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Estado de Minas

Sistema ajuda paraciclista mineiro a lutar por vaga nas Olimpíadas de 2016

Equipamento desenvolvido pela Universidade do Vale do Paraíba ajuda atleta mineiro a melhorar performance e tentar uma das vagas para os Jogos Paralímpicos do ano que vem


postado em 01/11/2015 08:00 / atualizado em 31/10/2015 19:09

É uma vantagem que nenhum outro atleta do Brasil tem ainda. O trabalho que estão fazendo comigo tem me ajudado muito. Hoje, sei onde posso diminuir e guardar força para a hora certa (foto: Reprodução Facebook)
É uma vantagem que nenhum outro atleta do Brasil tem ainda. O trabalho que estão fazendo comigo tem me ajudado muito. Hoje, sei onde posso diminuir e guardar força para a hora certa (foto: Reprodução Facebook)


A menos de um ano dos Jogos Paralímpicos Rio'2016, a tecnologia tem sido importante aliada na preparação dos atletas brasileiros em busca de melhores resultados. Um dos competidores que têm experimentado os benefícios da ciência aliada ao esporte nos últimos meses é o paraciclista mineiro Josimar Sena da Silva, de 30 anos, que briga por uma vaga na paralimpíada, e que melhorou seu desempenho consideravelmente graças a um sistema embarcado acoplado a um modelo novo de bicicleta adaptada (handbike), que fornece dados em tempo real para a equipe técnica.

O sistema – que pesa menos de 300 gramas e é anexado ao pedal, e a bicicleta de liga leve de cerca de 13 quilos – foi desenvolvido em parceria entre a Universidade do Vale do Paraíba (Univap), a Vemex e a Shimano, que receberam investimento de R$ 1 milhão da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), ligada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A tecnologia é 100% brasileira. Josimar, que treina no Clube de Campo de São José dos Campos, interior de São Paulo, passou a ter os treinos monitorados a partir de dados fornecidos pelo sistema.

"É um sistema que transmite em tempo real para um aplicativo no celular informações como batimentos cardíacos, força muscular, velocidade média e potência da bicicleta. Esses dados nos dão parâmetros, números que conseguimos converter em metas. O atleta se transforma em homem-máquina, já que todos os seus movimentos são calculados para não desperdiçar energia”, explica o professor Mário Oliveira Lima, pesquisador e coordenador do curso de fisioterapia da Univap.
Segundo o professor, o monitoramento remoto tem sido fundamental para o desenvolvimento de Josimar e da paraciclista Jady Martins, que também tem sido monitorada. “Junto com técnicos, nutricionistas e fisiologistas, estamos usando esses cados coletados para errar cada vez menos. Às vezes, eles pedalavam mais na descida e gastavam força desnecessária. Com os dados precisos, eles desperdiçam cada vez menos e isso se converte em melhores resultados", diz Lima.

RESULTADOS

Josimar perdeu os movimentos das pernas em 2003, aos 18 anos, em um acidade de carro. Sem oportunidades para a prática de esportes adaptados em Juiz de Fora, mudou-se para São José dos Campos, onde tentou atletismo, basquete, canoagem até se dedicar integralmente ao paraciclismo a partir de 2013. Os resultados começaram a aparecer nesta temporada, desde que passou a ser acompanhado pelo projeto da Univap, que já originou diversos estudos e teses.

O mineiro, de 30 anos, compete nas categorias de resistência e contrarrelógio, em distâncias que variam de 10 quilômetros a 35 quilômetros. Ele conseguiu medalhas de ouro e bronze nas últimas etapas da Copa Brasil, em Santa Catarina e Sergipe, e se prepara para a última etapa, no mês que vem, no Rio. “É uma vantagem que nenhum outro atleta do Brasil tem ainda. O trabalho que estão fazendo comigo tem me ajudado muito. Hoje, sei onde posso diminuir e guardar força para a hora certa”, explica o mineiro, que conseguiu reduzir mais de 20 segundos em provas contrarrelógio de junho até o mês passado.

O trabalho ajuda Josimar a sonhar com a disputa dos Jogos Paralímpicos do Rio, em setembro do ano que vem. “Estou em terceiro lugar e são apenas duas vagas, mas vejo que posso crescer muito no primeiro semestre do ano que vem e conseguir a vaga, que seria a realização de um sonho”, revela.

 

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O paraciclismo integra o programa dos Jogos Paralímpicos e é disputado em duas categorias diferentes: velocidade contrarrelógio, em pista oval, e na estrada, em provas de longa distância. Os atletas usam um modelo adaptado chamado handbike, uma espécie de triciclo pedalado com as mãos. Em Londres'2012, a modalidade foi uma das mais badaladas, já que teve entre os competidores o italiano Alessandro Zanardi, ex-piloto de Fórmula 1 que teve as pernas amputadas após grave acidente na Alemanha, em 2001. Em 2007, Zanardi adotou o paraciclismo e, cinco anos depois, conquistou duas medalhas de ouro (individual) e uma prata (por equipe) em corrida contrarrelógio dos jogos londrinos.



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