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Estado de Minas

ONU e Unesco decretam 2015 o Ano Internacional da Luz

Intuito é despertar a curiosidade sobre importância do fenômeno e das pesquisas científicas que o envolvem


postado em 02/02/2015 13:00 / atualizado em 02/02/2015 13:25

Aglomerado de galáxias registrado pelo telescópio Hubble: mistérios sobreoUniverso são tema de muitas pesquisas (foto: NASA/ESA HUBBLE SPACE TELESCOPE/AFP %u2013 23/7/14)
Aglomerado de galáxias registrado pelo telescópio Hubble: mistérios sobreoUniverso são tema de muitas pesquisas (foto: NASA/ESA HUBBLE SPACE TELESCOPE/AFP %u2013 23/7/14)

Chega a ser irônica a ideia de que no ano em que o Brasil vive uma das piores crises energéticas, com risco de apagão, a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) e a Organização para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) comemoram o Ano Internacional da Luz. A ideia, que foi proclamada em 2013, é mostrar ao mundo a importância da luz na criação de um futuro mais sustentável. Para físicos, a sensibilização da sociedade chega atrasada, uma vez que o planeta já sofre com os impactos do efeito estufa, que nada mais é do que o aumento da temperatura terrestre (não só numa zona específica, mas em todo o planeta), colaborando para uma seca cada vez mais agressiva, preocupando a comunidade científica.

Há quem pense que uma coisa não tem nada a ver com a outra (aquecimento global/luz), e muito menos imagina que sem luz não existiria vida na Terra ou que qualquer outro tipo de luz artificial impediria o desenvolvimento humano e hábitos noturnos. É por isso que a maioria das pessoas só percebe a importância da luz quando está sem ela. “Nem nos damos conta, mas a verdade é que as tecnologias da luz estão popularmente presentes em nosso cotidiano em forma de LEDs, fibras ópticas, lasers, lâmpadas e outros tantos dispositivos”, afirma o físico da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Aba Israel Cohen Persiano, coordenador de três cursos homologados pela Unesco (organizados pela Uber Laboratório de Tendências para a cidade de Belo Horizonte). Ele acrescenta ainda que o mundo precisa mudar os hábitos, com ações mais conscientes, ou o problema vai se agravar a cada dia.

O Ano Internacional da Luz foi lançado em 20 de janeiro. A Unesco vai promover com outras entidades o desenvolvimento de ações de sensibilização de políticos e da sociedade como um todo para despertá-los sobre a importância da luz na vida e no bem-estar, assim como as novas descobertas da área. Durante a temporada, a organização vai reunir sociedades científicas, instituições educacionais, ONGs e o setor privado ao redor do mundo, com objetivo de estudar e divulgar os fenômenos relacionados à luz. A ideia é defender o uso de tecnologias para melhorar a qualidade de vida nos países desenvolvidos e em desenvolvimento e comemorar marcos importantes relacionados à luz ao longo da história da ciência. Destacam-se os 200 anos da proposta ondulatória da luz, pelo físico Fresnel, os 150 anos da proposta da luz como fenômeno eletromagnético, por Maxwell, e os 100 anos da Teoria da Relatividade Geral, por Albert Einstein, que colocou a luz como objeto de revelação das deformações espaço-temporais do Universo.

Entre tantos avanços comemorados, estão também os 75 anos da descoberta da radiação cósmica de fundo (luz proveniente dos primeiros instantes do universo de acordo com a teoria do Big Bang), que em associação com previsões pela Teoria da Relatividade demonstra que o Universo não é estático e se encontra em constante expansão, ou seja, as galáxias estão se afastando umas das outras –, transportando informações nunca antes previstas ou imaginadas. Além disso, o Prêmio Nobel da Física de 2014 que reconhece o valor dos LEDs azuis será lembrado, além de colocar em evidência outros estudos de grande importância que estão em curso, como a viabilização da produção de painéis (TVs etc.) multicoloridos. “Ainda há um vasto campo a ser pesquisado. Estamos na transição da fase da microeletrônica para a nanoeletrônica (habilidade de manipular e criar dispositivos com dimensões menores que 100 nanômetros), vamos passar para a optoeletrônica (que lida com todas as interações entre luz e campos elétricos, quer eles formem ou não parte de um aparelho eletrônico), até chegarmos à era da computação quântica.”

