Embora ainda longe de aposentar as cadeiras de rodas, o exoesqueleto que será usado no início da cerimônia da Copa do Mundo representa, literalmente, o primeiro passo para a autonomia completa de pessoas que não conseguem se sustentar sobre as pernas. Experimentos anteriores, realizados por outros cientistas, já possibilitaram que até mesmo tetraplégicos – com movimento dos quatro membros comprometidos – deslocassem braços eletrônicos e pegassem objetos apenas com o pensamento. Contudo, a veste robótica, batizada de Brasil Santos Dumont 1, é a primeira a usar sensores capazes de fazer um deficiente físico ficar de pé e caminhar. Mais do que isso, o equipamento pode enviar sinais de volta ao usuário. Ou seja, quando ele chutar a bola, sentirá um estímulo tátil.
O projeto Andar de Novo é resultado da união de neurociência, robótica, nanotecnologia e prostética de um grupo internacional de pesquisadores.
A estreia do Brasil Santos Dumont 1 está cercada de mistério. A identidade dos oito pacientes treinados desde novembro em um laboratório montado na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), em São Paulo, é mantida em segredo. Todos eles, com idades entre 20 e 35 anos, já deram passos e chutes usando o exoesqueleto. O ritual que um deles seguirá na estreia da Copa também não foi divulgado. Embora Miguel Nicolelis já tenha afirmado que o paciente sairá da cadeira de rodas, andará 25 metros e dará o chute, ele disse recentemente ao Portal da Copa que isso ainda será definido. Tudo, porém, parece estar pronto para o grande momento. “Exo BRA-Santos Dumont 1, controlado por um dos nossos voluntários, completa com total sucesso testes no gramado onde será realizada a abertura da Copa do Mundo”, escreveu Nicolelis em sua página no Facebook no último dia 3.
A veste robótica ainda é um protótipo e será preciso fazer muita coisa antes que se torne uma realidade – a bateria, por exemplo, dura apenas duas horas. Contudo, para a área de reabilitação, significa um avanço que, segundo Nicolelis, se compara à ida do homem à Lua. “Esse é um grande passo para a humanidade”, costuma dizer, brincando com o duplo sentido.