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Estado de Minas PREÇOS ABUSIVOS

Repórter do EM relata os 'assaltos' praticados nas lanchonetes dos aeroportos

'Assim que desembarquei, fui correndo procurar uma lanchonete. Passei pela primeira, vi os preços, me assustei. Na segunda, terceira e quarta era a mesma coisa'


postado em 26/03/2019 05:07 / atualizado em 29/03/2019 16:52

 

(foto: Pxhere)
(foto: Pxhere)

Ah, as férias. Finalmente, elas chegaram. É hora de descansar, esquecer os problemas e nada melhor que uma viagem para um lugar distante, o que muitas vezes obriga a pegar um avião, na verdade dois quando se trata de Belo Horizonte, pois são raríssimos os lugares para onde saem voos diretos. Mas até aí, tudo bem, pois o passageiro se prepara para isso. No entanto, assim que chega para embarcar já enfrenta uma dor de cabeça: os preços praticados no aeroporto. Isso mesmo. Os produtos ali vendidos custam o olho da cara.


O voo foi para o Nordeste. Para aquela região, saindo de BH, consegue-se voar direto para Salvador, Recife, Fortaleza. Para Natal, João Pessoa, Maceió e Aracaju é necessário ir primeiro para Brasília, São Paulo ou Rio de Janeiro para trocar de avião.


Pois para a primeira parte da viagem, como todo bom mineiro, saí cedo para não arriscar a perder o voo. E, não sei por que, quando cheguei ao aeroporto de Confins, bateu aquela fome. O jeito foi comer alguma coisa e a irritação era inevitável. Um refrigerante acompanhado de um beirute, custa R$ 34,20. O refrigerante é R$ 8,20 e o sanduíche, R$ 26. “Absurdo”, pensei. Mas vá lá, pois estou com fome. O pior é que a nota leva o endereço de uma loja no aeroporto de Brasília.


Lá fui eu para a primeira parte do voo, BH-Brasília. Bom, dentro do avião, com aqueles preços que as companhias aéreas cobram, não dá pra comprar nada. Só tomar água, que é de graça. Mas a fome continuava. Pensei: “Daqui a pouco chego a Brasília e lá como alguma coisa. Vou ter de esperar duas horas e meia, mesmo, para a troca de avião”.
Assim que desembarquei, fui correndo procurar uma lanchonete. Passei pela primeira, vi os preços, me assustei. Na segunda, terceira e quarta era a mesma coisa. Um refrigerante custa R$ 6,50 em alguns lugares. Em outros, R$ 8,50.


Mas o absurdo maior estava por vir. Deparei com uma espécie de carrinho de pipoqueiro, que vende salgados e pão de queijo. E é justamente o pão de queijo que me assustou mais. Lá era vendido um pacotinho, com seis mínis, mas mínis mesmo, pãezinhos de queijo.


Para se ter uma ideia da quantidade, a impressão é que pegaram um pão de queijo, dos que comemos em nossas lanchonetes, a R$ 1 ou, no máximo, R$ 2, cortaram em seis pedaços e puseram para assar. Mas o pior é quando olhei o preço. Aquele pacotinho, com impressão de frio, por “apenas”, isso estava escrito na plaquinha, R$ 13,60.


Mas, como? É o que me perguntei. Questionei a vendedora se era aquilo mesmo. Ela respondeu que sim. “Não pode ser verdade.” Mas era. Na hora, confesso, deu vontade de brigar, xingar. Mas não podia. A pobre da vendedora somente cumpre ordens. Pesquisei na internet do celular e não resisti. Mostrei a ela. “Olha, o quilo de pão de queijo em Belo Horizonte, em supermercado, custa R$ 9,89. Mostre para seu patrão. Esse montinho aí não tem nem 200 gramas.”


Saí da lanchonete e procurei algo para comer. O mais barato que encontrei foi um saquinho de batata, daquelas que custam R$ 3,98 nos supermercados, mas que lá era R$ 10,90. Comi, entrei no segundo avião e fui para meu destino, João Pessoa. E lá chegando, entrei em casa, já alta madrugada, e fui direto para a cozinha. Ainda estava com fome.
Bom, aproveitar as férias era a prioridade e, por algum tempo, me esqueço dos preços absurdos. Mas o dia da volta estava se aproximando. Veio a lembrança dos precinhos, “módicos, para não falar roubo”, da comida nos aeroportos.


Na véspera da viagem, resolvi ir a uma padaria e comprei requeijão, queijo, pão de forma, mais alguns enroladinhos de presunto e queijo. Não custaram R$ 15. Fiz dois sanduíches e coloquei na mochila. O retorno foi por São Paulo e depois BH. Na primeira escala, procurei algo para beber. Não me conformei com o preço do refrigerante: R$ 8,50. Então pedi dois achocolatados. Deu raiva assim mesmo, R$ 11,80. Mas vá lá. O que importa é matar a fome. Afinal de contas, a espera pelo voo para BH era de quase duas horas e saí do Nordeste de madrugada, houve atraso no voo.


Pois não é que na parada na capital paulista, um monte de gente teve a mesmo ideia? Era gente abrindo a mochila e pegando sanduíche. Bom, por mim, tomara que a moda pegue, pois, talvez assim, parem de aviltar o viajante.


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