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Estado de Minas

Asas articuladas ajudam águias a enfrentar turbulência em voo


postado em 15/10/2014 11:18

(foto: AFP PHOTO / Oxford University%u2019s Department of Zoology / Royal Society / Graham Taylor )
(foto: AFP PHOTO / Oxford University%u2019s Department of Zoology / Royal Society / Graham Taylor )

PARIS - Mestras do voo em altitude, as águias contraem as asas quando encontram turbulência para evitar danificar os músculos, sugerem cientistas nesta quarta-feira.

Zoólogos da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, fixaram um minúsculo gravador de voo, tipo "caixa-preta", em uma águia-das-estepes ("Aquila nipalensis") em cativeiro, uma ave de rapina com 1,9 metro de envergadura.

Colocado em uma mochila, o dispositivo de 75 gramas monitorou a aceleração, a velocidade e a posição da águia, à medida que sobrevoava uma área remota de Gales, enquanto a equipe de cientistas filmou a ave do solo.

Dados de 45 voos demonstraram que, quando a ave foi jogada para cima por uma forte rajada de vento, ela respondeu abaixando suas asas abaixo do corpo por um breve período, um movimento chamado contração das asas.

A manobra fez a águia mergulhar de cabeça, o que, por sua vez, reduziu a carga aerodinâmica sobre suas asas.

A "contração das asas" durou por apenas um terço de um segundo, mas foi usada até três vezes por minuto em condições de maior vento.

"O voo de altitude pode parecer fácil, mas não é um passeio", disse o professor de Zoologia Graham Taylor.

"Voar em altitude pode capacitar uma ave a viajar por longas distâncias, mas também causa enorme tensão em seus músculos de voo", prosseguiu.

"A natureza das massas de ar ascendentes, como as térmicas, é gerar muita turbulência e ir de encontro delas sacode as asas das aves e poderia derrubá-las", explicou.

Contrair as aves, portanto, age como a suspensão de um carro: um amortecedor para evitar que a ave fira suas asas, quando expostas a rajadas fortes.

As águias integram uma categoria de aves que incluem os urubus. Como os experimentos foram feitos apenas com uma ave até agora, ainda não está claro se outras espécies também contraem as asas.

O truque pode ser de interesse dos projetistas de aviões, afirmou Taylor.

Embora seja improvável que jatos ou aviões contraiam as asas, a descoberta pode ser útil para ultraleves, vulneráveis a turbulências.

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