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Estado de Minas

Hominídeos já tinham mãos similares às nossas há 3 milhões de anos


postado em 23/01/2015 09:05

A estrutura da mão dos ancestrais humanos remotos, que viveram há 3,2 milhões de anos, sugere que eles tinham a capacidade de segurar e usar ferramentas, embora ainda não as tivessem inventado, afirmaram antropólogos nesta quinta-feira.

Até agora não se acreditava que o "Australopithecus africanus", que viveu há dois ou três milhões de anos no que agora é a África do Sul, seria capaz de construir ferramentas - a primeira evidência delas data de 2,6 milhões de anos atrás -, mas suas mãos sugerem o contrário, segundo um estudo publicado na revista especializada Science.

O "Australopithecus africanus", uma criatura com aspecto simiesco e braços longos, com cérebro grande e que caminhava sobre duas patas, parece ter descido das árvores, adquirido destreza nas mãos e sido capaz de realizar movimentos motores finos.

As novas descobertas se baseiam em um novo estudo da estrutura esponjosa do osso, denominado trabecular, que pode revelar como os ossos eram usados enquanto o indivíduo estava vivo.

Por exemplo, os ossos trabeculares são muito diferentes nos humanos e nos chimpanzés, que não conseguem imitar a forma como a mão humana agarra algo com força, usando os polegares e os outros dedos.

No entanto, os fósseis de neandertais apresentam semelhanças maiores com as mãos dos humanos modernos neste sentido. Os neandertais tinham a capacidade de usar ferramentas e fazer pinturas rupestres.

Os Australopithecus também "tinham um padrão de osso trabecular tipo humano no polegar e na palma (os metacarpianos) consistente com a oposição do polegar e dos dedos, tipicamente adotado quando se manipula ferramentas", revelou a Universidade de Kent em um comunicado.

"Estes resultados apoiam a evidência arqueológica previamente publicada sobre o uso de ferramentas de pedra nos Australopithecus e aporta provas esqueléticas que revelam que nossos ancestrais remotos tinham gestos parecidos aos dos humanos desde muito antes e mais frequentemente do que tinha sido considerado antes", prosseguiu.

O estudo incluiu cientistas da University College de Londres, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva de Leipzig, Alemanha e da Universidade de Tecnologia de Viena, na Áustria.

 

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