Publicidade

Estado de Minas

Vigilância na internet é paranoia ou realidade?


postado em 07/11/2013 10:45 / atualizado em 07/11/2013 10:21

Shirley Pacelli

Javier, que se diz um dos ativistas mais monitorados da Espanha, não teme a vigilância por parte dos governos. “Somos muitos, eles monitoram, mas não têm como controlar”, afirma. Já Elisa Ximenes, integrante do Centro de Mídia Independente (midiaindependente.org), versão brasileira do Indymedia (indymedia.org), coletivo que fundou o ativismo digital no mundo, não é tão cética assim.

No colóquio realizado na UFMG, Elisa revelou que não tem Facebook ou Twitter e faz parte do Saravá (sarava.org), projeto que cria ferramentas livres de comunicação. Como alerta, ela sempre lembra a seguinte frase: “A internet, nossa maior ferramenta de emancipação, está sendo transformada no mais perigoso facilitador de totalitarismo que já vimos”. As palavras não são de nenhum ditador, como é possível se crer, mas de Julian Assange, ciberativista do WikiLeaks.

Elisa acredita que as pessoas não estão protegendo seus dados virtuais como deveriam. Ela diz que depois do caso Snowden, que tornou pública a espionagem norte-americana na rede, as pessoas passaram a dar mais créditos àquilo que antes chamavam de paranoia. “Se você busca novos tempos, os meios têm que ser novos”, avisa. Na página Prism Break (prism-break.org) há uma lista de alternativas disponíveis aos serviços monitorados.

De olho em novos meios para se proteger, o sociólogo Sérgio Amadeu defende a criptografia (conjunto de técnicas para esconder informação de acesso não autorizado). Segundo ele, hoje em dia, as empresas de rastreamento já faturam o mesmo que as de petróleo. Ele prega a filosofia cyberpunk de Assange: privacidade para os fracos, transparência para os poderosos. “Para se ter uma ideia, a Prefeitura do Rio de Janeiro comprou um Big Data e vai poder acompanhar toda a movimentação na internet dos cidadãos. É a chamada técnica de controle de boiada. Isso sim é violação de privacidade”, conta.

AGENDA

Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre criptografia, no dia 30 será realizada a primeira CryptoParty Brasil em São Paulo (cryptoparty.inf.br). Palestras, tutoriais e discussões fazem parte da programação. O evento será realizado no Cowave Coworking (Rua Minas Gerais, 181, Consolação –SP).

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade