoa em Gramado estão a Trupe de Páscoa (semelhante à Trupe de Natal), as Paradas de Páscoa (desfiles que passarão pela rua central da cidade com personagens), a Vila de Páscoa (que contemplará o trabalho dos artesãos da cidade na Serra Gaúcha) e ainda o espetáculo Tito, um coelho atrapalhado, no Palácio dos Festivais. Na Rua Coberta, um palco será montado para receber atrações da região com shows de artistas locais, contação de histórias e espaço kids. E o verdadeiro significado da Páscoa terá destaque com as apresentações do Gramado Aleluia, que trará as tradicionais procissões de Ramos e dos Passos, em que os atores encenam os últimos momentos de Jesus, além de missas na Igreja Matriz São Pedro. www.pascoaemgramado.net.br
Mundo cristão

A exemplo da fé nas comemorações brasileiras, ao redor do globo, a semana santa é momento de reflexão e união entre os católicos em países como México, Espanha e Vaticano – berço da fé. Lá, eles celebram os mesmos rituais, mas com algumas peculiaridades

México

(foto: ULISES RUIZ/AFP)
(foto: ULISES RUIZ/AFP)

Até o final do século 18, a semana santa era considerada uma festa herege no México. Com o fim do embargo à representação da Páscoa, o segundo país com maior número de católicos na América Latina voltou a celebrar a Paixão, morte e ressurreição de Cristo. Iztalapala (foto), próxima à Cidade do México, celebrada a mais marcante semana santa mexicana. Nesta época, a cidade se transforma em uma Nova Jerusalém e costuma receber cerca de 3 milhões de visitantes. E cidades coloniais mexicanas do estado de Chiapas, como Taxco, Guerrero, Querétaro, São Luis Potosi e San Cristóbal de las Casas encenam o drama da Paixão e morte de Cristo. Nelas, as celebrações são muito solenes, como a procissão do silêncio, em que os fiéis se submetem a transportar cargas pesadas, além de praticar o autossacrifício como penitência. Mas, essa não é a única forma de comemorar o feriado santo. Na cidade de Tewerick, no estado de Chihuahua, acorre a semana santa dos rarámuri – povo indígena que conserva antigos costumes e, com a catequização de missionários espanhóis, tiveram contato com o catolicismo. Lá, eles dançam, cantam, comem e bebem em uma cerimônia colorida em que o ponto alto é a encenação do confronto entre os aliados de Deus e os guerreiros do diabo. É um festejo único no mundo em que se celebra o sincretismo entre a cultura pré-hispânica e a religião católica.


Vaticano

(foto: ANDREAS SOLARO/AFP)
(foto: ANDREAS SOLARO/AFP)

Era de se esperar que a sede da Igreja Católica tivesse uma programação especial para a semana santa. As celebrações especiais começam no domingo anterior à Páscoa, na missa do domingo de Ramos e da Paixão de Jesus. Na sexta-feira santa, 19 de abril, celebração da Paixão do Senhor na Basílica de São Pedro. Nesse dia, o papa Francisco presidirá, às 17h, a Liturgia da Palavra, a adoração da Cruz e o rito da comunhão. Às 21h15, o pontífice irá ao Coliseu para a via-sacra, no final da qual dirigirá algumas palavras aos fiéis presentes e dará a bênção apostólica. No sábado, às 20h30, celebração da grande vigília pascal, no átrio da Basílica de São Pedro. Haverá a celebração da luz, a bênção do fogo e a preparação do Círio Pascal. No domingo, ocorre a Santa Missa de Páscoa, às 10h, na Praça São Pedro. Ao final da celebração, do balcão da basílica o papa fará a bênção “Urbi et Orbi”. Para participar das cerimônias no Vaticano é preciso solicitar um convite com antecedência. Mais informações: w2.vatican.va


Sevilha


A cidade é uma das mais conhecidas quando o assunto é a comemoração da semana santa. Desde o período Barroco, a morte e ressurreição de Cristo é encenada nas ruas da região espanhola. Várias irmandades religiosas – representando suas imagens de devoção – se reúnem para dar vida ao desfile, que torna Sevilha um destino ainda mais interessante para os católicos. A rota de peregrinação começa na igreja de cada irmandade e segue até a catedral da cidade, enquanto os fiéis cantam das sacadas dos prédios. É possível ainda reservar um lugar para ver os desfiles mais confortavelmente. Mais informações: www.hermandades-de-sevilla.org


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