Publicidade

Estado de Minas

Há água em Marte. E vida?

Nasa anuncia descoberta, uma das mais relevantes dos últimos anos. Achado líquido e salgado pode ajudar a comprovar possibilidade de existência de organismos vivos no planeta


postado em 29/09/2015 06:00 / atualizado em 29/09/2015 07:18

(foto: Nasa/Divulgação )
(foto: Nasa/Divulgação )

“A água corre hoje na superfície de Marte”. O anúncio feito ontem, durante entrevista coletiva em Washington pelo astronauta e administrador associado da Agência Espacial norte-americana (Nasa) John Grunsfeld, é uma das mais importantes descobertas da ciência nos últimos anos e empolgou a comunidade científica e os entusiastas dos mistérios do espaço. O mundo mal tinha se desligado do eclipse sobre a super lua, visível no último domingo em várias partes do planeta, e mais uma vez as atenções se voltam para os céus quando a Nasa informou que tinha “desvendado um mistério” sobre o planeta Marte. A chance de existir vida no planeta vermelho também foi levantada pelo astronauta. Para Grunsfeld, isso, agora, é “um questionamento concreto, que poderemos responder”. “A existência de água líquida em Marte – mesmo que ela seja super salgada – dá a possibilidade de que caso haja vida em Marte nós temos uma maneira de justificar sua sobrevivência”.

A presença de recursos hídricos empolga por dois motivos: a água é fundamental para uma futura colonização do planeta vizinho e também pode ser ambiente propício para a descoberta de formas de vida extra-terrestres. “É indício de possibilidade de vida. É quase automático se observarmos pela perspectiva aqui da Terra, para tudo o que conhecemos na Terra, a vida é baseada na água. Então poderemos encontrar provavelmente alguma bactéria marciana. Relatos de água no espaço existem, no meio intra-estelar e na lua Europa, de Júpiter, que é congelada na superfície e líquida no fundo. Se tiver algum aquecimento pode ter condições de desenvolvimento de organismos vivos”, afirma o astrônomo João Canale, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e coordenador da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica.

As suspeitas de que a Nasa revelaria a existência de água em Marte foram reforçadas pelo último boletim da sonda Curiosity, que está na superfície marciana, e que informou que o equipamento vasculharia a cratera Endevour, onde se suspeita existir vestígios de água. Mas foi um equipamento mais antigo que possibilitou a descoberta. Lançada em 2005, a sonda Mars Reconnaissance Orbiter risca a órbita do planeta vermelho a 10.440 km/h e foram os sinais de seu espectômetro de imagens que possibilitaram aos pesquisadores detectar traços de minerais hidratados em encostas marcadas por sulcos misteriosos na superfície do planeta. “Esses sulcos escuros aparentavam brotar e correr com o tempo. Aparentemente desciam as encostas nas estações mais quentes e cessavam nas mais frias. (Os sulcos) Aparecem em vários pontos de Marte, correndo quando a temperatura chega a 23ºC e desaparecendo quando esfria”, informou a agência norte-americana.

Uma das dúvidas dos cientistas era justamente se haveria água em estado líquido no planeta vermelho, já que na atmosfera a presença de vapor de água já havia sido detectada. Os cientistas sabiam que água pura e em estado líquido não poderia ser encontrada no planeta, pois as moléculas de H2O se evaporariam rapidamente devido à baixa pressão atmosférica ou se congelariam por causa das temperaturas geralmente inferiores a - 50°C. A água encontrada pelos cientistas da Nasa aparenta estar dissolvida em sais. “Os sais hidratados baixam o ponto de congelamento da água, assim como o sal em estradas aqui na Terra acelera o derretimento do gelo e da neve”, comparou a agência espacial em seu comunicado de ontem.

Os sais hidratados encontrados pela sonda norte-americana são percloratos de magnésio ou sódio, que são capazes de impedir o congelamento de líquidos a até -70°C. No planeta Terra, percloratos naturais se concentram em desertos, alguns deles sendo usados como componentes para combustíveis de foguetes.

Futuras explorações
De acordo com a Nasa, essa é uma importante descoberta, já que a agência tem planos de enviar uma missão tripulada ao planeta vermelho no médio prazo. “Foram necessárias múltiplas missões para desvendar esse mistério, mas agora sabemos que há água líquida na superfície deste frio e deserto planeta”, disse Michael Meyer, cientista-chefe do Programa de Exploração de Marte da Nasa. “Parece que quanto mais estudamos Marte, mais aprendemos como há recursos para apoiar a vida no futuro”. As explorações tripuladas já constam do planejamento da agência.

“A Nasa está desenvolvendo as capacidades que necessita para enviar seres humanos a um asteroide em 2025 e a Marte em 2030. Marte é um destino rico para descobertas científicas com explorações humanas e robóticas para expandir nossa presença no Sistema Solar. A sua formação e evolução são comparáveis às da Terra, nos ajudando a aprender mais sobre a história do nosso próprio planeta e sobre o seu futuro”, informou a agência, que ainda objetiva, com a descoberta de água em estado líquido, encontrar organismos vivos que se beneficiem da substância como ocorre na Terra. “Marte já teve condições favoráveis à vida no passado. As futuras explorações podem descobrir evidências de vida, respondendo a um dos mistérios fundamentais do cosmos: existe vida além da Terra?”

Curiosidades de brasileiros
Brasileiros fizeram piada da descoberta da Nasa e enviaram perguntas jocosas à agência espacial com a hashtag #asknasa (pergunte a Nasa) no Twitter. A usuária @chandlerfcked perguntou se o dólar está R$ 4 no planeta vermelho. Já a usuária @newromawtics questionou: “Dá para levar as inimigas em uma viagem sem volta?”. A crise hídrica em São Paulo também não foi perdoada. “Vão transferir a água de Marte para São Paulo?”, perguntou @VitoriaDourado_. A hastag foi compartilhada milhares de vezes e, ontem, foi um dos assuntos mais comentados da rede social.

 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade