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Estado de Minas

Hotsposts de BH passam em teste, mas falta manutenção em telecentros


postado em 23/01/2014 11:00 / atualizado em 23/01/2014 11:25

Shirley Pacelli

 

Ao menos uma coisa é rotineira na vida da relações-públicas Fátima Gontijo: todos os dias ela “bate ponto” no telecentro do BH Resolve, na Avenida Santos Dumont, no Centro de Belo Horizonte. Sem computador em casa, desde que se mudou para a região há três anos ela desfruta do acesso à internet gratuito da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). O serviço é disputado – cerca de 500 pessoas passam por lá diariamente. No dia em que a equipe do Informátic@ visitou o local, uma das 20 máquinas estava em manutenção.

Belo Horizonte, considerada por diversos institutos como cidade digital, criou em 2005 o programa BH Digital, que buscar ampliar os centros públicos de inclusão digital. O sinal de internet gratuita é distribuído pelos pontos graças à rede de fibra óptica do município, hoje com 220 quilômetros de extensão, e à tecnologia WiMax, que utiliza sistema de rádios para transmissão.

Nos 30 minutos a que tem direito, normalmente, Fátima acessa o e-mail e resolve algumas pendências de trabalho. “Às vezes, quando consigo visualizar o que quero, já se encerrou o meu horário. É pouco tempo”, reclama. E nem adianta querer passar a perna nos monitores e estender sua temporada diante da tela. Os próprios usuários cobrarão. Mal o tempo se esgota, há alguém cutucando com a senha em mão: “Já acabou?”, perguntam impacientemente.

A relações-públicas conta que o telecentro está sempre lotado. “Teve um dia que cheguei aqui e fiquei esperando uns 40 minutos. Minha senha era a 130”, lembra. Apesar da demanda, Fátima diz que, diante de sua inexperiência tecnológica, sempre foi bem assessorada pelos funcionários. Ela também não tem do que reclamar da velocidade da conexão.

Já o estudante Daivison Veloso, de 17, mora bem longe do Centro, no Bairro Nacional, em Contagem, região metropolitana da capital. Ele aproveita o fim do expediente na instituição em que trabalha, próxima ao telecentro, para conferir suas contas em redes sociais e vídeos diversos. Apesar de ter um computador em casa, ele não tem acesso à internet. Na Escola Estadual Tancredo Neves, onde estuda, não há PCs disponíveis para os alunos. Quando precisa fazer trabalhos escolares, Daivison vai a uma lan house que cobra R$ 2 a hora.

Segundo o portal da PBH, existem 400 telecentros e postos de internet municipal na cidade. O problema é que nem sempre eles podem ser utilizados pela população, assim como em diversas cidades do interior. O Informátic@ entrou em contato com o Centro Cultural do Alto Vera Cruz, no aglomerado de mesmo nome na Região Leste de BH, a fim de realizar testes nas máquinas. Descobrimos que, primeiramente, o serviço estava indisponível porque a monitora estava de férias. Depois, havia um problema no sinal da internet, impossibilitando o acesso.

No Centro de Apoio Comunitário Barreiro, no Bairro Santa Helena, o telecentro está desativado há dois anos, desde o início da reforma do prédio. As obras acabaram em outubro do ano passado, mas até agora o serviço não voltou a funcionar. Os 10 computadores do local foram recolhidos.

No Centro de Cultura de Belo Horizonte, na Rua da Bahia com Avenida Augusto de Lima, os cinco computadores estão com defeito há 15 dias e a Prodabel não deu previsão de conserto. O mesmo acontece na Escola e Creche São Tomás de Aquino, na Região Norte. Há duas semanas a instituição está sem internet porque não há técnico para resolver o problema.

Já no Espaço BH Cidadania, no Morro do Papagaio, os sete computadores do telecentro ficam disponíveis somente para quem faz cursos. Segundo funcionários, o sistema dos computadores é muito lento – até um editor de texto demora minutos para abrir. O Espaço BH Cidadania Vila Senhor dos Passos, na Lagoinha, só funciona à tarde, porque não há um monitor disponível no turno da manhã. No Centro de Referência da População de Rua, no Barro Preto, o serviço não estava disponível no dia que o Informátic@ entrou em contato porque a monitora não foi trabalhar. Enquanto isso, o futuro do telecentro do Instituto Social Frei Gabriel ainda é incerto, provavelmente não voltará a funcionar.

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