Para o professor do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IF-UFRJ), Cláudio Lenz, a ideia de a Unesco promover a apreciação do conhecimento em torno da luz é bem-vinda, já que o Universo passa pela revolução da iluminação com o avanço para as lâmpadas de LED. “Numa época em que se fala em racionamento de energia, a descoberta das lâmpadas de LED é um dos melhores feitos da ciência, já que elas têm eficiência muito melhor do que as lâmpadas comuns, com economia de até 80% de energia”, afirma Lenz, que acrescenta dizendo que em poucos anos todas as lâmpadas serão substituídas por LED.

RESPOSTAS PARA DESAFIOS


O professor da UFMG destaca ainda a oportunidade de chamar a atenção global sobre como as tecnologias baseadas na luz (como conversão fotovoltaica de energia solar em elétrica em carros, em vez de hidroeletricidade, assim como o uso de energia elétrica em carros ao invés de combustíveis fósseis, diminuindo o uso da água represada e a emissão de gases que aumentam o efeito estufa) podem vir a ser soluções para os desafios mundiais de energia, educação, agricultura e saúde.

“A luz desempenha um dos principais papéis na ciência e tecnologia, sendo importante  na fotossíntese, que reflete na crescente demanda de alimentos e regulação da quantidade de carbono despejada na atmosfera, passando pelos lasers usados em cirurgias, telecomunicações e o próprio conhecimento do Universo, cujs informações nos chegam por meio de radiações dessa natureza.”, diz Cohen.

Segundo ele, em termos científicos, a luz abrange toda a série de radiações eletromagnéticas, desde as ondas muito longas (ondas rádio) até as mais energéticas, correspondentes a frequências muito elevadas, como raios X e laser de raios gama. Além da luz visível, outras manifestações de mesma natureza (eletromagnética) permitem o fluxo de informações digitais/internet assim como a transmissão ou recepção de dados e imagens obtidas por telescópios espaciais, nas faixas de raios X ao infravermelho.

E são essas tecnologias, como a computação quânticaelétrons e fotons (luz), que serão efetivadas daqui a cerca de 15 anos, tendo como objetivo processar informações em velocidades cada vez mais altas que irão transformar o século 21.

Biografia do físico Hawking


Na época em que o mundo vai celebrar o Ano Internacional da Luz, a física ganha espaço também nas telas de cinema. Na última semana, A teoria de tudo, filme biográfico sobre o físico inglês Stephen Hawking, baseado no livro de sua primeira mulher e seu grande amor, Jane Hawking, entrou em cartaz. Por suas descobertas nas áreas de física e cosmologia, o gênio se tornou um dos físicos mais conhecidos desde a era Einstein e conquistou a admiração de profissionais da área e também a cadeira que foi ocupada por Isaac Newton na Universidade de Cambridge, em 1663.

Hawking deu importantes contribuições para as leis básicas que governam o Universo, como a radiação. Ele indicou que a Teoria Geral da Relatividade de Einstein teria um começo no Big Bang e um fim em buracos negros. Os estudos indicaram que era necessário unificar a relatividade geral com a teoria quântica, outro grande desenvolvimento científico da primeira metade do século 20. Uma das consequências de tal unificação que ele descobriu foi que os buracos negros não devem ser completamente pretos, mas sim emitir radiação e eventualmente evaporar e desaparecer. Outra conjectura de Hawking é que o Universo não tem borda ou limite no tempo imaginário. Isso implicaria que a forma como o Universo começou foi completamente determinada pelas leis da ciência.

O filme conta ainda como o físico, interpretado pelo ator Eddie Redmayne, fez descobertas importantes sobre o tempo, além de retratar seu romance com a aluna de Cambridge Jane Wide, vivida por Felicity Jones, e a descoberta de uma doença motora degenerativa, a Lou Gehrig (também conhecida como esclerose lateral amiotrófica, ELA), quando ele tinha apenas 21 anos. O longa já recebeu cinco indicações ao Oscar 2015 e pode levar o prêmio de melhor filme se vencer  concorrentes como Birdman e O Grande Hotel Budapeste. A fama de Hawking vai além da vida de físico e passa por participações em séries de TV como The Big Bang Theory, e no desenho animado Os Simpsons.

