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Estado de Minas

Estudantes brasileiras vencem concurso em Harvard e mostram ideias para investidores

Diagnóstico da endometriose menos invasivo e limpeza de derramamento de óleo no mar são benefícios que podem vir das ideias das brasileiras


postado em 24/10/2014 08:50 / atualizado em 24/10/2014 08:54

As vencedoras Georgia Gabriela da Silva e Raíssa Müller, ambas de 19 anos, querem arrecadar fundos para desenvolver seus projetos (foto: Reprodução/Facebook)
As vencedoras Georgia Gabriela da Silva e Raíssa Müller, ambas de 19 anos, querem arrecadar fundos para desenvolver seus projetos (foto: Reprodução/Facebook)
 

As estudantes brasileiras Georgia Gabriela da Silva Sampaio, de Feira de Santana (BA), e Raíssa Müller, de Novo Hamburgo (RS), ambas com 19 anos, foram selecionadas para o Village to Raise a Child, programa que incentiva projetos inovadores de empreeendedorismo social, promovido por alunos da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Além das representantes do Brasil, entre 80 inscritos, outros três participantes, do Sri Lanka, Filipinas e Nepal, foram premiados. No próximo mês, os escolhidos vão participar de uma conferência no câmpus da universidade norte-americana, para expor seus projetos para investidores do mundo todo e para conhecer a escola.

Pela primeira vez, o evento foi realizado por um grupo de alunos, ex-alunos e professores de Harvard, com o objetivo de tornar conhecidas ideias que impactem a comunidade em que os autores vivem.

Motivada pelo diagnóstico de endometriose da tia e a consequente extração do útero, Georgia pesquisa, há três anos, a criação de um método menos invasivo e mais barato, por meio de exame de sangue, para identificar a doença que acomete as mulheres. A jovem cogitou a possibilidade de herdar a patologia, mas a hipótese foi descartada até o momento. Ela concluiu o ensino médio no ano passado e, este ano, pretende disputar uma vaga em uma universidade norte-americana, onde quer conciliar cursos de engenharia e algo no campo das ciências biológicas.

Já Raíssa Müller é estudante do ensino técnico em química e criou uma espécie de esponja que repele água e absorve óleo e poderia, por exemplo, ser utilizada em acidentes com derramamento de óleo no mar. Depois de concluir o ensino técnico de quatro anos, em 2015, ela também quer disputar uma vaga em uma universidade americana, para mesclar estudos de psicologia e neurociência.

Projetos

O diagnóstico da endometriose, inicialmente feito por exame de ultrassonografia, e o tratamento, que até prevê uma indicação cirúrgica, é muito restrito e a estudante disse ter se sentido incomodada com a possibilidade de muitas mulheres nem conseguirem ser diagnosticadas. Ela avisa que vai dar continuidade à pesquisa com a ajuda de um orientador.

O projeto de Raíssa é um filtro que funciona com criptomelano, que é um mineral pouco conhecido e tem como propriedade ser poroso. Numa primeira etapa, a estudante aumentou o tamanho dos poros e, numa segunda, fez uma cobertura de silicone para repelir água e absorver óleo, que pode ser recuperado e revendido.

As brasileiras, assim como os demais estudantes selecionados no concurso, estão com uma campanha na internet para arrecadar fundos para os projetos. Para ter acesso aos vídeos que explicam as ideias e fazer as doações, acesse o link www.crowdrise.com/villagetoraiseachildprojects/fundraiser/.

 

Destaque em educação

Pela primeira vez uma brasileira é a vencedora do prêmio Cartier Women’s Initiative Awards. Com cerimônia realizada em Deauville, Franca, o prêmio, que a cada ano destaca projetos socialmente responsáveis idealizados por mulheres empreendedoras do mundo todo, foi entregue a Bel Pesce. Com o projeto FazINOVA, escola de empreendedorismo, inovação e networking que oferece cursos on-line sem custo, sobre empreendedorismo, além de palestras presenciais sobre esses temas, Bel foi a campeã, entre as candidatas da América Latina.

Mais de 30 mil pessoas já fizeram os cursos, que incluem de 30 a 80 vídeos de dois minutos, com exercícios ao longo das aulas. Com apenas 26 anos, Bel Pesce é a autora do best-seller A menina do vale, sobre a importância de uma atitude empreendedora. Em 2012, ela trabalhava em startups no Vale do Silício, quando decidiu lançar o livro, que teve grande impacto, com mais de 2 milhões de downloads. Naquele ano, ela entrou para a lista da revista Época das 100 pessoas mais influentes do Brasil, depois foi eleita um dos “30 jovens mais promissores do Brasil”, pela revista Forbes, e entrou na seleta lista dos “10 líderes brasileiros mais admirados pelos jovens” pela Cia. de Talentos.

“É uma honra poder trazer pela primeira vez esse prêmio ao Brasil, com um projeto sobre educação. O prêmio da Cartier é o primeiro passo da expansão global da FazINOVA, que será muito importante para nós em 2015, e é uma alegria imensa poder levar conteúdos, ferramentas e conexões relevantes para pessoas que querem realizar seus sonhos”, disse Bel.

Premiadas

Seis candidatos da Ásia Pacífico, Europa, América Latina, Oriente Médio e Norte da África, América do Norte e África Subsaariana – foram selecionadas entre mais de mil candidatas, por um júri independente e voluntário, composto por empresários e líderes empresariais. Além do troféu, ganharam um ano de treinamento personalizado e 20 mil dólares de financiamento para seus projetos. Até o momento, a competição tem apoiado mais de 140 mulheres.

Para se inscrever para a edição 2015 Cartier Women’s Initiative Awards, os candidatos devem preencher o formulário de requerimento no site www.cartierwomensinitiative.com, disponível a partir de 3 de novembro até 27 de fevereiro do ano que vem.

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