Reconstrução artística do macho Hamipterus, réptil voador que viveu na época dos dinossauros - Foto: REUTERS/Chuang Zhao
Uma nova espécie de pterossauro foi descoberta por pesquisadores chineses em parceria com brasileiros. A identificação do réptil voador extinto surgiu depois de análises de ovos e fósseis encontrados em excelente estado de conservação, no Sudeste da China. Achada em um sítio na província de Hami, perto da Mongólia, a espécie foi batizada de Hamipterus tianshanensis e traz novos dados sobre a morfologia desses animais, como o tamanho e a vivência em grupos.
“Acreditávamos, por exemplo, que somente o macho teria um adorno grande na cabeça, servindo para o acasalamento. Agora, com as novas amostras, vemos que os dois sexos tinham o adorno, mas o do macho era maior”, destaca Taissa Rodrigues, professora da Faculdade de Biologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e coautora do trabalho, publicado na Current Biology.
Além disso, a análise mostrou que a envergadura dos pterossauros podia variar de 25cm a 12m. Outra novidade diz respeito à sociabilidade dessa ordem pré-histórica. “Suspeitávamos, mas agora temos uma constatação física, de que eles eram animais mais gregários, viviam juntos em colônias, já que foram desenterradas muitas ossadas no mesmo local, que seriam dos pais e das mães, e cinco ovos encontrados até agora”, diz.
- Foto: Reprodução Current BiologyTaissa Rodrigues explica que os ovos em questão são os mais bem preservados achados até agora. “Eles foram encontrados em estado tridimensional, ou seja, estavam mais inteiros e não espatifados, como de costume. Acreditamos que essa conservação tenha se dado pelas tempestades de areia, além da lama, que os cobriram e os protegeram com o passar do tempo.
Eles tinham a casca muito fina. Por isso precisavam ser enterrados, para serem protegidos”, destaca. A cientista tem esperanças de que mais ovos possam ser encontrados. “Caso tenhamos sorte, um ovo com embrião também pode existir nesse depósito.”
A pesquisadora da Ufes adianta que o material deve render outros dados relevantes. Segundo ela, os pterossauros são muito frágeis e difíceis de encontrar bem preservados. “Temos alguns fósseis excelentes no Nordeste do Brasil e também na China. A diferença é que, aqui, há várias espécies, e lá existem vários indivíduos de uma só. Esse é um depósito com um potencial enorme”, aponta.
- Foto: REUTERS/Chuang Zhao
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