O físico Stephen Hawking ministra palestra no Festival Starmus, nas Ilhas Canárias, com um sistema adaptado à sua doença degenerativa(foto: DESIREE MARTIN/AFP %u2013 23/9/14)
O físico Stephen Hawking ministra palestra no Festival Starmus, nas Ilhas Canárias, com um sistema adaptado à sua doença degenerativa (foto: DESIREE MARTIN/AFP %u2013 23/9/14)

Sete curiosidades sobre Stephen Hawking

1 – Um gênio preguiçoso
Quando tinha 9 anos, ele foi considerado o pior aluno da turma. Apesar disso, sempre demonstrou interesse pelo Universo, principalmente em descobrir como  ele funciona de fato. Nessa época, recebeu o apelido de Einstein.

2 – Universo sem limite
Uma de suas maiores pesquisas diz respeito à teoria de que o Universo é ilimitado. Para explicar isso, Hawking usa a ideia da própria Terra, que, se imaginada em sua forma, não apresenta um começo ou um fim. A única diferença é que o planeta é tridimensional, enquanto o Universo se apresenta em 4D. Outra teoria a respeito do Universo sem limites é a que relaciona tempo e espaço. Nesse caso, pode-se fazer a mesma comparação com a Terra, mas pensando em tempo. Einstein já mostrou que tempo e espaço são relativos, mas alguns físicos conseguiram provar que o Universo está em expansão, o que pode afetar o tempo como um todo.

3 – Prêmios e nomeações
Em 1974, tornou-se membro da Academia Real de Ciência, criada em 1660. Um ano depois, recebeu das mãos do papa uma medalha de ouro em homenagem aos seus estudos científicos. Foi o ganhador do Prêmio Albert Einstein e professor de matemática na Universidade de Cambridge (Inglaterra), posição que manteve por 30 anos. Em 2009, recebeu das mãos do presidente Barack Obama uma medalha de liberdade, a mais alta honraria civil concedida pelos EUA. Muitas pessoas acreditam que ele ainda vai ganhar um Nobel.

4 – Autor de livros infantis
Poucos sabem, mas Stephen Hawking, com a ajuda de sua filha Lucy, colaborou com a escrita do livro infantil George’s secret key to the Universe. O livro propõe explicar às crianças alguns conceitos importantes da ciência.

6 – Aliens existem
Durante o aniversário de 50 anos da agência espacial norte-americana (Nasa), em 2008, ele declarou acreditar na possibilidade de vida em outros planetas.

7 – Defensor do turismo espacial
Em 2007, Hawking experimentou os efeitos da gravidade zero e, pela primeira vez em décadas, saiu por alguns instantes de sua cadeira de rodas e praticou exercícios. Sua vontade de experimentar esse tipo de efeito ia além da óbvia paixão pelo Universo: ele queria incentivar o aumento de viagens espaciais e sua acessibilidade. Segundo Hawking, é importante que os homens possam logo viajar de um planeta para outro, pois no futuro isso pode garantir a sobrevivência da Terra.
Fonte: www.megacurioso.com.br

A supercadeira
Como Hawking escreve e pronuncia seus discursos

1) Um tablet é instalado em um suporte de metal acoplado a um dos braços da cadeira.

2) No menu, há termos prontos, como “sim”, e uma lista de palavras em ordem alfabética, além da função Soletrar.

3) Um sensor nos óculos capta movimentos da bochecha usados para escolher as frases.

4) O texto completo é enviado ao sintetizador, que cria a voz simulando entonação, segundo Sam Blackburn, assistente de Hawking. O som sai atrás do suporte do computador.

5) Para palestrar, ele escreve o discurso antes. Na hora da participação, envia ao sintetizador uma frase por vez, o que deixa a fala mais natural.

6) A Intel, fabricante de processadores para computadores, pesquisou por três anos uma nova tecnologia para ajudar Hawking e apresentou a ACAT (Assistive Context Aware Toolkit) que está habilitada a interpretar o toque, o piscar de olhos, os movimentos das sobrancelhas do usuário para ele se expressar em palavras. O equipamento será disponiblilizado em breve ao mercado.

 

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