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Estado de Minas

Funed renova linha de camundongos reprodutores usados em pesquisas

Objetivo é garantir animais mais robustos e maior confiabilidade para os estudos científicos


postado em 15/11/2014 11:46 / atualizado em 15/11/2014 11:48

A expectativa com a chegada dos bichinhos, é aumentar a produção do biotério de criação (foto: Cristina Horta/EM/D.A PRESS)
A expectativa com a chegada dos bichinhos, é aumentar a produção do biotério de criação (foto: Cristina Horta/EM/D.A PRESS)

Grande produtora nacional de soros antipeçonhentos, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) – instalada no Bairro Gameleira (Região Noroeste de Belo Horizonte) – acaba de renovar a linha de camundongos reprodutores utilizados na pesquisa e controle biológico das vacinas. A substituição é fundamental para evitar o acasalamento de animais entre parentes próximos, mantendo a colônia não consanguínea (sem parentesco de sangue). A consequência são animais robustos, férteis e filhotes menos suscetíveis a doenças, com maior grau de confiabilidade para os estudos científicos. Ao todo, são 228 camundongos, entre fêmeas e machos, adquiridos do Centro de Criação de Animais de Laboratório (Cecal) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Rio de Janeiro, por meio de convênio da Rede Mineira de Bioterismo.

De tempos em tempos, a renovação é recomendável. A Funed, cuja colônia localizada no biotério de criação tem apenas animais não consanguíneos – ou seja, reprodutores com genética variada, evitando acasalamento de animais entre parentes próximos –, era mantida há 12 anos. Depois de um período de quarentena, o número de novos animais foi reduzido para 181 adultos. “O processo de renovação foi na colônia de fundação (onde são mantidos os reprodutores e as matrizes que vão abastecer essas colônias de produção). A informação é importante para termos ideia da dimensão da produção de animais de laboratório da Funed, que conta com três salas de produção”, explica a coordenadora do biotério da fundação, Priscila Tavares.

Para a bióloga Priscila Tavares, da Funed, esse tipo de colônia deixa os filhotes menos suscetíveis a doenças(foto: Cristina Horta/EM/D.A PRESS)
Para a bióloga Priscila Tavares, da Funed, esse tipo de colônia deixa os filhotes menos suscetíveis a doenças (foto: Cristina Horta/EM/D.A PRESS)

Linhagem

Até junho, eram 200 bichos na colônia de fundação. Com a chegada dos novos, a expectativa é de que o biotério da Funed aumente a produção: a média anual é de 60 mil camundongos. Segundo a pesquisadora, a renovação na colônia para uma produção heterogênea demanda pouco tempo, para que se evite a consanguinidade. Com a renovação, iniciada em julho, a fundação espera ainda que seja possível aumentar o nível de fecundidade.

A raça adotada é a Swiss Webster, habitual em pesquisas científicas. Trata-se de uma linhagem heterogênea, ou seja, com consanguinidade mínima. Por serem animais não consanguíneos, os camundongos têm grande variabilidade genética, a exemplo dos seres humanos. Dessa forma, durante um experimento, pode-se chegar próximo à variabilidade genética que existe no homem. “Não temos estudos próprios que comparem a nossa produção com uma consanguínea. Temos dados da literatura que comprovam a melhor robustez de uma colônia heterogênea, quando comparada com uma homogênea. Para se ter uma ideia, uma fêmea não consanguínea consegue parir 12 filhotes de uma só vez, enquanto uma fêmea consanguínea pare, no máximo, oito filhotes num parto”, destaca a bióloga.

Os camundongos são usados na pesquisa e controle biológicos dos soros antipeçonhentos. A aplicação dos animais para testes de potência do soro sempre foi feita pela Funed, um dos grandes produtores nacionais do produto. Diariamente, os camundongos passam por um processo de acompanhamento feito por técnicos, que realizam o desmame e a sexagem dos animais. “Trocam as caixas, fazem registros de nascimento e observam a aparência física dos camundongos. Há, também, o acompanhamento do médico veterinário, que faz a inspeção clínica desses animais”, diz Tavares.

A alimentação é feita à base de ração própria, que contém os nutrientes necessários ao desenvolvimentos dos animais. Tanto a ração quanto a água são disponibilizadas à vontade.

Entenda

 Colônia de fundação
» Primeira colônia que se estabelece e tem como finalidade se autoperpetuar, possibilitando a própria manutenção. Nela, todos os acasalamentos são monogâmicos, com animais identificados individualmente e registrados,
para que seja possível determinar índices reprodutivos e informações que conferem a cada animal
um perfil único.

 Colônia de produção
» Tem como finalidade produzir animais suficientes para atender à demanda dos usuários, de acordo com suas especificações.

 Biotério de criação
» Reúne matrizes reprodutoras das diversas espécies animais que originam a produção e cujos objetivos visam controlar e definir, antes do experimento, as seguintes características:
» Estado de saúde do animal;
» Carga genética;
» Manuseio feito com o animal, de modo a torná-lo dócil;
» Alimentação empregada;
» Ambiente adequado;
» Outros fatores que possam ocasionar estresse, influenciando indiretamente na resposta esperada.
 
 Biotério de experimentação
» Reúne animais com a alimentação, o ambiente e o manejo de acordo com as normas do experimento. A exemplo do biotério de criação, deve ter edificação especialmente projetada, pessoal capacitado e rotina de trabalho bem definida. Porém, neste caso, adaptada ao experimento.

 

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