Os novos dados foram divulgados sexta-feira pela agência espacial norte-americana, a Nasa, que, por enquanto, só tem acesso a 5% de todas as imagens e as informações científicas colhidas pela espaçonave nessa missão. “A cada dia os cientistas têm recebido novos dados, e eles estão sempre sendo surpreendidos”, afirmou Jim Green, diretor de Ciência Planetária da agência. A Nasa espera novos resultados de experimentos e medições para setembro, quando os cientistas devem ser capazes de calcular com precisão a composição, o clima e outras características do planeta anão. A missão está programada para se estender até o fim do próximo ano.
Por enquanto, as novidades parecem levantar mais perguntas do que respostas. Uma das maiores surpresas surgiu apenas sete horas após a maior aproximação da sonda, quando um instrumento capturou uma imagem inédita da atmosfera de Plutão. A fotografia divulgada na sexta-feira pela Nasa mostra um halo brilhante perfeito, produzido pela luz do Sol que contrasta com a cor negra do espaço.
Os pesquisadores ainda não sabem do que é feita a névoa misteriosa, mas eles acreditam que ela seja a origem da cor avermelhada do objeto, visível nas fotos coloridas produzidas pela sonda. O material parece se dividir em duas camadas, e a principal teoria é de que a luz ultravioleta do Sol quebre as partículas de metano presentes no ar, o que leva à formação de gases mais complexos, como etileno e acetileno, que já foram detectados pela missão espacial. Acredita-se que as substâncias se condensem em partículas de gelo, dando origem ao fenômeno. Até então, os cientistas achavam que as temperaturas seriam muito altas para a formação de uma névoa a distâncias tão grandes do planeta.
De acordo com os pesquisadores responsáveis pela missão, o exame aproximado de Plutão deve mudar a forma como os cientistas compreendem a atmosfera e o clima do planeta anão. “Por 25 anos sabemos que ele tem uma atmosfera, mas, até então, isso era baseado em números. Essa foi a primeira imagem, a primeira vez que vimos essa imagem, que quase trouxe às lágrimas os cientistas”, descreveu Michael Summers, um dos pesquisadores da missão na George Mason University.
A surpresa também foi grande quando os cientistas examinaram de perto Charon, a maior das luas plutonianas.
Geleiras A sonda flagrou ainda o que parecem ser traços de grandes massas de gelo que se arrastam pela superfície do objeto, assim como acontece com as geleiras da Terra. As fotos foram tiradas a partir de uma planície batizada de Sputnik Planum, localizada num tipo de reservatório chamado Tombaugh Regio, também chamado de o “coração de Plutão”. Os sinais indicam que o planeta tenha sofrido atividades geológicas recentes e que possa, inclusive, esconder uma camada líquida entre a sua casca de gelo e o núcleo rochoso.
Como o gelo do planeta é formado por elementos altamente sensíveis a mudanças de temperatura (dados indicam que o local é rico em nitrogênio, monóxido de carbono e metano), é possível que a pressão do peso do material congelado e o calor interno do planeta anão estejam derretendo as formações sólidas e permitindo que elas deslizem lentamente sobre a superfície.“Não há razão para que isso não esteja acontecendo hoje”, acredita William McKinnon, pesquisador de geologia da New Horizons na Washington University in St. Louis..